quarta-feira, 21 de outubro de 2026
PROFECIA DOS PAPAS

Morte do Papa Francisco reacende profecia de São Malaquias que prevê o Apocalipse; entenda

Documento medieval indica que Francisco seria o 112º e último Papa antes do fim dos tempos, segundo manuscrito atribuído a monge irlandês

Thais Munizpor em
Profecia
De autoria atribuída a São Malaquias, bispo irlandês do século XII, os escritos preveem que o próximo líder da Igreja Católica vai governar na “desolação do mundo” e que Roma será destruída

A morte do Papa Francisco, confirmada nesta segunda-feira (21), movimentou não apenas o Vaticano, mas também o imaginário de milhões de fiéis ao redor do mundo. Em meio a homenagens e reflexões, um nome voltou a circular com intensidade entre religiosos, curiosos e estudiosos de profecias: São Malaquias. O motivo? Uma antiga profecia atribuída ao monge irlandês do século XII que teria indicado, há quase 900 anos, que Francisco seria o último Papa antes do fim do mundo.

Essa profecia, conhecida como “Profecia dos Papas“, lista simbolicamente todos os líderes da Igreja Católica desde Celestino II, eleito em 1143, até o suposto fim dos tempos. Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, seria o 112º pontífice da lista. Após ele, segundo o texto, viria o período do Apocalipse.

Uma profecia milenar em debate

A versão mais divulgada da profecia descreve o último Papa como “Petrus Romanus” – ou Pedro, o Romano – que pastorearia o rebanho da Igreja durante uma fase de grandes tribulações. A profecia termina com um aviso solene: “Na perseguição final da Santa Igreja Romana, reinará Pedro, o Romano, que apascentará seu rebanho em meio a muitas tribulações, após as quais a cidade das sete colinas será destruída, e o Juiz terrível julgará o povo”.

Apesar de Bergoglio não ter adotado o nome Pedro, teóricos da profecia defendem que ele poderia ter cumprido esse papel de forma simbólica. Um dos argumentos é que o Papa Francisco, embora argentino, é filho de imigrantes italianos – o que o tornaria, tecnicamente, “romano”. Além disso, o nome escolhido por ele homenageia São Francisco de Assis, santo ligado a mensagens de renovação espiritual e visões proféticas.

O documento atribuído a São Malaquias teria sido escrito por volta de 1139, mas só foi publicado pela primeira vez em 1595, pelo monge beneditino Arnold de Wyon. Desde então, pesquisadores e teólogos discutem a autenticidade e o propósito da profecia. Muitos acreditam que o texto pode ter sido forjado no século XVI com intenções políticas, possivelmente para influenciar eleições papais da época.

Profecia
As chamadas “Profecias de São Malaquias” são, conforme seus divulgadores, de autoria de Malaquias de Armagh, monge do mosteiro de Bangor e depois arcebispo de Armagh

Fim do mundo em 2027?

Em 2024, um documentário reacendeu os debates sobre a profecia, ao destacar uma teoria alternativa: o fim dos tempos ocorreria 442 anos após o papado de Sisto V (1585–1590), figura associada à divulgação da profecia. Se a conta estiver certa, o ano do Apocalipse seria 2027.

Esse tipo de interpretação levanta dúvidas até entre os mais céticos. A lista de São Malaquias apresenta descrições curtas e simbólicas de cada Papa, e muitos estudiosos apontam que as primeiras 74 previsões foram surpreendentemente precisas. Já as posteriores teriam se tornado mais vagas, o que alimenta a suspeita de que o documento original tenha sido manipulado ou completado por outras mãos.

Ao longo da história, várias coincidências reforçaram o mistério. O Papa João Paulo II, por exemplo, é frequentemente associado à descrição “De labore Solis” (“Do trabalho do Sol”), pois nasceu durante um eclipse solar. Já Bento XVI, antecessor de Francisco, teria sido retratado como “Gloria Olivae” – uma possível referência à Ordem de São Bento e aos ramos de oliveira.

Mesmo sem reconhecimento oficial da Igreja Católica, a profecia continua a ser lembrada sempre que um novo Papa é eleito — ou, como agora, quando um pontífice morre. O Vaticano, por sua vez, nunca endossou a autenticidade do manuscrito, considerando-o um texto apócrifo de valor apenas histórico e não teológico.

A própria sucessão papal já tem data para começar. O conclave que escolherá o próximo líder da Igreja deve ser convocado entre 15 e 20 dias após a morte de Francisco. Durante o processo, cardeais com menos de 80 anos se reúnem na Capela Sistina, em Roma, para votar em segredo. A decisão é anunciada ao mundo por meio da tradicional fumaça branca e a frase “Habemus Papa”.

Quem foi São Malaquias

São Malaquias, nascido por volta de 1094, foi arcebispo de Armagh e é considerado um dos grandes reformadores da Igreja na Irlanda. Beatificado em 1186 e canonizado posteriormente, ele é lembrado por sua espiritualidade, milagres atribuídos e dedicação à disciplina eclesiástica.

De acordo com relatos, teria recebido visões místicas durante uma viagem a Roma, nas quais viu uma sequência de papas que governariam a Igreja até o fim dos tempos. A famosa lista profética atribuída a ele teria sido escrita nesse período, embora o manuscrito só tenha sido divulgado séculos depois.

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apocalipse fim dos tempos História Papa Francisco profecia são malaquias

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