segunda-feira, 26 de outubro de 2026
"NOVA GAZA"

Trump lança “Conselho da Paz” para Gaza e critica ONU

Em Davos, Trump oficializa órgão sob sua presidência vitalícia para atuar em Gaza e em outros conflitos internacionais

Lalice Fernandespor em
conselho da paz
Foto; Reprodução/ @WhiteHouse

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) o chamado “Conselho da Paz”, estrutura criada por seu governo para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza e atuar, futuramente, em outros conflitos internacionais. O anúncio foi feito durante cerimônia no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e foi acompanhado por novas críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) e pela apresentação de um plano urbanístico batizado de “Nova Gaza”.

Durante o discurso, Trump afirmou que o Conselho da Paz terá autorização para “fazer praticamente tudo o que quisermos”, não apenas em Gaza, e “em conjunto com as Nações Unidas”. O norte-americano declarou que será presidente vitalício do órgão, com poder exclusivo de veto.

Apesar da menção à ONU, Trump voltou a fazer críticas à organização, que, segundo parte da comunidade internacional, pode ter seu papel esvaziado com a criação do novo conselho. “Eu sempre falei que a ONU tem um potencial tremendo, que não é usado. Eles têm pessoas ótimas lá, mas eu nunca falei com a ONU sobre as oito guerras que eu acabei”, alfinetou o líder ao mesmo tempo em que indicou que o “Conselho da Paz” dialogará “com muitos outros, incluindo a ONU”.

conselho da paz
Foto: Reprodução/ @WhiteHouse

“NOVA GAZA”

A cerimônia contou com a presença de cerca de 30 dos 60 líderes mundiais que aceitaram participar do conselho. Entre os chefes de Estado e de governo que subiram ao palco estavam o presidente da Argentina, Javier Milei; o presidente do Paraguai, Santiago Peña; o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev; o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán; o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto; e a presidente do Kosovo, Vjosa Osmani. Nenhum dos principais aliados ocidentais dos Estados Unidos participou do lançamento.

Ao assinar o documento que formaliza a criação do conselho, Trump disse que o grupo começará suas ações pela Faixa de Gaza, território que, segundo ele, será  “desmilitarizado propriamente governado e lindamente reconstruído”. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também em Davos, afirmou que o órgão será “um conselho não só da paz, mas da ação”.

Na mesma cerimônia, o conselheiro do presidente Jared Kushner, genro de Trump, apresentou o plano norte-americano de reconstrução da Faixa de Gaza. A proposta prevê a construção de uma fileira de arranha-céus e polos turísticos ao longo da enseada do território palestino, além da divisão da região em áreas residenciais, turísticas, de negócios, agrícolas e portuárias. Trump afirmou que Gaza é “uma ótima locação para o mercado imobiliário, perto do mar”.

conselho da paz
Foto: Reprodução/ @WhiteHouse

Líderes convidados para integrar o Conselho da Paz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado para integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu ao convite. Assim como outros líderes que também  receberam a proposta como o Reino Unido, China, Croácia, Alemanha, Itália, Rússia, Singapura e Ucrânia, e até o momento não confirmaram nem recusaram a participação. Apesar das adesões iniciais, o conselho não conta com o apoio de nenhuma das grandes potências mundiais. França, Noruega, Eslovênia e Suécia já declararam que não irão integrar a nova estrutura.

A criação do Conselho da Paz, idealizada por Trump, segue sendo vista com cautela por parte da comunidade internacional, especialmente pelo impacto que pode ter sobre o papel da ONU nos esforços multilaterais de mediação de conflitos e reconstrução em áreas afetadas por guerras. Até a última atualização desta reportagem, cerca de 20 países confirmaram adesão à nova estrutura, que passa a funcionar sob liderança direta do presidente norte-americano.

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