quinta-feira, 24 de setembro de 2026
podas irregulares

Poda de árvores em Aparecida geram impasse entre política ambiental e a Equatorial

Fiscalização municipal identificou podas consideradas irregulares na arborização urbana durante ações de livramento da rede elétrica

Anna Salgadopor em
poda
Foto: Divulgação/Prefeitura Aparecida de Goiânia

A política ambiental de Aparecida de Goiânia entrou em rota de colisão com a concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica no Estado. No último domingo (4), uma operação conjunta da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), da Secretaria de Segurança Pública e da Guarda Civil Municipal (GCM) resultou na apreensão de dois caminhões que prestavam serviço à Equatorial Goiás.  A medida foi adotada após fiscais municipais constatarem podas consideradas excessivas na arborização urbana, classificadas pela administração como mutilações de árvores, e não como podas de manutenção ou de segurança.

A ação ocorreu na Rua 49, no Bairro Independência, onde equipes da concessionária realizavam as podas consideradas irregulares. Segundo a secretária municipal de Meio Ambiente, Pollyana Borges, as árvores estavam sendo reduzidas praticamente ao tronco, extrapolando os limites técnicos para o livramento da fiação elétrica. 

De acordo com ela, as intervenções comprometeram a estrutura das árvores e não se limitaram à retirada de galhos que ofereciam risco à rede. Um dos casos citados foi o de uma mangueira de grande porte na Rua 11 de Maio, que teria sido completamente desfigurada.

Segundo a prefeitura, as apreensões são resultado de uma investigação iniciada no final de 2025, após denúncias de moradores feitas logo após o feriado de Natal. No dia 28 de dezembro, equipes da Equatorial foram vistas em frente à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) realizando cortes em jacarandás que, segundo a Semma, não tocavam a fiação elétrica. Na ocasião, os trabalhadores deixaram o local antes da chegada da fiscalização.

Ainda conforme o levantamento do município, o mesmo padrão foi identificado no primeiro dia de 2026 no entorno do Estádio Municipal Annibal Batista de Toledo, onde ipês sofreram cortes considerados desnecessários. Também foram registrados danos à arborização no Parque Lafaiete Campos e ao longo da Avenida Independência, no Setor Serra Dourada.

Pollyana Borges afirmou que a concessionária estaria atuando sem licença ambiental emitida pela Semma. Segundo ela, a Equatorial solicitou autorização no ano passado, mas o documento ainda não foi concedido. A secretária informou que a fiscalização segue em andamento e que um levantamento técnico está sendo realizado para identificar a quantidade de árvores afetadas, com danos confirmados nos bairros Independência, Serra Dourada e Centro.

De acordo com a secretária, o valor da multa será definido a partir do número de árvores identificadas como mutiladas, das espécies atingidas e também da situação dos resíduos deixados após os cortes. Ela ressaltou ainda que o município poderá exigir medidas de compensação ambiental, incluindo o replantio, uma vez que, segundo a avaliação técnica da Semma, a forma como muitas árvores foram podadas compromete sua recuperação, tornando necessária a substituição.

Pollyana destacou que, caso a licença ambiental venha a ser liberada futuramente, o documento estabelecerá critérios técnicos rígidos, com definição clara dos limites de corte e da metodologia adequada para a poda de livramento, parâmetros que, segundo ela, não foram observados nas ações recentes.

Lado da concessionária sobre as podas

Procurada, a Equatorial Goiás se manifestou informando que a responsabilidade pela poda de árvores em vias públicas é das prefeituras e, em áreas particulares, dos moradores ou proprietários. Ainda assim, segundo a concessionária, a empresa atua de forma preventiva e corretiva, dentro de critérios técnicos, com o objetivo de garantir a segurança da população e a confiabilidade do fornecimento de energia elétrica. 

A Equatorial afirmou que possui autorização dos órgãos ambientais competentes e que conta com equipes próprias e empresas parceiras treinadas para executar ações de livramento da rede e controle de riscos.

A concessionária informou que tomou conhecimento da ação da prefeitura de Aparecida de Goiânia no domingo (4) e que analisa tecnicamente as informações disponíveis, dentro de suas atribuições legais e operacionais. A empresa destacou ainda que mantém ações permanentes de manutenção e gestão de riscos relacionados à vegetação, intensificadas no período chuvoso, seguindo critérios técnicos e regulatórios do setor elétrico, com o objetivo de garantir a segurança da população e a qualidade do serviço.

O impasse em Aparecida ocorre em meio a reclamações semelhantes em outros municípios goianos. Em novembro de 2025, moradores do Setor Oeste, em Goiânia, relataram podas consideradas excessivas. Na Capital, a Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) passou a discutir a atualização dos critérios técnicos por meio de um novo termo de cooperação, visando evitar intervenções classificadas como “excessivamente drásticas”.

Enquanto em Goiânia se debate a exigência de autorização prévia para cada corte, salvo em situações emergenciais, em Aparecida a prefeitura optou pela aplicação de multa e apreensão de maquinário. A Semma afirma que a autorização concedida à concessionária se restringe à poda de livramento abaixo da fiação, não à mutilação completa das árvores quando não há interferência direta na rede elétrica. O valor da multa será divulgado, após a conclusão do relatório técnico dos fiscais.

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