5º pior prefeito do País, Mabel promete obras e enfrenta cobrança por entregas em Goiânia
Viadutos na Perimetral Norte, Marginal Botafogo e Goiás Norte estão entre as promessas para 2026
Após um primeiro ano marcado mais por planejamento, reorganização administrativa e retomada de obras antigas do que por novas entregas, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), afirma que 2026 será o período em que a cidade começará a ver, de fato, os projetos concebidos por sua gestão saírem do papel.
O discurso, repetido ao longo de 2025, agora enfrenta um desafio central: provar que os anúncios não ficarão restritos ao campo das intenções.
A gestão tem um problema de aprovação pública. De acordo com pesquisa AtlasIntel, Mabel é o quinto pior prefeito do Brasil entre as capitais, com apenas 38% de aprovação. A reprovação da gestão chega a 47%. Dos 2.675 entrevistados em Goiânia entre os dias 6 de outubro e 5 de dezembro de 2025, 15% não souberam responder.
Mabel aparece empatado com o 23º colocado, Sebastião Melo (MDB), de Porto Alegre (RS), e à frente apenas de Álvaro Damião (UB), de Belo Horizonte (MG), David Almeida (Avante), de Manaus (AM), e Adriane Lopes (PP), de Campo Grande (MS).
Quando o assunto é a avaliação da administração Mabel, só 19% disseram que a gestão é boa ou ótima. 56% veem o primeiro ano do prefeito como regular e 26% como ruim ou péssimo. A pesquisa AtlasIntel tem nível de confiança de 95% e margem de erro para os dados coletados em Goiânia de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Feita por meio de recrutamento digital aleatório, o levantamento ouviu 82.781 pessoas adultas em todas as capitais brasileiras.
Durante o primeiro ano de mandato, a administração municipal concentrou esforços na finalização ou reativação de empreendimentos iniciados por gestões anteriores. A justificativa apresentada pelo prefeito foi a ausência de projetos executivos e o desequilíbrio financeiro herdado, fatores que, segundo ele, impediram o início imediato de novas obras estruturantes.
Obras herdadas dominaram 2025
Em 2025, a maior parte das intervenções em andamento não nasceu na atual gestão. A prefeitura retomou obras paralisadas há anos, algumas delas iniciadas ainda durante administrações passadas, como a canalização da Marginal Cascavel. A obra, iniciada em 2013 e com apenas 6% de execução até ser interrompida, voltou ao cronograma por risco de devolução de recursos federais.
Situação semelhante ocorre na Marginal Botafogo, onde a gestão trabalha com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e busca complementação financeira junto à Caixa Econômica Federal. Embora os projetos sejam considerados estratégicos, eles ainda avançam de forma gradual e dependem de financiamentos vultosos para sair da fase inicial.
Além disso, o viaduto da Avenida Leste sobre a Avenida Castelo Branco, iniciado na gestão anterior, só foi retomado em setembro de 2025. A obra, que deveria ter sido entregue no início deste ano, teve o prazo estendido e segue como exemplo de atraso crônico em projetos viários da Capital.
Promessas para 2026 colocam gestão sob pressão
Para 2026, Mabel promete iniciar ao menos sete obras de grande porte. Entre elas estão novos viadutos em pontos críticos da cidade, como o cruzamento da Marginal Botafogo com a Avenida Goiás Norte, além de intervenções ao longo da Perimetral Norte para melhorar a fluidez do tráfego urbano.
O prefeito também incluiu no pacote de promessas a continuidade das obras nas marginais Cascavel e Botafogo, a extensão da Avenida Goiás Norte até a GO-070 e o início do trecho 1 do BRT Norte-Sul. No entanto, parte desses projetos ainda se encontra em fase de licitação, elaboração técnica ou busca por financiamento internacional, o que levanta dúvidas sobre a capacidade de execução dentro do prazo anunciado.
Apesar do discurso otimista, a própria gestão admite que a liberação dos recursos será determinante para definir quais obras, de fato, sairão do papel. O investimento estimado gira em torno de R$ 1 bilhão, valor considerado elevado diante do histórico financeiro recente do município.
A atual administração defende que priorizou o planejamento técnico para evitar obras inacabadas, problema recorrente em Goiânia. Nesse contexto, foi sancionada uma lei que determina a conclusão de obras em andamento antes do início de novos projetos. A medida busca eficiência, mas também reforça a percepção de lentidão nas entregas.
Apesar disso, o prefeito vetou um trecho da legislação que obrigaria a divulgação anual de um plano detalhado de execução de obras, o que gerou críticas sobre transparência e controle social.
Cidade cobra resultados concretos
Com a base política fortalecida na Câmara Municipal, Mabel chega a 2026 com menos obstáculos legislativos, mas com maior pressão popular. A população, que convive há anos com obras inacabadas, vias congestionadas e problemas estruturais, espera que o segundo ano de gestão tenha maior efeito e sucesso.
O desafio da prefeitura será transformar projetos, financiamentos e discursos em canteiros de obras ativos e entregas efetivas. Caso contrário, 2026 corre o risco de repetir o roteiro de promessas adiadas, mantendo Goiânia à espera de intervenções que há décadas não se concluem.
Além das grandes obras viárias, a gestão municipal também cita investimentos em áreas como saúde e infraestrutura urbana básica, incluindo unidades de pronto atendimento, Centros de Atendimento Integral à Saúde (Cais) e melhorias na drenagem em regiões historicamente afetadas por alagamentos.
No entanto, até o momento, a maioria dessas ações permanece restrita à fase de projetos ou anúncios. A cobrança que se impõe à administração é clara: transformar planejamento em execução e garantir que 2026 não seja apenas mais um ano de expectativas, mas de resultados concretos para a população de Goiânia.
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