quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Saúde

Vacina contra HPV reduz casos de câncer do colo do útero no Brasil

A vacina reduziu em 58% a incidência de câncer do colo do útero e em 67% as lesões pré-cancerosas graves

Leticia Mariellepor em
Vacina contra HPV reduz casos de câncer do colo do útero no Brasil
Vacina contra HPV reduz casos de câncer do colo do útero no Brasil. | Foto: Reprodução/Freepik

Entre 2019 e 2023, uma ampla pesquisa analisou dados do Sistema Único de Saúde (SUS) referentes a mais de 60 milhões de mulheres brasileiras, com idades entre 20 e 24 anos, para avaliar o impacto da vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) no país. O estudo, conduzido por especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com apoio da Royal Society e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), trouxe resultados expressivos sobre a eficácia da imunização.

De acordo com os pesquisadores, a vacina reduziu em 58% a incidência de câncer do colo do útero e em 67% as lesões pré-cancerosas graves (NIC3). Publicado na revista científica The Lancet, o estudo revelou que os efeitos positivos foram observados mesmo antes da faixa etária recomendada para o rastreamento da doença, aos 25 anos. Para os autores, as evidências reforçam o papel da vacinação como uma das medidas mais eficazes de saúde pública, com impacto direto na redução da mortalidade e das desigualdades no acesso à prevenção.

Os resultados obtidos no Brasil confirmam que a imunização contra o HPV é eficaz também em países com recursos limitados, representando um avanço importante rumo à meta global de eliminação do câncer do colo do útero, proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A vacina está disponível gratuitamente desde 2014 pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em 2024, o esquema passou a ser de dose única, seguindo as recomendações mais recentes da comunidade científica. No ano seguinte, em 2025, as diretrizes foram ampliadas, incluindo adolescentes de 15 a 19 anos e grupos prioritários, como usuários de PrEP, pessoas imunossuprimidas e pacientes com papilomatose respiratória recorrente.

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O câncer do colo do útero permanece como o segundo tipo mais frequente entre as mulheres no Brasil. | Foto: Reprodução/Freepik

O câncer do colo do útero permanece como o segundo tipo mais frequente entre as mulheres no Brasil e figura entre as principais causas de morte feminina. A ampliação da vacinação representa um passo essencial para reduzir desigualdades regionais e alcançar a eliminação da doença como problema de saúde pública.

Estudos indicam que entre 50% e 70% das pessoas sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV em algum momento da vida. A imunização oferece proteção de até 98% contra os tipos oncogênicos mais perigosos do vírus.

Atualmente, a vacina é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos; mulheres e homens com HIV, transplantados, pacientes oncológicos e vítimas de violência sexual de 9 a 45 anos; além de usuários de PrEP e portadores de papilomatose respiratória recorrente a partir dos 2 anos. Todos esses grupos têm acesso gratuito à imunização pelo SUS.

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Brasil Câncer HPV Vacina

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