Delcy Rodríguez aceitou cooperação com EUA antes da prisão de Maduro
Jornal britânico aponta que presidente interina prometeu cooperação com os EUA antes da prisão de Maduro
Uma apuração do jornal britânico The Guardian aponta que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e o irmão dela, Jorge Rodríguez, assumiram compromissos de cooperação com o governo dos Estados Unidos antes da prisão de Nicolás Maduro. Segundo a reportagem publicada na quinta-feira (22), as sinalizações ocorreram no contexto de negociações conduzidas com representantes norte-americanos e autoridades do Catar.
De acordo com o jornal, que ouviu quatro fontes ligadas às tratativas, os irmãos Rodríguez indicaram que aceitariam a deposição de Maduro. À época das conversas, Delcy exercia o cargo de vice-presidente, enquanto Jorge já presidia a Assembleia Nacional venezuelana. As negociações teriam sido iniciadas em setembro do ano passado e mantidas mesmo depois de um contato telefônico entre Nicolás Maduro e Donald Trump, em novembro de 2025.
Uma das fontes ouvidas pelo veículo afirmou que, em dezembro de 2025, Delcy Rodríguez declarou a autoridades norte-americanas que o ditador “precisava sair” e que ela “lidaria com as consequências”. Apesar disso, o jornal ressalta que os dois não concordaram em colaborar diretamente com uma ação para derrubar Maduro, limitando a cooperação ao cenário posterior à captura.

Delcy Rodríguez toma posse dois dias depois da captura
Nicolás Maduro foi detido no dia 3 de janeiro e dois dias depois Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela, durante uma cerimônia na Assembleia Nacional. Na véspera da posse, as Forças Armadas divulgaram um comunicado reconhecendo oficialmente a nova liderança do país.
Durante o juramento, Delcy mencionou a prisão de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, e lamentou: “Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos”. Em seguida, afirmou: “Venho também com honra jurar em nome de todos os venezuelanos”.