sexta-feira, 16 de outubro de 2026
OPINIÃO

WhatsApp, PDF e redes sociais tornam eleitor maior que partidos

Grupo O HOJE faz 360º das notícias e alcança Goiás e o DF em conexão direta com o público, mas os políticos resistem à tecnologia

Nilson Gomespor em
WhatsApp, PDF e redes sociais tornam eleitor maior que partidos Foto: O HOJE
WhatsApp, PDF e redes sociais tornam eleitor maior que partidos Foto: O HOJE

No auge da imprensa escrita, o máximo que um diário goiano alcançou de tiragem paga, aquela que vai para assinantes ou é comprada pelo leitor nas bancas, foi de 40 mil exemplares. Atualmente, o grupo O HOJE tem o dobro disso em apenas uma agenda de um de seus colaboradores, que enviam o PDF do jornal – aqui, uma equipe treinada se encarrega disso a quem se inscreve para receber. E não existe encalhe, pois tanto o jornal de papel quanto o portal estão disponíveis de forma gratuita. A mídia celebra a tecnologia, mas os partidos e seus políticos, na média, continuam analógicos. Quem está de olho em se sair bem nas urnas precisa investir. É tamanho o esforço para alcançar a atenção das pessoas em Goiás e no Distrito Federal que O HOJE estabelece o cerco, rebatizado de 360º, de serviços em todas formas de chegar ao público das duas unidades da federação.

 

Três pré-candidatos estão em campanha para governador de Goiás e meia dúzia para presidente da República. Nenhum diz o que vai fazer para que mais pessoas tenham acesso a escolas de programação, desenvolvimento de softwares, engenharia de computação. Pelo contrário. O que se ouve é promessa de monitorar os produtores de conteúdo, censurar, multar, tirar do ar. É tanto cerco à liberdade de expressão que as autoridades demonstram estar na contramão dos brasileiros. 

 

Quem vai ficar com o que quando

 

Exemplo recente aconteceu entre o ex-governador Marconi Perillo e o deputado federal Glaustin da Fokus. Seus partidos, respectivamente o PSDB e o Podemos, iam se juntar. As tratativas estavam tão adiantadas que começavam a ser escolhidos os dirigentes no Brasil e nos Estados. Graças às redes sociais, os filiados do interior goiano ficaram sabendo que Marconi e a deputada federal Renata Abreu, presidentes nacionais das duas siglas, não entraram em acordo em coisa alguma – só muito depois foi divulgada a versão oficial. Ela queria que ele comandasse o novo partido em ano ímpar, que não tem eleição. Ele achou que a nova agremiação seria chamada de PSDB, porém o Podemos atualmente é maior. Outra questão insolúvel seria o que fazer com o diretório regional – Renata se recusou a descartar Glaustin, que assumiu o cargo em dezembro passado.

 

Como o pessoal soube de tudo isso? Por ofício carimbado, com três vias autenticadas em cartório? Não, pelo velho (tudo em tecnologia com mais de um mês já é idoso) e bom (na verdade, ótimo) Zap-Zap.

 

Poderosos contratam pesquisas e divulgam os índices como se tivessem sido obtidos em levantamento independente, com aquele ar de quem não puxa brasa para ninguém, nem para o churrasco de um, nem para tocar fogo em outro. Bastam somente alguns segundos para internautas descobrirem quem contratou, quem pagou, quem foi a campo colher os dados, quem está omitindo, quem está mentindo. Além de as pernas da omissão serem curtas, as da internet são de fibra e velocíssimas.

 

A velha e obtusa tática de perseguir

 

Quando há perseguições, o que em Goiás tem mais que mato, é facílimo de identificar: só os veículos de comunicação bancados por determinada tendência divulgam aquela fake news. Na atual fase das lutas para chegar ao Palácio das Esmeraldas, sede do Poder Executivo de Goiás, ocorre como em todas as guerras, a 1ª vítima é a verdade e a 2ª é o atraso, porque se desvenda rapinho qualquer esquema. Em geral, os pretendentes que representam as oposições apanham sem parar e o efeito é nulo, pois o eleitor percebe a trama.

 

É tanto foco que o cidadão está mais ligado na política nacional, à exceção de quando o voto é para prefeito. Nos grupos de WhatsApp, a polarização domina, quem não é Lula é Jair Bolsonaro, quem não é Bolsonaro é Lula, quem não quer os dois está fora da nova ordem, ainda que cheio de razão. É o caso de alguns integrantes do próprio governo estadual, tão envolvidos nas batalhas esquerda x direita que se esquecem que Ronaldo Caiado é pré-candidato à Presidência da República. Aliás, Caiado e Bolsonaro se beneficiam da tecnologia para espalhar nome e número – alguém numa fazenda no interior do Paraná, numa cidadezinha de São Paulo ou à beira de um rio na Amazônia sabe dos fatos na velocidade da luz – ainda que viva à luz de lamparina.

Não desperdiçar dinheiro com o que não é lido

 

Com R$ 1 bilhão de Fundo Partidário, ainda se gasta mal, insistindo com cartilhas disso, folheto daquilo. O desperdício é gigantesco e interminável. Em reunião com dez pessoas sempre tem um simpatizante da sigla distribuindo o regimento interno do partido com centenas de páginas. O custo alto não impede que a maioria dos exemplares fique nas cadeiras depois do evento e, mesmo quando alguma das cartilhas é levada, não necessariamente será lida.

 

Sai à frente quem promove workshops, cursos virtuais, tudo no melhor estilo século XXI, pois o brasileiro acompanha a política pelas plataformas, seja como publicidade ou educação a distância. Um corte de vídeo no YouTube, chamado short, tem mais alcance que o horário eleitoral do TRE. O deputado federal Gustavo Gayer lidera as pesquisas para o Senado e seu único método é ficar em frente à câmera num canto de seu escritório falando o que quer. O delegado Waldir Soares foi duas vezes campeão de votos para a Câmara dos Deputados tendo como único divulgador o Instagram.

 

Aí, volta-se à prática do grupo O HOJE. Nossa comunicação digital se ambienta como se toda a equipe estivesse dentro das redações em Goiânia e Brasília cara a cara com o consumidor da notícia acompanhando os fatos – até porque está, é impossível inventar ao vivo. Essa estratégia deu celeridade à comunicação, democratizou as opiniões e as discussões. Deu voz a quem não tinha e ouvidos a quem tem o que dizer. Tudo isso favorece o processo democrático e dá mais responsabilidade à imprensa, aos partidos, aos candidatos.

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