quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Tarifas

Trump pune Índia com tarifa extra por petróleo russo

Decisão eleva tarifa inicial de 25% para 50% e a Índia se junta ao Brasil como as duas nações com taxas mais altas

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em
Trump pune Índia com tarifa extra por petróleo russo
Trump afirma que países que importarem energia russa sofrerão sanções dos Estados Unidos. (Foto: Grant Durr/ Unsplash)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (6) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados da Índia, em retaliação às compras de petróleo russo realizadas por Nova Délhi. Com a medida, a carga tarifária total sobre itens indianos exportados aos EUA chega a 50%, igualando-se à alíquota aplicada ao Brasil. A decisão foi divulgada em comunicado oficial da Casa Branca e enquadrada na ordem executiva de 2022, que proíbe importações e novos investimentos na Rússia, como resposta à ofensiva militar russa contra a Ucrânia.

O documento afirma que as ações de Moscou continuam representando “uma ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos EUA, e que a situação de emergência internacional declarada em 2022 permanece vigente. A nova tarifa atingirá produtos indianos ligados ao setor energético, principalmente aqueles que envolvam petróleo russo, seja por importação direta ou por transações intermediadas por terceiros.

A imposição das tarifas entrará em vigor no dia 27 de agosto. Contudo, mercadorias indianas que já estiverem em trânsito até essa data terão prazo estendido até 17 de setembro. A medida também serve de alerta a outros países que mantêm relações comerciais com Moscou, incluindo o Brasil, que continua adquirindo fertilizantes e combustíveis russos.

Em resposta ao anúncio, o Ministério das Relações Exteriores da Índia classificou a decisão como “injusta, irracional e sem justificativa”. “A Índia tomará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses nacionais”, declarou o porta-voz Randhir Jaiswal em nota oficial.

O Kremlin reagiu às ameaças dos EUA, classificando-as como ilegítimas. “Temos ouvido muitas declarações que são, na prática, tentativas de forçar países a interromper relações comerciais com a Federação Russa. Consideramos tais pressões inaceitáveis”, afirmou o porta-voz Dmitry Peskov, na terça-feira (5), defendendo o direito de cada nação definir seus próprios parceiros comerciais.

O governo Trump já havia sinalizado a intenção de penalizar a Índia. Em 30 de julho, o republicano publicou no Truth Social que, apesar da relação amistosa entre os dois países, “a Índia sempre aplicou tarifas altíssimas e mantém barreiras comerciais rigorosas”. O presidente criticou ainda a continuidade das compras de equipamentos militares e energia da Rússia, alegando que tais práticas enfraquecem os esforços internacionais para encerrar a guerra na Ucrânia.

Nos últimos meses, representantes indianos e norte-americanos realizaram cinco rodadas de negociações na tentativa de evitar a imposição de tarifas mais pesadas. A expectativa do governo indiano era de um acordo que limitasse o aumento a 15%, hipótese descartada após as tratativas fracassarem. Autoridades de Nova Délhi contavam com um anúncio favorável antes do prazo final de 1º de agosto, o que não ocorreu.

O Departamento de Comércio dos EUA foi instruído a monitorar e avaliar os países que continuam importando energia da Rússia. Caso identifique transações diretas ou indiretas, o órgão deverá recomendar ao presidente a adoção de medidas, incluindo a aplicação de tarifas adicionais de 25%. Essa diretriz pode atingir o Brasil, que ainda importa produtos russos e já enfrenta tarifas de 50% sobre suas exportações aos EUA.

Durante entrevista à CNBC, na terça-feira, Trump já havia reforçado sua insatisfação com a postura indiana: “Eles estão alimentando a máquina de guerra, e se vão fazer isso, então não vou ficar feliz”. O presidente norte-americano acrescentou que “não basta reduzir tarifas se continuarem comprando petróleo russo”.

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