quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Cancelas para conter alagamentos em Goiânia passam por ajustes após avaliação do prefeito

Prefeitura prevê instalação dos equipamentos nos próximos 20 dias como resposta aos alagamentos, enquanto especialistas alertam para impactos no trânsito e defendem soluções estruturais

Renata Ferrazpor em
Cancelas
Alex Malheiros/Prefeitura de Goiânia

A prefeitura de Goiânia deve iniciar nos próximos dias a instalação de cancelas automáticas na Avenida 87 e na Marginal Botafogo, duas das vias que mais registram alagamentos durante os períodos de chuva intensa na Capital. Segundo o prefeito Sandro Mabel (União Brasil), os equipamentos estão em fase final de produção e devem começar a ser implantados ainda neste mês, com previsão de conclusão até o fim de fevereiro.

A proposta da gestão municipal é utilizar totens com cancelas automáticas para interditar as vias sempre que o nível do Córrego Botafogo atingir um patamar considerado inseguro. O objetivo, de acordo com o prefeito, é evitar que motoristas avancem em áreas alagadas, situação recorrente mesmo após a instalação de cones e sinalização móveis.

Tecnologia e funcionamento do sistema das cancelas

De acordo com Mabel, as cancelas contarão com tecnologia capaz de operar mesmo em casos de falta de energia elétrica. Os equipamentos incluem totens digitais com painéis de LED, alarmes sonoros e cinco câmeras de monitoramento integradas a uma central de comando. 

“Aqui dentro tem todo o comando. Não é só fechar e abrir cancela. Se o córrego atingir determinado nível, ela vai fechar sozinha”, explicou o prefeito durante a apresentação do modelo piloto.

A estrutura que vai receber os totens está sendo preparada com rede de internet e Wi-Fi, o que permitirá o envio de imagens em tempo real para a central de monitoramento. Além disso, os painéis vão exibir informações sobre clima e trânsito, alertando os condutores antes da interdição completa da via.

Alterações solicitadas pelo prefeito

Procurada pelo jornalismo do O HOJE, a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) informou que o projeto apresentado passou por ajustes solicitados diretamente pelo prefeito. Segundo a pasta, Mabel pediu “várias alterações”, incluindo mudanças estéticas, como a cor dos equipamentos, além de adequações técnicas.

A SET esclareceu que, por conta dessas mudanças, alguns detalhes ainda não estão sendo divulgados oficialmente. No entanto, confirmou que o prazo informado à imprensa, início das instalações no fim deste mês, segue válido, caso não haja novos ajustes no cronograma.

Outro ponto destacado pela prefeitura é que o sistema não será utilizado apenas durante chuvas fortes. Segundo Mabel, as cancelas também poderão auxiliar em ações de segurança pública. “Ela faz vigilância de carros, pode fazer um cerco policial se precisar. Não é simplesmente para quando estiver chovendo”, afirmou.

A empresa New Line foi anunciada como vencedora do contrato para fornecimento dos equipamentos. A prefeitura ainda não detalhou publicamente o valor total do investimento nem se haverá ampliação do sistema para outras áreas da cidade que enfrentam problemas semelhantes.

Críticas repetidas

Apesar do discurso oficial, a iniciativa tem gerado críticas entre urbanistas. O especialista Fred Le Blue avalia que a solução é paliativa e pode trazer efeitos colaterais significativos para a mobilidade urbana. Para ele, as cancelas até podem reduzir riscos imediatos, mas não resolvem o problema estrutural.

“As cancelas automáticas permitirão um tempo de resposta mais rápido e podem evitar danos, mas vemos novamente promessas de soluções milagrosas. Essa medida tem impacto expressivo no fluxo de trânsito, que já é caótico, especialmente na Avenida 87 e na Marginal Botafogo”, analisa.

Fred alerta que a interdição de vias em horários de pico pode aumentar congestionamentos e até provocar acidentes. “A Defesa Civil vai acionar as cancelas, mas ela não é o órgão responsável pela engenharia de trânsito. Fica a impressão de que será apenas apertar um botão, o que pode gerar situações”, explica.

Para o urbanista, o debate deveria ser mais profundo e envolver o redesenho da cidade. Ele defende, inclusive, que o projeto da Marginal Botafogo seja reavaliado. “Talvez seja mais honesto reconhecer que a Marginal foi um erro. Um parque linear ou uma reforma completa poderia oferecer uma solução mais segura e sustentável”, afirma.

Alternativas mais simples

Fred também sugere alternativas mais simples e econômicas, como cancelas manuais operadas por agentes de trânsito, placas fixas de alerta e investimentos em educação e tecnologia. “Um aplicativo que indique rotas alternativas em tempo real teria efeito muito maior. Conhecer a cidade e distribuir melhor o tráfego pode salvar vidas em períodos chuvosos”, conclui.

Enquanto a prefeitura avança com a instalação das cancelas, o tema segue em debate entre gestores, técnicos e a população, que convive há décadas com os alagamentos e agora observa mais uma tentativa de solução para um problema histórico de Goiânia.

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