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terça-feira, 13 de janeiro de 2026
EFEITO PORTA

Por que esquecemos o que íamos pegar na geladeira e o que isso diz sobre nossa memória

O mistério do “branco” na cozinha: por que a geladeira apaga seus pensamentos? Entenda agora!

Thais Munizpor Thais Muniz em 13 de janeiro de 2026
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Foto: Reprodução/ChatGPT

Você levanta do sofá decidido a buscar algo na cozinha. No entanto, ao abrir a porta da geladeira, o objetivo desaparece. O fenômeno, que atinge milhares de pessoas diariamente, não é um sinal de esquecimento precoce ou fadiga extrema. Estudos da psicologia cognitiva revelam que o cérebro humano utiliza barreiras físicas, como portas, para gerenciar o fluxo de informações.

O mecanismo, conhecido tecnicamente como “efeito porta” (doorway effect), funciona como um ponto de corte para a mente. Segundo pesquisas da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, o ato de atravessar um batente sinaliza ao cérebro que um “episódio” terminou e outro começou. “Entrar ou sair por uma porta serve como um ‘limite de evento’ na mente, que separa episódios de atividade e os arquiva”, explica o professor de psicologia Gabriel Radvansky, um dos principais pesquisadores do tema.

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Sabe quando você entra num cômodo e esquece instantaneamente o que foi fazer lá? Existe uma explicação para isso

O cérebro e a atualização de contexto

Diferente do que muitos acreditam, a memória não funciona como um gravador contínuo, mas sim em blocos segmentados. Quando mudamos de ambiente, a mente prioriza o cenário atual em vez do anterior para economizar recursos cognitivos. Esse processo de “limpeza” ajuda na adaptação rápida ao novo local, mas pode descartar a intenção original de pegar uma garrafa de água ou um lanche.

A memória de trabalho, responsável por manter informações temporárias, possui capacidade limitada. Ao detectar novos estímulos visuais e sonoros em um cômodo diferente, o cérebro entende que a informação antiga tornou-se irrelevante. De acordo com o mestre em psiquiatria Adiel Rios, “o simples ato de entrar ou sair por uma porta representa uma espécie de limite. Quando você muda de ambiente, muda também o foco de atenção e a lembrança se torna mais difícil”.

Estratégias e exercícios para fortalecer a retenção

Embora o efeito seja uma resposta normal do sistema cognitivo, fatores externos podem intensificar esses “brancos”. O estresse e o excesso de tarefas simultâneas sobrecarregam a capacidade da memória de curto prazo. Quando a mente está focada em múltiplos problemas, a energia para manter uma intenção simples durante o deslocamento diminui. “Se a gente está focado em muitas coisas, a nossa atenção diminui e, consequentemente, a nossa memória recente também”, afirma a psiquiatra Danielle H. Admoni.

Para minimizar o incômodo, especialistas sugerem práticas que reforçam a atenção plena. Manter o foco na tarefa ou até mesmo repetir em voz alta o que deseja buscar antes de mudar de cômodo ajuda a “blindar” a intenção contra o efeito de transição. Além disso, a prática de exercícios cognitivos auxilia na manutenção da agilidade mental:

  • Técnica de visualização: antes de levantar, visualize-se pegando o objeto específico.
  • Recapitulação inversa: se esquecer o objetivo, retorne fisicamente ao local onde a ideia surgiu para reativar o contexto original.
  • Jogos de associação: relacione o item que busca a uma cor ou um número antes de caminhar até a cozinha.

Essas ações reduzem a fragmentação da memória e garantem que o “limite de evento” criado pela porta não apague o propósito da caminhada.

 

 

 

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