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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Importante

Mudança nas matrículas reacende debate sobre vagas nos CMEIs em Goiânia

Secretaria Municipal de Educação nega falhas graves no sistema e explica novos critérios de distribuição

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 9 de janeiro de 2026
Matrículas
Jackson Rodrigues/Prefeitura de Goiânia

Mães e pais de Goiânia relataram dificuldades para garantir vagas para os filhos nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) da rede municipal. Segundo as famílias, instabilidades no sistema de matrículas, registradas na terça-feira (6), teriam resultado em crianças sem atendimento e em falta de informações claras sobre para onde elas seriam encaminhadas. Os relatos reacenderam o debate sobre a capacidade da rede pública e o impacto da terceirização de vagas na educação infantil.

De acordo com os responsáveis, mesmo após cumprir todas as etapas exigidas, como o cadastro antecipado e a solicitação dentro do prazo, muitas famílias receberam mensagens indicando “fila de espera” ou não conseguiram confirmar se as crianças permaneceriam em CMEIs públicos ou seriam direcionadas para unidades conveniadas. Além disso, há queixas sobre dificuldade de atendimento presencial nas unidades e ausência de orientações objetivas.

Como funciona o sistema de matrículas

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A Secretaria Municipal de Educação (SME) esclarece que o processos das matrículas da educação infantil ocorre exclusivamente de forma on-line, por meio do site oficial da pasta. Inicialmente, as famílias realizam um cadastro antecipado. Em seguida, solicitam a vaga, indicam as unidades de preferência e enviam a documentação necessária para análise.

Segundo a SME, diferentemente de anos anteriores, o sistema não distribui vagas por ordem de acesso. A classificação ocorre após a análise dos critérios de prioridade estabelecidos em portaria, como situação de vulnerabilidade socioeconômica, participação em programas sociais, crianças com deficiência, mães solo e vítimas de violência doméstica. A lista com os nomes das crianças contempladas será divulgada no dia 16 de janeiro, às 18h.

A secretaria nega que o sistema tenha travado. Conforme a pasta, houve apenas uma lentidão momentânea nos primeiros 40 minutos de acesso, considerada dentro do esperado diante do grande volume simultâneo de usuários. As mensagens de “fila de espera”, segundo a SME, resultaram de um erro técnico já corrigido.

Paralelamente às reclamações, a educação infantil de Goiânia passa por um processo de reestruturação que inclui a ampliação de parcerias com Organizações da Sociedade Civil (OSCs). Em julho de 2025, a prefeitura publicou uma portaria que credencia entidades privadas para administrar CMEIs e adquirir vagas em escolas conveniadas, com o objetivo de reduzir o déficit histórico na oferta de creches e pré-escolas.

Atualmente, a rede municipal conta não apenas com CMEIs próprios, mas também com Centros de Educação Infantil (CEIs) e escolas conveniadas. Três instituições privadas já foram autorizadas a ofertar vagas em tempo integral para crianças de 6 meses a 5 anos e 11 meses, especialmente em situação de vulnerabilidade. O credenciamento tem validade de cinco anos e os repasses por aluno variam conforme a faixa etária e a carga horária.

Para a prefeitura, a terceirização representa uma alternativa para ampliar o atendimento de forma mais ágil. Já sindicatos, parlamentares e especialistas criticam o modelo, alegando risco de precarização, perda de controle social e transferência de uma responsabilidade constitucional do poder público para entidades privadas.

Problema pontual ou falha estrutural?

A apuração indica que as reclamações se concentram principalmente na educação infantil, etapa que historicamente enfrenta maior déficit de vagas. A SME afirma que ainda não existe uma lista definitiva de espera e, por isso, não é possível afirmar que famílias tenham sido prejudicadas pelo acesso inicial ao sistema. A pasta reforça que a “corrida por vagas” deixou de existir e que o novo modelo busca justiça social.

Por outro lado, os relatos revelam insegurança entre os pais, especialmente quanto ao destino das crianças e à capacidade das unidades conveniadas de absorver toda a demanda. Especialistas apontam que a combinação entre alta procura, mudanças recentes no sistema e expansão da terceirização pode gerar falhas de comunicação, mesmo que o modelo esteja legalmente estruturado.

A prefeitura informou que oferecerá 36.744 vagas para estudantes novatos em 2026, sendo 18.688 destinadas à educação infantil. Enquanto isso, famílias aguardam a divulgação oficial das listas para saber se conseguirão atendimento.

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