sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Sacrifício eleitoral

Aliança entre Daniel e PL pode custar renúncia de Caiado ao Planalto

Analistas avaliam que, caso o governador concorra ao Senado, Flávio pode negociar com Wilder apoio à pré-candidatura de Daniel ao Governo de Goiás

Marina Moreirapor em
Caiado
Créditos: Divulgação/Secom GO

A última conversa do governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (UB), com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também concorre ao Palácio do Planalto, ocorreu na última segunda-feira (19). Muitas expectativas foram depositadas nesse último encontro, mas as informações repassadas por Caiado não revelaram nada de novo em relação ao que já foi estabelecido até o momento. 

Os pré-candidatos ao Palácio do Planalto voltaram a tratar de um assunto que tem sido discutido desde novembro de 2024, que gira em torno da possibilidade de formação de uma chapa para o Senado composta pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL) juntamente com a primeira-dama Gracinha Caiado (UB). 

Caiado
Primeira-dama Gracinha Caiado (UB) e o deputado federal Gustavo Gayer (PL) – Créditos: Remisson Sales, Walter Folador e Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Para isso, o senador e adversário do vice-governador Daniel Vilela (MDB) na corrida pelo Governo de Goiás, Wilder Morais (PL), precisa estar de acordo com a aliança entre PL e a base do Executivo estadual. A possibilidade da aliança, neste momento, é tida como inviável devido ao interesse do presidente estadual do Partido Liberal em manter sua pré-candidatura ao Palácio das Esmeraldas. 

Acesse também: Ao não visitar Bolsonaro, Tarcísio desmonta plano estratégico de Flávio

As articulações feitas por Caiado e pelo seu vice para atraírem o PL tiveram algum avanço em meados de dezembro do ano passado, durante visita de Flávio Bolsonaro a Goiás. O senador pelo Rio desejava tratar dos rumos de seu partido em território goiano e, como consequência desse encontro, Caiado passou a tratar da aliança em tom de esperança, o que ligou um sinal de alerta para a pré-candidatura de Wilder. 

Caiado
Wilder Morais (PL), senador e pré-candidato ao governo de Goiás juntamente com Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência da república – Foto: Reprodução Redes Sociais

Wilder resiste

O senador vai na contramão do desejo do PL nacional de garantir mais cadeiras na no Senado Federal, uma vez que Wilder ainda não sinalizou qualquer possibilidade de concordar com a formação de uma chapa entre PL e MDB em Goiás, que teria, inicialmente, Gayer e Gracinha na disputa pelas duas cadeiras na Casa Alta do Congresso Nacional. 

Por outro lado, a possibilidade de Caiado desistir da sua pré-candidatura ao Planalto para concorrer ao Senado seria o ápice da negociação para fortalecer a possível aliança entre o PL e a base de sua gestão em Goiás. Com a suposta desistência do governador, Caiado poderia exigir em troca o apoio do partido de Flávio à pré-candidatura de Daniel ao Governo do Estado. 

Do lado do PL goiano, Wilder não fez qualquer nova manifestação sobre sua pré-candidatura ao Governo do Estado desde 12 de dezembro, quando ocorreu a última edição do “Rota 22” com a presença do senador, projeto nacional liderado pelo PL. Por enquanto o Rota 22 percorre as cidades goianas, mas sem a presença do presidente estadual do partido.

Wilder
Créditos: Waldemir Barreto/ Agência Senado

Pulso firme de Caiado

Sobre a decisão de Caiado de manter sua candidatura ao Planalto, analistas avaliam o porquê disso e o entendimento é que é de interesse do governador conseguir um palanque para Daniel com o apoio do PL e, para isso, contaria com a ajuda de Flávio para convencer Wilder a desistir da disputa pelo Executivo estadual. 

Porém, isso só pode ocorrer caso Caiado renuncie à sua pré-candidatura ao Planalto. Se isso acontecer mesmo, o que se espera é que o chefe do Executivo goiano concorra ao Senado. Interlocutores avaliam que não faz sentido o governador continuar como pré-candidato à Presidência da República apoiado enquanto o PL estaria em negociação com a chapa de Daniel Vilela. O movimento, nada natural, seria obrigado a dar palanque em Goiás a Caiado e Flávio como concorrentes ao governo federal. 

Caiado
Governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB) com o senador Flávio Bolsonaro (PL) – Créditos: Senado Federal

Para Daniel, o acordo entre PL e UB em Goiás traria o apoio do bolsonarismo para o seu palanque, o que se tornaria uma carta relevante pelo peso do voto dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro no Estado. 

Da corrida ao Planalto para o Senado

Uma das principais justificativas para a possível desistência de Caiado a disputar o Planalto se dá pelo quão sua imagem pode sair prejudicada da corrida presidencial devido ao que analistas avaliam como uma possível “derrota vergonhosa em Goiás”. Se considerado o peso do bolsonarismo no Estado, o governador correria o risco de ficar atrás do senador Flávio Bolsonaro e do presidente Lula da Silva nas urnas. E, para um chefe de Executivo com mais de 80% de aprovação, terminar uma eleição em terceiro lugar dentro de casa seria um desastre. 

Caiado
Créditos: Divulgação Secom GO

Em entrevista ao O HOJE, o sociólogo Jones Matos analisa a possibilidade de recuo de Caiado na corrida presidencial. “Como ele não está vendo seu nome ser referendado pelo seu próprio partido, talvez o choque de realidade possa resultar no recuo e na tentativa de ser senador por Goiás.” 

Matos comenta sobre as possíveis consequências da decisão do governador em tentar disputar outro cargo político. “Não vejo nenhum problema nessa decisão, até porque a eleição presidencial depende de muito apoio popular e bom desempenho nas pesquisas, algo que Caiado ainda não tem”, pontua o sociólogo. (Especial para O HOJE)

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Tags:
apoio eleitoral Daniel Vilela Flávio Bolsonaro Ronaldo Caiado wilder morais

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