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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
culpa, comparação e desempenho

Por que buscar equilíbrio tem deixado tanta gente exausta

Levantamento revela que descanso, bem-estar e pausa vêm sendo atravessados por culpa, comparação e desempenho

Luana Avelarpor Luana Avelar em 19 de janeiro de 2026
equilíbrio
Entre telas, prazos e metas invisíveis, o cansaço deixa de ser exceção e passa a compor a rotina. Foto: iStock

Em um cotidiano marcado por jornadas extensas, excesso de estímulos digitais e fronteiras cada vez mais difusas entre trabalho e vida pessoal, o discurso do autocuidado ganhou centralidade. Descansar, alimentar-se bem, praticar exercícios e buscar equilíbrio tornaram-se ideais amplamente difundidos. O paradoxo é que, para muitos brasileiros, esse ideal deixou de representar alívio. Para 61% da população, manter uma rotina equilibrada se transformou em fonte de cobrança.

O dado integra um levantamento nacional realizado pela PiniOn, empresa especializada em pesquisa de mercado e comportamento, que ouviu 1.550 pessoas em todas as regiões do país, de diferentes idades, gêneros e classes sociais. O estudo revela que a cobrança em torno do bem-estar é mais intensa entre mulheres e jovens adultos de 18 a 34 anos, grupos mais expostos à lógica da produtividade contínua e da comparação social.

Entre as mulheres, 54,5% afirmam sentir pressão para manter uma rotina equilibrada, índice superior ao registrado entre os homens, de 50,4%. A diferença sugere que o autocuidado também reproduz desigualdades, ampliando a carga mental em um cotidiano já sobrecarregado.

Embora o discurso do bem-estar esteja disseminado, as práticas associadas a ele não são exceção. Mais da metade dos entrevistados afirma praticar atividade física regularmente; 37% dizem manter alimentação equilibrada; 29,4% cuidam da pele e 15,9% meditam. Ainda assim, esses hábitos nem sempre são vividos como descanso.

Quando o cuidado entra na lógica da performance

Os dados mostram que o autocuidado passou a ser avaliado como tarefa. Para 25,7% dos participantes, há a sensação constante de que é preciso desempenhar bem atividades como exercícios, alimentação saudável ou momentos de pausa; outros 59,6% relatam esse sentimento de forma ocasional. A culpa por não estar produzindo também aparece de maneira recorrente: 21,4% dizem senti-la sempre, e 57,5%, às vezes.

As redes sociais intensificam esse cenário. Instagram (48,1%), TikTok (38%) e YouTube (31,1%) são apontadas como as plataformas que mais reforçam a sensação de obrigação. Entre jovens, o TikTok exerce influência sobre 45%; entre pessoas de 25 a 34 anos, o Instagram alcança 65,4%. Para 39,9% dos entrevistados, práticas de autocuidado são realizadas com foco na exposição, enquanto 39,2% admitem priorizar a aparência em detrimento do bem-estar.

O resultado é a comparação constante: 17,8% afirmam se comparar sempre, e 41,9%, às vezes. Entre os sentimentos associados estão a insegurança (47,6%), ansiedade (42,2%) e angústia (23,7%). O levantamento evidencia um impasse contemporâneo: quando o equilíbrio vira meta e o descanso exige desempenho, o autocuidado deixa de proteger e passa a exaurir.

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