terça-feira, 6 de outubro de 2026
Ida para o PRD

Bruno Peixoto precisa de um partido para chamar de seu: o PRD

Ao articular ida para o PRD e assumir o comando da federação com o Solidariedade em Goiás, presidente da Alego busca autonomia política, amplia poder de negociação e se posicionar como peça-chave na disputa de 2026

Bruno Goulartpor em
Bruno Peixoto precisa de um partido para chamar de seu: o PRD
Bruno Peixoto deve se filiar ao PRD durante a janela partidária, entre março e abril deste ano. Foto: Will Rosa/Alego

Bruno Goulart

A movimentação do presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (UB), rumo ao PRD vai além de uma simples troca de legenda. Nos bastidores, o gesto é interpretado como parte de um reposicionamento estratégico de médio e longo prazo que tem como pano de fundo a necessidade de ganhar autonomia, ampliar poder de barganha e deixar de ser apenas um quadro subordinado às decisões do União Brasil, comandado pelo governador Ronaldo Caiado.

Costurado ao longo de meses e acelerado nas últimas semanas de 2025, o acordo prevê que Bruno assuma, ainda em janeiro, a presidência estadual da federação Renovação Solidária, formada pelo PRD e pelo Solidariedade (SD). A formalização deve ocorrer no dia 13, em Brasília, durante reunião com a cúpula nacional das duas siglas. A filiação oficial ao PRD, porém, ficará para a janela partidária, entre março e abril.

Enquanto isso, Bruno deve se valer de uma brecha permitida pela legislação para comandar a comissão provisória do PRD em Goiás sem infringir a fidelidade partidária. O presidente da Alego substituirá a deputada federal Magda Mofatto, que esteve à frente do partido no Estado por pouco mais de dois anos e já foi comunicada da mudança.

Bruno quer mais poder de negociação

Para o cientista político Lehninger Mota, a decisão reflete o novo patamar alcançado por Bruno Peixoto após chegar à presidência da Alego. “O Bruno ganhou muita proporção ao ser presidente da Assembleia. Está executando um orçamento muito grande, com muitos cargos comissionados, e hoje tem um apoio político muito grande na sua pré-candidatura a deputado federal”, avalia. Segundo Mota, o acúmulo de poder e alianças cria uma demanda natural por independência partidária.

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Nesse sentido, permanecer no União Brasil significaria continuar sob a tutela direta do governador. “Hoje ele está no União Brasil e depende do governador Ronaldo Caiado. Para ter essa independência e tentar alguma coisa maior, ele precisa de um partido para chamar de seu”, afirma o cientista político. A mudança, portanto, amplia o raio de ação do presidente da Alego no xadrez político estadual.

Além disso, a leitura é de que Bruno passa a se colocar como um “fiel da balança” nas articulações de 2026. “Quando ele muda de partido, aumenta a possibilidade de negociar se vai apoiar Daniel Vilela, Marconi ou Wilder. Ele deixa de estar em um partido onde quem dá as cartas é o governador e você só obedece”, diz o cientista político. No limite, o movimento também abre espaço para voos mais altos, como uma candidatura ao Senado, à vice-governadoria ou até ao governo.

Fortalece projeto eleitoral

Do ponto de vista do marketing político, a avaliação é igualmente positiva. Para o especialista Felipe Fulquim, assumir o controle de uma federação com musculatura nacional fortalece o projeto eleitoral de Bruno. “Eu vejo como positiva essa proposta de assumir a federação e montar uma chapa competitiva. Ele vai com a ideia de buscar cadeira de deputado federal, manter a maioria da base do atual governador e fortalecer ainda mais a candidatura da base que tem o vice Daniel Vilela”, afirma.

Fulquim destaca ainda que o PRD oferece condições práticas importantes para a disputa. “Ele terá muito mais autonomia em um partido que tem boa participação no Fundo Eleitoral e grande representatividade na Câmara dos Deputados. Estar nesse partido, neste momento, é estratégico para se viabilizar como deputado federal”, analisa. Na avaliação do especialista, o trabalho de base feito por Bruno junto a deputados estaduais tende a produzir efeitos diretos nas urnas. “Acredito que ele é um candidato muito forte”, resume. (Especial para O HOJE)

 

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Bruno Peixoto filiação PRD

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