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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Segurança Pública

Derrite diz que “não abre mão” de manter competências da PF em novo texto antifacção

Planalto não quer que texto mexa em atribuições da Polícia Federal e Motta garante que não haverá discussão que coloque em risco soberania do país

Paula Costapor Paula Costa em 11 de novembro de 2025
Segurança Pública
Após críticas e pressão do Planalto, Derrite e Hugo Motta falam sobre projeto que combate facções criminosas. (Crédito: reprodução)

O relator do projeto de lei antifacção, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), anunciou na noite desta terça-feira (11) que irá manter as prerrogativas da Polícia Federal no enfrentamento ao crime organizado. Derrite falou que pode retirar de seu parecer as mudanças propostas à Lei Antiterrorismo e criar o marco legal do combate ao crime organizado. A decisão foi comunicada durante coletiva de imprensa ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em meio à repercussão negativa do texto preliminar.

Na tarde de hoje, Hugo Motta conversou com o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, e reforçou que o papel da Polícia Federal é inegociável no combate ao crime organizado. O presidente da Câmara diz que não haverá discussão que ‘coloque em risco a nossa soberania.’ A expectativa de Motta é de construir acordo para votação do projeto, mas não garantiu que será na quarta-feira (12).

“Quando designei na última sexta-feira, o deputado federal Guilherme Derrite, para relatar o projeto de autoria do Governo Federal sobre o crime organizado, sobre as facções criminosas, foi para que o deputado fizesse um trabalho eminentemente técnico, não permitindo que esse tema fosse usado como palanque político para quem quer que seja”, afirmou Hugo Motta.

O presidente da Câmara garantiu que o texto está sendo construído com muito diálogo, tanto com o poder Judiciário, quanto com o Senado Federal. Antes de passar a palavra para o relator, Hugo Motta foi enfático ao afirmar que não vai permitir que nenhuma discussão na Câmara, coloque em risco a soberania do país. Relembrando, que desde ontem foram levantadas narrativas não verdadeiras, de que haveria o interesse da Câmara, em tirar o poder da Polícia Federal. “Tenho tido o cuidado de, ao lado do deputado Guilherme Derrite, trazer as nossas preocupações na construção de um projeto que entregue ao país um resultado, uma solução para a segurança pública do Brasil”, garantiu.

Derrite insiste que a narrativa de enfraquecer a PF é equivocada. O texto do relator do Projeto sofre críticas de juristas e governistas. Durante a coletiva ele falou que ainda existe na Câmara o requerimento de urgência do deputado Danilo Forte que trata da alteração da Lei Antiterrorismo de 2016. “Qual foi a saída para construir esse diálogo? Unir as boas sugestões de ambas as propostas, tanto do Governo Federal quanto do deputado Danilo Forte, e construir uma nova tipificação penal dentro da Lei 13.260, que é a Lei Antiterrorismo de 2016, com vários tipos penais, ou seja, com várias condutas típicas”, justificou.

Ele explicou que como a Lei Antiterrorismo de 2016 é de competência exclusiva da Justiça Federal, ou seja, da Polícia Federal realizar a investigação, ele teve que colocar nesses novos tipos penais, praticados por membros de organizações criminosas. “Eu só fiz essa ressalva. E aí abriu a brecha para a criação dessa narrativa equivocada, dizendo que eu estaria desconfigurando ou enfraquecendo o trabalho da Polícia Federal. Isso não é verdade”, disse o deputado federal.

A medida busca conter as críticas de integrantes do governo e de setores da segurança pública que apontaram risco de sobreposição de competências entre as forças policiais. O novo relatório ainda não foi apresentado oficialmente.

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