Kiwi entra no radar contra a constipação crônica persistente
Estudos mostram que a fruta pode melhorar o funcionamento intestinal quando o problema se prolonga
Por décadas, a constipação crônica foi tratada como um incômodo pontual, resolvido com orientações genéricas. Evidências recentes mostram que, quando o intestino preso se torna persistente, os impactos extrapolam o sistema digestivo e atingem sono, humor, produtividade e qualidade de vida. Em resposta, a Associação Britânica de Nutricionistas e Dietistas publicou, em outubro, a primeira diretriz alimentar específica para constipação crônica, baseada na análise de 75 estudos clínicos.
O documento rompe com a recomendação vaga de “comer mais fibras” e passa a indicar quais estratégias apresentam benefício comprovado, em doses e frequência definidas. A diretriz reconhece que diferentes fibras atuam de formas distintas no organismo e que algumas, amplamente difundidas, têm efeito limitado em quadros persistentes.
O que dizem as novas evidências sobre constipação crônica
O principal destaque é o psyllium, fibra solúvel considerada referência no manejo da constipação crônica. Os estudos apontam melhora consistente quando o consumo atinge ao menos 10 gramas por dia, de forma contínua. A substância forma um gel no intestino, aumenta o volume das fezes e reduz o esforço evacuatório.
Entre os alimentos in natura, o kiwi aparece com resultados robustos. O consumo de duas unidades diárias por quatro semanas foi associado à melhora da frequência intestinal e da consistência das fezes, com boa tolerância e baixo risco de efeitos adversos. Em parte das análises, o efeito foi comparável ao do psyllium em pessoas com constipação crônica.
O magnésio também ganha espaço. Ensaios clínicos mostram que óxido de magnésio e águas minerais ricas no nutriente favorecem o trânsito intestinal por efeito osmótico, atraindo água para o intestino e facilitando a evacuação. Já fibras como a inulina apresentaram menor eficácia e maior incidência de gases e distensão abdominal.
As diretrizes reforçam que a constipação crônica não se resolve apenas com ajustes alimentares. Atividade física regular, sono adequado e redução do consumo de ultraprocessados seguem sendo fatores centrais. Em quadros persistentes, a orientação especializada é apontada como essencial para individualizar condutas e evitar abordagens ineficazes, colocando a saúde intestinal no centro do cuidado.
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