Natureza e avanço

Desmatamento do Cerrado cresce no País, mas Goiás reduz perdas de vegetação

Mesmo sendo o bioma mais desmatado do Brasil, Cerrado teve apenas 231 km² de vegetação suprimida no Estado em 2025, frente a 7.235 km² registrados em todo o País

Renata Ferrazpor em
cerrado
Divulgação/Semad

O Cerrado voltou a ocupar o centro do debate ambiental no Brasil. Dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que, em 2025, o bioma foi novamente o mais desmatado do País, superando a Amazônia pelo terceiro ano consecutivo. 

Ao todo, foram 7.235 quilômetros quadrados de vegetação suprimidos em território nacional, número que reforça a pressão crescente sobre o chamado “berço das águas” do Brasil, responsável pela nascente das principais bacias hidrográficas do País.

Apesar da queda percentual em relação a 2024, o volume absoluto de desmatamento no Cerrado ainda é elevado. Especialistas apontam que a principal razão está no avanço da agropecuária, sobretudo em áreas privadas, onde a legislação permite maior supressão vegetal em comparação com a Amazônia. 

A maior parte das perdas se concentra na região do Matopiba, que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, atualmente o principal vetor da expansão da fronteira agrícola no País.

Em meio a esse cenário preocupante, Goiás aparece como um contraponto. Dos mais de 7,2 mil quilômetros quadrados desmatados no Cerrado em todo o Brasil, apenas cerca de 231 quilômetros quadrados foram registrados em território goiano. O número representa uma fração pequena do total nacional e reforça o desempenho proporcionalmente melhor do Estado.

Dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD), da rede MapBiomas, indicam que Goiás foi o Estado que mais reduziu o desmatamento em 2024, com queda de 71,9% nos alertas registrados em relação ao ano anterior. O volume de áreas atingidas também caiu de forma expressiva, atingindo o menor patamar da série histórica monitorada pelo Inpe.

Avanço da agropecuária mantém pressão sobre o Cerrado

Ao jornal O HOJE, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) explicou que o resultado não significa ausência de pressão sobre o bioma, mas reflete uma atuação mais estruturada do poder público. 

“Embora o Cerrado concentre hoje os maiores índices de supressão de vegetação no País, Goiás apresenta um desempenho distinto dentro desse cenário, com redução expressiva do desmatamento e fortalecimento das políticas de controle, monitoramento, diálogo e incentivo à conservação ambiental”, destacou a pasta.

Segundo a Semad, cerca de 57% das áreas desmatadas no Estado passaram por algum tipo de ação fiscalizatória, como embargos, autos de infração e aplicação de multas. Apenas 11% estavam vinculadas a autorizações oficiais de supressão, o que indica que a maior parte do desmate identificado foi considerada irregular ou alvo de sanções administrativas.

Entre os fatores que explicam a redução do desmatamento em Goiás estão o investimento em tecnologia, a modernização da gestão ambiental e a combinação de fiscalização com políticas de incentivo. De acordo com a Semad, o uso de monitoramento por imagens de satélite e a integração de bases de dados permitem identificar rapidamente se uma supressão de vegetação é legal, está em análise ou exige ação imediata do Estado.

Outro avanço citado pela secretária é a agilidade no licenciamento ambiental. “Goiás se tornou o primeiro Estado do Brasil a zerar a fila de processos de licenciamento ambiental, trazendo mais previsibilidade e segurança jurídica. Isso reduz a pressão por desmatamentos irregulares”, informou a pasta.

Além das ações de comando e controle, o governo estadual aposta em políticas de valorização da conservação. O Programa Cerrado em Pé, de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), remunera produtores rurais que mantêm áreas de vegetação nativa preservadas além do exigido por lei. 

Atualmente, mais de 15 mil hectares são protegidos por meio da iniciativa. “Estamos mostrando que é possível produzir e, ao mesmo tempo, cuidar do meio ambiente”, afirmou o governador Ronaldo Caiado ao comentar o programa.

Mesmo com avanços locais, o desafio permanece nacional. Estima-se que cerca de 27% da vegetação original do Cerrado já tenha sido perdida no Brasil. Em Goiás, aproximadamente 35% do bioma ainda permanece preservado, o que reforça a importância de manter e ampliar as ações para garantir que o Estado continue na contramão da devastação.

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