sábado, 26 de setembro de 2026
NEGOCIOS

Setor de segurança privada cresce quase 10% e movimenta R$ 40 bilhões ao ano

Segurança privada sustenta expansão com alta na demanda e salto tecnológico

Otavio Augustopor em
Setor de segurança privada cresce quase 10% e movimenta R$ 40 bilhões ao ano
Setor conta com 530 mil trabalhadores formais

O setor de segurança privada no Brasil vive um novo momento de crescimento e profissionalização. Com a sanção do novo Estatuto da Segurança Privada em setembro de 2024, empresas e profissionais do ramo passam a operar sob regras mais rígidas, em um movimento que promete combater a clandestinidade e impulsionar contratações legais — especialmente em regiões em expansão, como o Centro-Oeste.

Em estados como Goiás e Mato Grosso do Sul, cresce a demanda por vigilantes em condomínios fechados, empreendimentos industriais e instituições públicas. O cenário, que já vinha sendo moldado pela insegurança urbana e pela busca por serviços especializados, agora se fortalece com a regulamentação federal.

Clandestinidade movimenta bilhões e preocupa o setor

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, o Brasil abriga mais de 11 mil empresas clandestinas atuando ilegalmente, número quase quatro vezes maior do que o total de companhias regulamentadas (2.694). Estima-se que esse mercado informal movimente R$ 60 bilhões ao ano, com prejuízos bilionários em tributos e riscos à segurança pública.

Essas empresas, muitas vezes sem autorização da Polícia Federal, contratam vigilantes sem formação adequada e operam com armamento irregular. A nova lei, que já está em vigor, busca enfrentar esse cenário ao exigir registro prévio das empresas, capital social mínimo para determinadas atividades e proibir serviços prestados por cooperativas e autônomos.

A expectativa é que, com a fiscalização intensificada e o aumento das exigências legais, haja uma migração gradual dos profissionais para o mercado formal, com reflexos diretos na geração de empregos qualificados.

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Sudeste concentra 39% das empresas clandestinas

Demanda cresce em Goiás e MS

No Centro-Oeste, o aquecimento do setor já é perceptível. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, condomínios de médio e alto padrão em Campo Grande e Dourados, além de indústrias e instituições bancárias, lideram a contratação de vigilantes. A proximidade com Goiás favorece o avanço do setor também no estado vizinho, especialmente em cidades-polo como Goiânia e Aparecida de Goiânia.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Segurança Privada do MS (Sindesp-MS), cresce a procura por profissionais habilitados em segurança patrimonial, transporte de valores e escolta armada. A formação, obrigatoriamente feita em escolas credenciadas pela Polícia Federal, inclui conhecimentos em defesa pessoal, primeiros socorros, legislação e armamento.

Em 2024, mais de 530 mil vigilantes foram contratados com carteira assinada no Brasil — um crescimento de 9,3% em relação a 2023, segundo dados do setor. É a primeira vez desde 2018 que as admissões superam as demissões.

Tecnologia e qualificação moldam o futuro

Além da profissionalização, a modernização tecnológica tem sido um dos pilares da nova segurança privada. Empresas do setor apostam em soluções como inteligência artificial, reconhecimento facial, monitoramento remoto via IoT (Internet das Coisas) e até uso de drones para vigilância de grandes áreas.

Essas ferramentas permitem respostas mais rápidas a incidentes, monitoramento em tempo real e maior controle de acesso em locais sensíveis. Para atuar nesse novo cenário, os profissionais precisam investir em capacitações constantes — um desafio que se soma à realidade de que a maioria dos vigilantes no Brasil ainda possui apenas o ensino médio completo.

Dados recentes apontam que cerca de 87% dos vigilantes são homens, com idades entre 30 e 49 anos. Apenas 3% possuem ensino superior, o que abre espaço para políticas de incentivo à formação continuada.

Estatuto sinaliza nova fase para o setor

A aprovação da Lei 14.967/2024, que institui o Estatuto da Segurança Privada, marca uma virada histórica para o setor. Com ela, o governo espera ampliar a fiscalização, reduzir a atuação de empresas ilegais e estimular o investimento em qualificação profissional.

A nova legislação também fortalece a figura do vigilante formalizado, garantindo direitos trabalhistas e maior segurança jurídica para os contratantes. A expectativa das entidades do setor é que, até o fim de 2025, o número de profissionais legalizados ultrapasse 1 milhão em todo o país.

Em estados como Goiás, a tendência é de que a combinação entre legislação mais rigorosa, aumento da sensação de insegurança e crescimento urbano continue a impulsionar a demanda. O resultado esperado é um mercado mais competitivo, regulado e tecnologicamente avançado.

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