Podcast Manda Vê estreia o ano ouvindo a história de Bella Alencar
Entre memória, trabalho e palco, artista goiana revisita os caminhos que moldaram sua carreira
Na última segunda-feira (5), o podcast Manda Vê abriu a temporada de 2026 com um episódio dedicado a ouvir a trajetória de Bella Alencar. Apresentado por Juan Allaesse, o programa recebeu a cantora goiana em uma conversa que atravessou infância, rotina profissional, memória afetiva e os efeitos recentes da exposição digital. O episódio apostou no registro biográfico e no relato de bastidores para compreender a artista para além dos vídeos que a projetaram nacionalmente.
Aos 21 anos, Bella Alencar, nome artístico de Isabella Alencar Reis, carrega uma relação precoce com a música. Criada em um ambiente familiar em que a prática artística era cotidiana, começou a cantar aos três anos de idade, ainda sem finalidade profissional. No podcast, esse período inicial é apresentado como parte de um processo contínuo de formação, anterior à exposição pública. A definição da música como atividade central ocorre mais tarde, durante a participação no The Voice Kids, exibido em rede nacional, quando a cantora passa a reconhecer o canto não apenas como habilidade, mas como caminho de trabalho.
A passagem pelo programa, aos 12 anos, é recuperada no episódio como experiência formativa. Ao interpretar “Que Sorte a Nossa”, da dupla Matheus e Kauan, Bella teve a cadeira virada por Ivete Sangalo. Eliminada ainda na primeira fase da competição, em 2017, ela descreve o momento como o primeiro contato com um palco de grande escala. Mais do que o resultado, permanecem a memória da exposição nacional, a reação da família e o aprendizado nos bastidores, elementos que, segundo o relato, ajudaram a sedimentar a decisão de seguir na carreira artística.
Radicada em Goiânia, Bella Alencar concilia a agenda de shows com a formação acadêmica em música. No podcast, essa organização aparece como parte estrutural da rotina. A carga de trabalho aumenta nos períodos de maior demanda do setor, sobretudo no fim do ano, quando as apresentações se concentram. Em dezembro passado, a cantora passou a véspera de Natal em família, mas trabalhou no dia 25.
O episódio também contextualiza a circulação recente de vídeos gravados em bares e botecos de Goiás, responsáveis por ampliar a visibilidade da artista. Registradas fora de ambientes formais de show, as gravações apresentam uma intérprete habituada ao contato direto com o público, sem intermediação de grandes produções. Um dos vídeos mais assistidos traz a interpretação de “Todo Mundo Menos Eu”, sucesso de Hugo & Guilherme com participação de Ana Castela, alcançando milhões de visualizações nas plataformas digitais.
No podcast, esse material não é tratado como ruptura estética nem como ponto de reinvenção de imagem, mas como continuidade de um modo de atuação já presente na trajetória da cantora. A exposição digital surge, assim, como consequência de um percurso anterior, sustentado por repertório, preparo técnico e frequência de palco.
Leia também: https://ohoje.com/2025/12/09/historia-de-juciel-costta/
A conversa avança ainda sobre experiências paralelas à música. Em 2024, Bella participou do DVD “Pétala”, do cantor Amado Batista, interpretando ao seu lado a canção “Como Antigamente”. O registro da parceria ultrapassou milhões de visualizações no YouTube e ampliou a inserção da jovem cantora em um circuito mais amplo da música popular. No mesmo ano, ela atuou no filme “São Miguel Arcanjo – Santuário de Batalha”, gravado nas obras da nova Basílica de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia.
Apesar da atuação em diferentes frentes, o episódio deixa claro que a música permanece como eixo central do projeto artístico. A experiência como atriz e modelo aparece como extensão, não como deslocamento. Bella descreve o palco como espaço de troca direta, em que a performance ganha sentido na relação imediata com o público. Essa centralidade se reflete na preparação técnica contínua, que inclui aulas de canto, dança, teatro e instrumentos musicais, incorporadas à rotina como parte do ofício.
Ao abrir a temporada de 2026, o podcast Manda Vê reafirma uma proposta editorial baseada na escuta e na contextualização. No caso de Bella Alencar, o episódio desloca o foco do impacto imediato das visualizações para um percurso construído ao longo do tempo, marcado por trabalho constante e por decisões assumidas cedo, mas continuamente revisitadas. O episódio completo está disponível no canal oficial do podcast no YouTube.

Leia também: https://ohoje.com/2025/12/16/alexandre-melo-inicio/