sexta-feira, 8 de maio de 2026
Justiça

Condenado a mais de 8 anos, Leo Lins afirma que não falava como ele mesmo; “um personagem”

Condenado por racismo e discriminação, comediante alega interpretar um personagem

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 6 de junho de 2025
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Leo Lins se defendeu em uma live. Foto: Divulgação

O humorista Leo Lins afirmou, durante transmissão ao vivo no YouTube, que as declarações que motivaram sua condenação foram feitas por uma persona cômica construída ao longo de dez anos de carreira. A live ocorreu nesta quinta-feira (5), dois dias após a Justiça Federal condená-lo a oito anos e três meses de prisão com base na Lei do Racismo e no Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Defesa de Leo Lins

Durante a transmissão, que teve cerca de 12 minutos de duração, Lins segurou um cabide com um figurino e declarou: “Aqui é a pessoa Leonardo de Lima Borges Lins, e não o comediante Leo Lins.” O humorista justificou que atua no palco como um personagem, o que, segundo ele, se assemelha à atuação de um artista em uma peça teatral ou filme.

Ele citou o filósofo Simon Critchley para defender que, no stand-up comedy, há uma separação entre pessoa física e personagem humorístico. “Um humorista no palco interpreta um personagem”, declarou. Em seguida, comparou: “Se eu assistir a um filme de romance, posso processar os atores por atentado ao pudor?”

Leo Lins
Comediante Leo Lins em live. Foto: Divulgação

A defesa pública ocorreu após a decisão da 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que considerou que, em casos de conflito entre a liberdade de expressão e os princípios da dignidade humana e da igualdade, prevalece a proteção à dignidade. A condenação inclui, além da pena de prisão em regime inicial fechado, o pagamento de uma multa de 1.170 salários mínimos e uma indenização de R$ 303,6 mil por danos morais coletivos.

O processo teve como base um vídeo publicado em 2022, com mais de três milhões de visualizações, no qual o humorista fez declarações consideradas ofensivas a diversos grupos sociais. Entre os alvos das piadas estavam negros, idosos, obesos, pessoas com deficiência, portadores de HIV, indígenas, homossexuais, judeus, evangélicos e nordestinos.

A repercussão da condenação provocou reações diversas no meio artístico. Enquanto nomes como Danilo Gentili, Antonio Tabet e Maurício Meirelles defenderam a liberdade do comediante para fazer piadas, outros artistas se posicionaram de forma contrária. O ator Pedro Cardoso, por exemplo, questionou a alegação de que se trataria de um personagem. Segundo ele, o gênero stand-up permite que o artista fale em primeira pessoa, mesmo quando afirma estar apenas interpretando.

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