sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Análise

Centro-esquerda quer unir PSOL, PT, PDT e PSB, mas pode enfrentar resistências em Goiás

Partidos discutem aproximação no Estado, mas divergências, disputa por nomes e vínculos com o governo estadual tornam o acordo incerto

Bruno Goulartpor em
Centro-Esquerda quer unir PSOL, PT, PDT e PSB, mas pode enfrentar resistências em Goiás
Adriana Accorsi, Flávia Morais e Elias Vaz são os responsáveis pelo futuro de PT, PDT e PSB no Estado. Fotos: Renato Araújo/Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Bruno Goulart

A centro-esquerda começou a se movimentar em Goiás para as eleições de 2026. PT, PSOL, PDT e PSB aparecem no debate sobre a formação de uma frente comum em um cenário marcado pela polarização política nacional e pela retomada das manifestações de rua contra pautas defendidas pela direita no Congresso.

Para o deputado estadual Mauro Rubem (PT), já existe disposição de diálogo entre PT, PCdoB e PSOL. Segundo o parlamentar, o momento ainda é de construção interna, com discussão de nomes e de estratégias. “Estamos naquela fase de definição de nomes”, afirmou ao O HOJE.

Mauro Rubem ainda avalia que o ambiente político está cada vez mais dividido e que isso tende a se aprofundar até 2026. “A população é contra essa casta política cheia de privilégios. Do outro lado, na direita, há um grupo que não quer que o País avance. Os blocos políticos vão se formando e a polarização vai ser ainda maior”, disse.

O deputado cita como exemplo as manifestações ocorridas no último domingo (14), quando pessoas foram às ruas em ao menos 21 capitais contra a aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto que reduz as penas de condenados por tentativa de golpe de Estado. Frases como “com esse Congresso não dá” e “sem anistia para golpistas de ontem e de hoje” marcaram os protestos.

Aliança nacional da Centro-esquerda

Neste cenário, o PT defende repetir, em Goiás, uma aliança semelhante à nacional, que une PT e PSB e tem Geraldo Alckmin como vice-presidente. “É um interesse nosso repetir o PSB”, afirmou Mauro Rubem. Segundo o deputado estadual, o partido pretende apresentar uma chapa completa, com oito nomes para a disputa majoritária, que inclua governador, vice, senadores e suplentes.

Leia mais: Campanhas eleitorais entram na era da inteligência artificial sem legislação aprovada; entenda o impacto

Entre os nomes citados estão o ex-governador José Eliton, hoje no PSB, e o superintendente do Iphan em Goiás, Gilvane Felipe. Há também o do petista e vereador por Goiânia, professor Edward Madureira. “No PT, temos nomes fortes. Teremos uma chapa capaz de cumprir nossa missão e também apresentar nomes que precisam ser conhecidos pela sociedade”, disse o parlamentar.

Desafios para unir forças

Apesar do discurso de unidade, analista ouvido pela reportagem avalia que a aglutinação da centro-esquerda em Goiás enfrenta limites. Para o mestre em História e especialista em políticas públicas Tiago Zancopé, o cenário nacional não se reflete automaticamente no Estado. “O que acontece em Brasília nem sempre se repete aqui”, afirmou ao O HOJE.

Segundo Zancopé, PSB e PDT, em Goiás, hoje caminham mais próximos da base do governo estadual, formada por partidos como União Brasil e MDB. Esse alinhamento dificulta uma aproximação direta com o PT. “Eu não vejo como PDT e PSB vão querer compor com o PT, tendo em vista que hoje estão na base do governo”, avaliou.

Possível racha

Zancopé também aponta um possível ponto de conflito com o PSOL. Caso o nome escolhido para liderar a aliança seja José Eliton, a adesão do partido seria improvável. “O PSOL já disputou eleição contra José Eliton quando ele estava no PSDB. Se esse for o nome, pode haver um racha na esquerda”, explicou.

O PDT também aparece como um partido dividido. A legenda mantém relação tanto com o governador Ronaldo Caiado quanto com o presidente Lula. Para o analista, isso reduz o interesse em romper com o palanque local para seguir apenas a lógica nacional.

Zancopé avalia que a política goiana é fortemente influenciada por acordos regionais e interesses locais. “Aqui, a dinâmica local muitas vezes se impõe sobre a nacional.” Ainda assim, o historiador alerta para um risco estratégico: caso esses partidos fiquem fora de uma aliança vencedora, podem acabar com pouco espaço em um futuro governo.

Estratégia do PT

Enquanto as articulações seguem nos bastidores, o PT aposta em aproximar o presidente Lula das periferias. O governo federal lançou o programa Governo do Brasil na Rua, que leva serviços públicos diretamente à população. Fontes ouvidas pelo O HOJE afirmam que ações semelhantes devem ser anunciadas em Goiás nos próximos dias. (Especial para O HOJE)

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Aliança centro-esquerda Goiás

Veja também

Gastos com pets poderão reduzir o Imposto de Renda; projeto prevê limite de R$ 2,2 mil

CONSULTAS E EXAMES

Gastos com pets poderão reduzir o Imposto de Renda; projeto prevê limite de R$ 2,2 mil

Proposta em análise no Senado inclui consultas, exames e tratamentos de cães e gatos
Após reconhecer vitória de Lula, Tarcísio sinaliza para candidatura à Presidência em 2030

"Abre uma possibilidade”

Após reconhecer vitória de Lula, Tarcísio sinaliza para candidatura à Presidência em 2030

Governador de São Paulo sinalizou para candidatura ao Planalto pela primeira vez após as eleiçõe...
águas lindas

BASTIDORES

Disputa pela Prefeitura de Águas Lindas de Goiás já tem articulações para 2028

Em entrevista ao O HOJE, Oliveira Júnior negocia filiação ao MDB e recebe apoio de Anderson Teodo...
Celina Leão cria grupo para revisar programas de material, uniforme e creche no DF

POLÍTICA

Celina Leão cria grupo para revisar programas de material, uniforme e creche no DF

Grupo de trabalho vai analisar custos, regras e funcionamento dos benefícios; revisão ocorre após...
Valdemar critica carta de Flávio Bolsonaro e se reúne com Jair após viagem aos EUA

NÃO GOSTOU

Valdemar critica carta de Flávio Bolsonaro e se reúne com Jair após viagem aos EUA

Presidente nacional do PL afirmou que não aprovou o texto divulgado pelo senador após a derrota el...
Governo estuda “lista suja” para empresas acusadas de assédio eleitoral

ASSÉDIO ELEITORAL

Governo estuda “lista suja” para empresas acusadas de assédio eleitoral

Ministério do Trabalho anuncia força-tarefa para combater pressões e demissões motivadas por esc...
Disputa no PL é resultado do crescimento da legenda, avalia especialista

Gayer x Wilder

Disputa no PL é resultado do crescimento da legenda, avalia especialista

Cientista alega que aumento das bancadas na Alego e na Câmara dos Deputados não é resultado “tr...
Primeira versão de carta de Flávio Bolsonaro trazia brasão antigo do Brasil

"Presidente eleito"

Primeira versão de carta de Flávio Bolsonaro trazia brasão antigo do Brasil

Flávio Bolsonaro corrige brasão de carta após erro na identificação oficial do Brasil