CRISE

Protestos no Irã somam mais de 500 mortos e atraem atenção dos EUA e Israel

Protestos no Irã escalam, elevam tensão regional e levam EUA e Israel a discutir cenários sob ameaças e acusações

Lalice Fernandespor em
irã
Foto: Divulgação/ Khamenei.ir - Casa Branca

Autoridades dos Estados Unidos e de Israel passaram a discutir cenários envolvendo o Irã em meio à intensificação dos protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. Segundo o G1 com informações da agência Reuters, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, conversou por telefone no sábado (10) com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre a possibilidade de uma intervenção. A conversa ocorreu enquanto o governo iraniano enfrenta a maior mobilização popular desde 2022.

Segundo o grupo iraniano de direitos humanos HRANA, sediado nos EUA, 538 pessoas morreram e mais de 10.670 foram detidas. A organização registrou protestos em 512 locais de 180 cidades.

Manifestações contra governo tiveram início em 2025

As manifestações começaram no fim de 2025 e se espalharam rapidamente por dezenas de cidades, com aumento da violência nos confrontos. Ainda segundo a agência, fontes israelenses relataram que Israel entrou em alerta máximo diante da possibilidade de uma ação dos EUA. No mesmo dia, o presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a ameaçar Teerã ao afirmar que o Irã estaria “buscando a liberdade” e que os EUA estão “prontos para ajudar”.

Veículos da imprensa dos EUA indicam que o governo avalia diferentes caminhos. O The New York Times informou que Trump recebeu de integrantes de sua equipe opções para um eventual ataque militar. Já o Axios apontou que o presidente também considera alternativas para apoiar os manifestantes iranianos.

PROTESTOS
Foto: Divulgação/ Casa Branca

Israel está “monitorando” os protestos

A resposta de Teerã foi imediata. Neste domingo (11), o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou os EUA e Israel de “semear caos e desordem” no país. O governo iraniano também ameaçou retaliar contra Israel e contra bases militares norte-americanas caso o Irã seja alvo de um bombardeio. Autoridades do regime afirmam que “mercenários” estrangeiros estariam envolvidos nos protestos.

Ainda, também no domingo, Netanyahu afirmou estar monitorando os protestos iranianos.  “As manifestações pela liberdade se espalharam por todo o país. O povo de Israel, e na verdade o mundo inteiro, está maravilhado com a imensa bravura dos cidadãos do Irã”, declarou o premiê em sua reunião de gabinete. Segundo o israelense:  “todos nós esperamos que a nação persa seja libertada em breve do jugo da tirania”.

protestos
Foto: Reprodução

Nível dos confrontos se intensificaram

O discurso interno se tornou mais duro. O chefe da polícia iraniana declarou que “o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”. Pezeshkian pediu que a população se afaste do que chamou de “terroristas e badernistas”, mas tentou sinalizar abertura ao diálogo ao afirmar que o governo está pronto para “ouvir seu povo” e resolver problemas econômicos.

Na sexta-feira (9), o líder supremo Ali Khamenei afirmou que o regime “não vai recuar”. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”. Ali Larijani, conselheiro de Khamenei e chefe da principal agência de segurança do país, declarou que o Irã está “em plena guerra” e que parte dos episódios teria sido “orquestrada no exterior”. Os EUA reagiram, classificando as acusações como “delirantes”.

A atual onda de protestos ocorre em um contexto de fragilidade política e econômica. O cenário se agravou após conflitos recentes com Israel, perdas de aliados regionais e o restabelecimento de sanções da ONU relacionadas ao programa nuclear, em setembro de 2025.

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