Goiás aposta no MotoGP como motor econômico e projeta impacto de R$ 868 milhões na economia
Com investimentos em infraestrutura, reforma do autódromo e articulação com o trade turístico, Estado se prepara para sediar a MotoGP, maior evento esportivo de sua história entre 20 e 22 de março, em Goiânia
A realização da etapa brasileira do Campeonato Mundial de MotoGP em Goiânia, marcada para os dias 20, 21 e 22 de março, consolida uma das maiores apostas econômicas e turísticas já feitas pelo governo de Goiás. Após um hiato de 22 anos fora do País, o maior campeonato de motovelocidade do mundo retorna ao Brasil com expectativa de movimentar mais de R$ 868 milhões na economia goiana, segundo estudo do Instituto Mauro Borges (IMB).
O levantamento considera tanto os investimentos voltados à preparação do evento quanto os efeitos diretos e indiretos gerados durante a semana da corrida. A estimativa aponta a criação de pelo menos quatro mil empregos e o aquecimento de setores estratégicos como transporte, hotelaria, alimentação, comércio, publicidade, televisão e produção audiovisual, além de toda a cadeia do chamado trade turístico.
De acordo com o IMB, o evento deve atrair mais de 150 mil pessoas à Capital, sendo cerca de 12% do público oriundo do exterior e 32% de outros Estados. O gasto médio por visitante está estimado em R$ 3.180, valor que engloba ingressos, hospedagem, alimentação, transporte e lazer. A projeção de arrecadação tributária para o Estado chega a R$ 130 milhões, considerando ICMS e ISS.
Para o presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral, o MotoGP coloca Goiânia em um patamar de protagonismo internacional. Segundo ele, poucos destinos no mundo recebem um evento desse porte, o que fortalece o turismo e amplia a visibilidade do Estado.
Um comitê interinstitucional foi criado para discutir o preparo da cidade e as estratégias de divulgação das potencialidades goianas, com foco na atração de novos eventos a partir da vitrine global proporcionada pela competição.
A chegada do MotoGP também impulsiona investimentos estruturais. O Autódromo Internacional Ayrton Senna passa atualmente por uma ampla reforma, ampliação e modernização, com aporte aproximado de R$ 50 milhões.
As obras, executadas pela Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) em parceria com a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), atingiram 84% de execução e preparam o espaço para receber competições internacionais de alto nível.
Entre as intervenções estão a reconstrução e ampliação do paddock, modernização das arquibancadas, camarotes e sala de imprensa, construção de nova torre de controle e centro médico, além da reforma do setor administrativo e áreas de apoio.
A pista principal, com 3.825 metros, foi totalmente reconstruída e recebeu pavimentação de alto desempenho, com tecnologia semelhante à utilizada em circuitos internacionais como Interlagos. O objetivo é garantir segurança, aderência e homologação máxima para motociclismo e automobilismo.
O governador Ronaldo Caiado afirma que a revitalização do autódromo resgata um patrimônio esportivo do Estado e projeta Goiás no cenário internacional. Já o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, destaca que a parceria com a Dorna Sports e a Brasil Motorsport, firmada em dezembro de 2024, garante Goiânia como sede das etapas brasileiras da MotoGP entre 2026 e 2030, o que assegura retorno econômico contínuo ao longo de cinco anos.
MotoGP também impacta setor hoteleiro

O impacto se estende de forma expressiva ao setor hoteleiro. A expectativa é de ocupação total dos hotéis de Goiânia durante o período do evento. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Goiás (ABIH-GO), Charleston Pimentel, a Capital conta atualmente com 18.862 leitos, número insuficiente para acomodar todo o público esperado. A projeção indica cerca de 60 mil pessoas em busca de hospedagem, o que beneficia também cidades do entorno, como Aparecida de Goiânia, Anápolis, Trindade e Caldas Novas.
Pimentel afirma que o MotoGP representa o maior evento já realizado em Goiás e destaca o caráter internacional da competição, que atrai visitantes estrangeiros, nacionais e regionais. Para atender à demanda, a hotelaria investe na qualificação dos colaboradores, com treinamentos específicos em atendimento e idiomas, em parceria com o setor de bares e restaurantes. Além disso, ações preventivas de saúde incluem a imunização dos trabalhadores da rede hoteleira.
Com investimentos públicos, articulação entre Estado e iniciativa privada e projeções robustas de retorno econômico, a MotoGP consolida-se como um marco para Goiás. Mais do que um evento esportivo, a competição posiciona o Estado como destino estratégico para grandes eventos internacionais, amplia a arrecadação, gera empregos e fortalece a economia regional de forma integrada.