Por que o tempo parece passar mais rápido à medida que envelhecemos
A sensação de que o tempo acelera está ligada à memória, à rotina e à forma como o cérebro registra experiências
A impressão de que o tempo passa mais rápido à medida que envelhecemos é comum e atravessa gerações. Anos que antes pareciam longos passam a escorrer com rapidez, enquanto datas se aproximam sem aviso. Essa sensação não é apenas subjetiva ou fruto de nostalgia: ela tem relação direta com o funcionamento do cérebro, com a forma como organizamos a rotina e com a maneira como a memória registra o que vivemos.
Na infância e na adolescência, tudo é novidade. O cérebro é constantemente estimulado por experiências inéditas, o que exige mais atenção e cria registros mais densos na memória. Quando olhamos para trás, esse acúmulo de lembranças detalhadas dá a sensação de que aquele período durou mais. Já na vida adulta, a repetição se impõe: trajetos iguais, compromissos semelhantes, dias que se parecem. Com menos eventos marcantes, o cérebro “compacta” o tempo.

Memória, rotina e a percepção do tempo
Estudos em psicologia cognitiva indicam que a percepção do tempo está menos ligada ao relógio e mais à quantidade de marcos emocionais armazenados. Quanto menos novidades, menos referências para medir a passagem dos dias. Por isso, semanas rotineiras parecem curtas quando lembradas depois, mesmo que tenham sido cansativas enquanto aconteciam.
Outro fator é proporcional. Para uma criança de dez anos, um ano representa 10% de toda a vida vivida. Para alguém de 50, esse mesmo período equivale a apenas 2%. O cérebro, ainda que não faça esse cálculo de forma consciente, percebe a passagem do tempo em relação ao conjunto da experiência acumulada.
Além disso, a vida adulta costuma ser atravessada por pressa, múltiplas tarefas e atenção fragmentada. Quando estamos sempre focados no próximo compromisso, o presente é vivido de forma menos plena. O resultado é um tempo que parece correr, não porque mudou de ritmo, mas porque passou sem deixar rastros fortes na memória.
Criar novas experiências, variar rotinas e desacelerar a atenção são estratégias que ajudam a “alongar” o tempo vivido. Não se trata de fazê-lo passar mais devagar, mas de torná-lo mais perceptível. Afinal, o tempo pode ser o mesmo — mas a forma como o sentimos muda com a idade e com a maneira como escolhemos habitá-lo.
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