O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

domingo, 11 de janeiro de 2026
Abandono

Juizado determina acolhimento de bebê que passou mais de um ano na UTI do Hugol

Medida protetiva visa garantir estímulos adequados e ambiente seguro para criança de 1 ano e 8 meses, enquanto Ministério Público e Judiciário acompanham o caso

Eduarda Leitepor Eduarda Leite em 5 de setembro de 2025
Segundo relatos, o ambiente fechado da UTI tem impactado o desenvolvimento da criança Foto: Portal Domingos Ketebey
Segundo relatos, o ambiente fechado da UTI tem impactado o desenvolvimento da criança Foto: Portal Domingos Ketebey

Um bebê de 1 ano e 6 meses, abandonado pela família, vive há mais de um ano dentro da UTI de cardiopediatria do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Clinicamente estável e sem necessidade de cuidados intensivos, o menino permanece confinado em um cercadinho dentro da unidade porque ainda aguarda decisão judicial sobre seu futuro.

Segundo relatos, o ambiente fechado da UTI tem impactado o desenvolvimento da criança. Sem acesso à luz natural, ele apresenta alterações no sono e passa a maior parte do tempo sem estímulos externos. “Às vezes ele troca a noite pelo dia, fica acordado durante a madrugada e agora de manhãzinha geralmente é o tempo que ele tá dormindo. UTI é super complicado”, relatou uma pessoa ligada ao caso, sob anonimato.

De acordo com médicos e enfermeiros, o bebê nunca teve contato direto com o mundo exterior desde que passou a viver no hospital. A rotina se resume ao espaço restrito da cardiopediatria, onde os profissionais se tornaram, na prática, sua única referência afetiva.

Impasse judicial

O menino foi internado ainda recém-nascido e, com o tempo, perdeu totalmente o vínculo com os pais. Desde então, Conselho Tutelar e Justiça acompanham a situação, mas sem avanços práticos.

Há mais de um ano tramita um processo em segredo de justiça para definir se a criança será encaminhada para adoção ou para um abrigo. A morosidade mantém o impasse e o bebê continua ocupando um leito que poderia ser destinado a outro paciente em estado grave, já que a UTI do Hugol opera constantemente lotada.

Recentemente, o processo foi remetido ao Ministério Público de Trindade, cidade onde a família do menino supostamente reside. Porém, o MP-GO informou que os autos chegaram à 3ª Promotoria de Justiça de Trindade em 26 de agosto de 2025. O órgão já solicitou informações ao hospital e aguarda resposta para definir as próximas medidas.

Conselho Tutelar e Juizado determinam acolhimento do bebê

A conselheira tutelar Vanessa Assis, da Região Noroeste de Goiânia, relatou ao O HOJE que o órgão já acompanha o caso há algum tempo. Segundo ela, houve tentativas de manter a família como acompanhante, mas não houve êxito.

“Fomos comunicados e o conselho já atua nesse caso há algum tempo, intervindo entre a família e o hospital. Tentamos viabilizar a permanência da família como acompanhante, mas infelizmente não aconteceu. Comunicamos ao Ministério Público e ao Juizado da Infância e Juventude. Também solicitamos junto ao hospital o acolhimento institucional dessa criança, o que ocorreu na data de hoje. Ele foi acolhido por uma instituição e agora se encontra sob os cuidados dela. Judicialmente, os pais provavelmente vão recorrer para tentar reaver a guarda”, explicou.

Vanessa destacou ainda a condição de vulnerabilidade social da família, que tem outros cinco filhos. “É uma família carente, que alegou não ter condições de permanecer com o bebê no hospital”, acrescentou.

Após a repercussão do caso, nesta sexta-feira (5) o Juizado da Infância e Juventude expediu medida protetiva determinando o acolhimento institucional do bebê, agora com 1 ano e 8 meses, após mais de um ano de internação sem a presença da família. Equipes do Conselho Tutelar e de um abrigo foram ao Hugol para retirar a criança e oferecer cuidados médicos e estímulos sociais adequados.

Segundo a conselheira Vanessa Assis, os pais já foram citados a prestar esclarecimentos e podem responder por abandono e negligência. O processo seguirá acompanhado pelo Ministério Público e pelo Judiciário, que deverão definir tanto o futuro da criança quanto eventuais responsabilidades.

Profissionais do hospital alertaram ainda para os impactos do confinamento prolongado sem luz natural e estímulos no desenvolvimento do menino. Agora, em um abrigo, ele terá contato com novas referências afetivas e um ambiente mais apropriado para seu crescimento.

Leia mais: Briga entre vizinhas termina em esfaqueamento em Goiânia

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Veja também