Eleições 2026

Polarização atende a Lula e Bolsonaro e limita alternativas da centro-direita

Analistas apontam que manutenção do confronto direto entre PT e bolsonarismo interessa aos dois polos, enquanto Centrão se fragmenta e segue sem nome competitivo

Bruno Goulartpor em
Polarização atende a Lula e Bolsonaro e limita alternativas da centro-direita
O cenário, segundo analistas, favorece o presidente Lula da Silva (PT), que observa a fragmentação do campo adversário enquanto insiste na manutenção da polarização. Fotos: Tânia Rêgo e Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr

Bruno Goulart

A divisão interna do Centrão e da centro-direita ganhou novos contornos nas últimas semanas e já produz efeitos diretos na corrida presidencial. A combinação entre o desgaste provocado pelo escândalo do Banco Master, que atingiu especialmente lideranças do bloco, e a ausência de um nome competitivo fora do bolsonarismo levou partidos como MDB, parte do PP e o União Brasil a considerar a liberação de suas bancadas e lideranças para apoiar quem julgarem mais conveniente em cada Estado. O cenário, segundo analistas, favorece o presidente Lula da Silva (PT), que observa a fragmentação do campo adversário enquanto insiste na manutenção da polarização.

Nesse contexto, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) surge como peça central de uma estratégia paradoxal: embora não empolgue a centro-direita, mantém vivo o antagonismo com o PT. E isso interessa ao Planalto. Não por acaso, aliados de Lula evitam ataques diretos ao senador.

Lula avança sobre o Centrão

Ao analisar o movimento, o ex-deputado federal e ex-presidente do PSD em Goiás, Vilmar Rocha, avalia, ao O HOJE, que o núcleo do Centrão atualmente está concentrado na federação União Brasil-PP. “O Lula está operando no Centrão, oferecendo cargos e benefícios para dividir o bloco. A candidatura do Flávio cristalizou isso. Mas ela não representa as forças da centro-direita, e sim a família Bolsonaro”, afirma. Para Vilmar, a falta de uma alternativa viável abre caminho para a cooptação. “Como não tem outra candidatura qualificada, facilita para que Lula avance sobre o Centrão. O Flávio não tem qualificação política para representar a centro-direita.”

Leia mais: Lula vê vantagem em enfrentar Flávio Bolsonaro na disputa pelo Planalto 

Além disso, Vilmar destaca que a expectativa em torno do nome do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) esfriou. “Era a grande esperança das forças democráticas de centro. A essa altura, acredito pouco na candidatura dele. O Flávio está num vácuo, sem entusiasmo fora do bolsonarismo radical”, diz.

Mesmo jogo

Na mesma linha, o estrategista político Marcos Marinho avalia à reportagem que a polarização é funcional para ambos os lados. “Todas as pesquisas mostram que o teto do Flávio é baixo, porque ele carrega a rejeição do nome Bolsonaro e a própria rejeição pessoal”, afirma. Segundo Marinho, eleições presidenciais se decidem pela rejeição, especialmente no segundo turno. “Para o Lula, é muito mais seguro enfrentar alguém que você conhece, que já tem rejeição consolidada, do que um nome novo, que pode crescer.”

Marinho aponta ainda que o jogo é de longo prazo. “O Lula quer manter o Flávio para ganhar do Flávio. E o Flávio aceita esse jogo para manter vivo o nome Bolsonaro e se projetar para 2030, quando Lula não estará mais no cenário. Ambos estão jogando o mesmo jogo.”

Para o sociólogo e pesquisador Jones Matos, o favoritismo do atual presidente se apoia também nos indicadores econômicos. “Os dados são positivos, isso é um primeiro ponto. A direita busca uma alternativa, mas segue refém do Bolsonaro, o que leva à pulverização de candidaturas”, analisa. Nesse ambiente, o pragmatismo típico do centro político tende a prevalecer. “Talvez seja mais interessante liberar os partidos nos Estados, o que acaba favorecendo Lula, inclusive com apoios de setores bolsonaristas em legendas mais moderadas.”

Risco eleitoral

Já o cientista político Lehninger Mota destaca que o risco eleitoral afasta Tarcísio do jogo nacional. “Ele conversa melhor com o centro, que decide a eleição. Mas sem garantias de apoio exclusivo do Bolsonaro, o risco de ficar em terceiro lugar é alto. Para Tarcísio, não vale a pena correr esse risco”, afirma.

Enquanto isso, os partidos do Centrão seguem indefinidos. Há movimentos no PP para indicar o senador Ciro Nogueira (PI) como vice de Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que MDB e União Brasil avaliam rachar formalmente. “O MDB ainda não desistiu de ser vice do Lula”, observa Lehninger. Caso isso se concretize, a legenda pode cobrar alinhamento nacional, com reflexos inclusive em disputas estaduais, como em Goiás, que pode fazer com que o vice-governador Daniel Vilela ofereça palanque para Lula, num cenário onde o vice de Lula seja do MDB. (Especial para O HOJE)

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Bolsonaro Lula polarização

Veja também

lula

ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro e Lula vão disputar o segundo turno para presidente

Com 96,78% das seções totalizadas, candidatos do PL e do PT aparecem nas duas primeiras posições...
Veja quem são os 24 deputados distritais eleitos no Distrito Federal

eleições no DF

Veja quem são os 24 deputados distritais eleitos no Distrito Federal

Max Maciel lidera votação para a CLDF, seguido por Eduardo Pedrosa e Chico Vigilante; três atuais...
Confira quem são os oito deputados federais eleitos no DF

Eleições no DF

Confira quem são os oito deputados federais eleitos no DF

Fábio Felix lidera votação histórica e encabeça bancada que terá três representantes do PL e ...
Wilder

ELEIÇÕES 2026

“A democracia é isso: um ganha, outro perde”, diz Wilder após derrota ao Governo de Goiás

Candidato do PL reconheceu a vitória de Daniel Vilela, criticou pesquisas eleitorais e afirmou que ...
sério moro

Eleições 2026 | Paraná

Sergio Moro é eleito governador do Paraná no primeiro turno

Senador pelo estado, candidato do PL disputou o governo contra Sandro Alex e Requião Filho
Eduardo Riedel

Eleições 2026

Eduardo Riedel é reeleito governador de Mato Grosso do Sul no primeiro turno

Candidato do PP recebeu 67,17% dos votos válidos e seguirá no comando do estado por mais quatro an...
Carol do Amiltinho e Fabrício Rosa são os mais votados para a Alego

ELEIÇÕES 2026

Carol do Amiltinho e Fabrício Rosa são os mais votados para a Alego

Com 91,23% dos votos totalizados, Carol aparece na liderança, seguida por Fabrício Rosa na disputa...
Gracinha Caiado

ELEIÇÕES 2026

Gracinha Caiado é eleita senadora por Goiás com 21,58% dos votos

Candidata do União Brasil ficou em segundo lugar na disputa pelas duas vagas de Goiás no Senado, a...