terça-feira, 8 de setembro de 2026
Inteligência Artificial

Modelo de Inteligência Artificial em português coloca Goiás na vanguarda tecnológica

Parceria entre Google e UFG desenvolve o Gaia, sistema de código aberto que reforça o protagonismo goiano no cenário da inteligência artificial brasileira

Anna Salgadopor em
Modelo de IA em português coloca Goiás na vanguarda tecnológica
Foto: Reprodução

Goiás deu mais um passo para se consolidar como polo nacional de Inteligência Artificial (IA). O Estado, que já foi pioneiro na regulamentação do uso da IA no Brasil e abriga a primeira graduação do país dedicada exclusivamente ao tema, agora é também o berço do Gaia — novo modelo de IA lançado pelo Google em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG).

O anúncio foi feito nesta terça-feira (10), durante o evento Google for Brasil. O Gaia é um modelo de linguagem de código aberto, otimizado para o português falado no Brasil. Ele é alimentado pelo Gemma 3, uma coleção de modelos abertos desenvolvidos pela Google DeepMind, e pode ser aplicado em diferentes áreas, como tradução, geração de texto, análise de dados e construção de agentes conversacionais.

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“O desenvolvimento de um modelo melhor adaptado para o português do Brasil atende à necessidade de soluções de IA que sejam aprimoradas com nuances linguísticas do Brasil. Espera-se que o Gaia beneficie indústrias e o desenvolvimento de tecnologia no País, permitindo que organizações brasileiras apliquem IA de acordo com suas necessidades específicas”, explica Celso Camilo, professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) da UFG e um dos coordenadores do projeto.

O modelo já está sendo testado em ambientes reais por organizações públicas e privadas. Em Goiás, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-GO) o utiliza para detectar similaridades em processos administrativos, e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) aplica a IA na extração de informações de editais e processos licitatórios. Outras instituições brasileiras também participam dos testes, como a Unimed Fesp, a BeNext, a BHub e o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar).

O projeto é fruto de uma colaboração entre a UFG, a Associação Brasileira de Inteligência Artificial (Abria), as startups Amadeus AI e Nama, e o Google DeepMind. A coordenação ficou sob responsabilidade dos professores Celso Camilo e Sávio Teles, do Ceia-UFG. O objetivo é desenvolver soluções tecnológicas mais alinhadas com a realidade brasileira.

O Gaia foi disponibilizado publicamente com código aberto, a iniciativa busca democratizar o acesso à IA de alta qualidade, permitindo que pesquisadores, empresas e instituições públicas utilizem o modelo para criar inovações.

Posição de destaque

A atuação da UFG no desenvolvimento do modelo reforça a posição de destaque da universidade na área de IA. A instituição foi a primeira do país a oferecer uma graduação específica em inteligência artificial e tem se destacado em pesquisas aplicadas, formação de especialistas e parcerias com o setor produtivo e com órgãos públicos.

Além disso, Goiás tornou-se o primeiro estado brasileiro a regulamentar o uso da inteligência artificial, por meio de uma lei estadual aprovada em abril. A legislação estabelece princípios como segurança, transparência e proteção de dados, e vem sendo considerada um marco para o uso ético e estratégico da IA em âmbito regional.

A experiência acumulada no Ceia-UFG, aliada à legislação pioneira do estado, tem contribuído para atrair investimentos e consolidar um ecossistema de inovação no Centro-Oeste. O lançamento do Gaia surge nesse contexto, como um resultado direto da articulação entre ciência, tecnologia e políticas públicas.

Crescente demanda

O modelo também se insere em um cenário de crescente demanda por ferramentas de IA adaptadas ao português, que ainda conta com poucos modelos abertos desenvolvidos a partir de dados e contextos brasileiros. Ao ser oferecido gratuitamente, representa uma oportunidade para que pesquisadores de todo o país testem, modifiquem e ampliem suas aplicações de acordo com realidades locais.

“A gente conversa também com clientes que desenvolvem, mas a gente não tem recursos para conversar com todas as iniciativas do tipo. Seguimos abertos a iniciativas de modelos especializados”, explicou Luciano Martins, indicando que o Google pretende continuar dialogando com outras frentes de desenvolvimento da IA em português no Brasil.

A expectativa é que, com o Gaia, empresas, instituições e governos possam encontrar soluções mais eficazes para desafios em diversas áreas. O modelo está sendo apresentado como um passo importante para tornar a inteligência artificial mais inclusiva, acessível e conectada à diversidade cultural e linguística do Brasil.

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