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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Dados do Censo

Estudo aponta mais de 300 mil idosos com TEA no país

Dados do Censo 2022 revelam que brasileiros com 60 anos ou mais se declaram no espectro autista, um grupo invisibilizado pelas políticas públicas e pela própria medicina

Luana Avelarpor Luana Avelar em 5 de janeiro de 2026
tea
Foto: iStock

O autismo é uma condição que acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida, mas no Brasil segue fortemente associado à infância. Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que essa percepção ignora uma parcela da população: pessoas idosas que vivem no espectro. A prevalência autodeclarada de TEA no envelhecimento entre brasileiros com 60 anos ou mais é de 0,86%, o que representa cerca de 306.836 indivíduos.

A taxa é ligeiramente maior entre homens, com 0,94%, enquanto entre mulheres o índice é de 0,81%. A análise foi conduzida pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a partir dos dados do IBGE, e reforça a dimensão ainda pouco visível do transtorno na velhice.

TEA no envelhecimento e lacunas na saúde pública

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, cerca de 70 milhões de pessoas no mundo vivem com algum grau de autismo. Apesar disso, o conhecimento científico sobre TEA no envelhecimento permanece limitado. Pessoas idosas no espectro tendem a apresentar maior prevalência de ansiedade, depressão, doenças cardiovasculares e disfunções metabólicas, além de risco aumentado de declínio cognitivo.

Dificuldades de comunicação, rigidez comportamental e sobrecarga sensorial também afetam o acesso aos serviços de saúde. Na prática, essas barreiras contribuem para diagnósticos tardios e acompanhamento inadequado, ampliando desigualdades já presentes no envelhecimento.

Diagnóstico tardio e reconhecimento

A identificação do transtorno em idosos é complexa. Sintomas como isolamento social e inflexibilidade costumam ser confundidos com depressão, ansiedade ou demência. Ainda assim, quando o diagnóstico chega, ele frequentemente é recebido como alívio. Para muitos, oferece uma explicação tardia para vivências acumuladas ao longo da vida.

O mapeamento da prevalência de TEA no envelhecimento é, portanto, um passo decisivo. Ele permite compreender necessidades específicas, orientar políticas públicas e romper com a invisibilidade de uma população que envelhece fora do radar institucional.

Leia também: https://ohoje.com/2025/12/21/justica-determina-apoio-escolar-crianca-tea/

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