Esporotricose avança entre gatos e acende alerta durante férias
Médicos-veterinários alertam sobre cuidados nas férias de verão para evitar a esporotricose transmitida por gatos em crianças e adultos
As férias de verão costumam ampliar o uso de parques, praças e áreas livres por famílias em busca de lazer. No mesmo período, cresce também a circulação de gatos pelas ruas, impulsionada pelo aumento das horas de luz natural, que estimula a atividade reprodutiva desses animais. Esse movimento coincide com um avanço preocupante da esporotricose, uma infecção causada por fungos do gênero Sporothrix spp, que tem afetado gatos em diversas regiões do país.
A doença provoca lesões na pele que permanecem abertas e favorecem novas contaminações. Além de atingir felinos, a esporotricose pode ser transmitida a cães e humanos, o que levou o Ministério da Saúde a tornar a infecção humana de notificação obrigatória em 2025, diante do aumento dos casos.
“A esporotricose é uma doença que exige acompanhamento veterinário e tratamento prolongado, o que representa um grande desafio em muitos municípios brasileiros, especialmente nas áreas com alta circulação de gatos não castrados e com livre acesso às ruas. O tratamento envolve medicação oral diária por vários meses, e a resposta pode variar conforme o estágio da doença e as condições do animal”, explica o médico veterinário Carlos Brunner.
Segundo especialistas, o principal risco está no contato direto com gatos doentes. “No Brasil, a principal forma de transmissão da esporotricose ocorre por trauma ocasionado por mordida e ou arranhão de gatos doentes. Outra forma de transmissão pode ocorrer após trauma com matéria vegetal contaminada, como espinhos de roseiras ou farpas de madeira”, explica a médica veterinária Isabella Dib Gremiao, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz.
Ela destaca que o lazer em áreas abertas não é, por si só, um fator de risco elevado. “O simples contato com solo, areia ou grama, de maneira geral, não representa risco significativo para a aquisição da infecção. Mesmo em áreas urbanas com maior circulação de animais, o lazer em áreas abertas não constitui, por si só, uma via comum de infecção. O principal cuidado deve ser evitar contato direto com gatos doentes, especialmente arranhões, mordidas ou contato com secreções das lesões”, afirma.
Os sinais da doença costumam ser visíveis. “Os sinais clínicos mais comuns incluem lesões (feridas) na pele que não cicatrizam, podendo ser localizadas ou disseminadas. Essas feridas costumam ser exsudativas, com presença de sangue e ou pus e aparecem com maior frequência na face, nariz, orelhas, patas e cauda”, esclarece a pesquisadora.
Avanço tecnológico pode reduzir tempo de tratamento
Um grupo de pesquisadores brasileiros desenvolveu uma técnica experimental que pode reduzir de forma significativa o tempo de tratamento da esporotricose felina. “O tratamento convencional leva muitos meses e chega a custar quase 500 reais, o que torna inviável para os cuidadores de baixa renda e ONGs que atuam recolhendo e cuidando destes animais. Mas graças a técnica que desenvolvemos, os resultados são muito promissores”, relata Brunner.
Segundo ele, os testes preliminares indicam melhora expressiva das lesões em uma ou duas aplicações. “O uso desta técnica, contribui não apenas para salvar a vida destes gatos, mas como uma ferramenta muito importante para a saúde pública”, afirma.
Especialistas reforçam que gatos doentes não devem ser abandonados e que a esporotricose tem cura quando diagnosticada precocemente, sendo o tratamento adequado essencial para reduzir o sofrimento dos animais e interromper a cadeia de transmissão.
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