quinta-feira, 13 de agosto de 2026
análise

“Lei do Mais Forte”: estrategista político vê arbitrariedade em ofensiva dos EUA contra a Venezuela e alerta para risco global

Analise sob captura de Nicolás Maduro sem respaldo jurídico internacional inaugura um precedente perigoso nas relações internacionais dos EUA

Anna Salgadopor Anna Salgado em
EUA aumentam recompensa para US$ 50 milhões pela captura de Maduro
Foto: Wikimedia Commons

A ofensiva militar de larga escala realizada pelos EUA contra a Venezuela na madrugada de 3 de janeiro de 2026, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, foi classificada pelo estrategista político Marcos Marinho como uma ação “extremamente complexa” e “completamente arbitrária”. Para o especialista, o evento marca o retorno das relações internacionais ao patamar da “lei do mais forte”, onde normas jurídicas e soberanias nacionais são ignoradas pelo poderio bélico.

Abaixo, os principais pontos da análise de Marinho sobre o impacto global e regional da operação dos EUA:

Marcos Marinho define o episódio não como uma missão de libertação, mas como uma situação em que dois autocratas se enfrentam, com um sobrepujando o outro pela força. Ele argumenta que a justificativa de combate ao narcoterrorismo usada por Donald Trump foi uma construção para validar o que ele descreve como o sequestro de um presidente, uma vez que a ação não possui amparo em cortes internacionais ou no Direito Internacional. “Não dá para acreditar que essa atuação de Trump de fato tem embasamento e uma preocupação com relação à democracia da Venezuela e ao povo venezuelano. Isso não faz nem sentido”, afirma o estrategista.

Uma das maiores preocupações levantadas pelo analista é a falta de planejamento para o pós-operação. Marinho ressalta que intervenções abruptas como essa não preparam o terreno para a reorganização democrática e podem mergulhar a região no caos.

  • Crise Humanitária: O especialista alerta para uma possível debandada massiva de venezuelanos, agravando a crise migratória já existente na América Latina.
  • Insegurança Interna: Questiona-se como funcionarão as instituições venezuelanas e qual segurança o povo terá após o bombardeio e a retirada forçada de sua liderança.

Comparando a incursão à Guerra do Iraque, Marinho sugere que as motivações declaradas são falaciosas e escondem interesses pessoais e estratégicos dos EUA, especificamente o controle das reservas de petróleo venezuelanas. Ele destaca que, embora Trump se apresente como um “guerreiro da liberdade”, a ação visa garantir benefícios para os Estados Unidos em solo vizinho. O próprio Trump confirmou que os EUA manterão um “forte envolvimento” com a indústria petrolífera da Venezuela após a operação.

Sobre a reação brasileira, Marinho prevê que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva não adotará uma postura agressiva contra Washington, mantendo a tradição de diálogo e consertação da diplomacia brasileira.

  • Limitações Reais: O analista pontua que o Brasil não possui competência ou condição de enfrentar os EUA de forma contundente, especialmente após tensões comerciais recentes que foram contornadas com dificuldade.
  • Cautela Estratégica: A análise coincide com as ações do Planalto, que convocou reuniões de emergência para avaliar a base legal da captura antes de emitir um posicionamento definitivo, embora Lula já tenha classificado o ataque como uma “afronta gravíssima”.

Para o estrategista, a mensagem enviada por Trump é clara: tratados e pactos internacionais não serão respeitados se obstaculizarem a vontade americana. Marinho alerta que outros países devem acender o sinal de alerta, pois a justificativa usada hoje contra a Venezuela pode ser adaptada para qualquer outra nação amanhã. “Acreditar que eles vão salvar a humanidade, isso é balela para filme da Sessão da Tarde”, conclui.

A operação, acompanhada por Trump como se fosse um “programa de TV”, agora coloca a comunidade internacional diante do desafio de repensar como se defender e como reagir a um cenário onde a força militar substitui permanentemente a diplomacia.

 

Leia mais: Goiânia em alerta: Defesa Civil emite aviso sonoro para risco de enxurradas e alagamentos

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