Repressão

Protestos no Irã deixam ao menos 43 mil mortos, aponta entidade de direitos humanos

Manifestações começaram em dezembro e se espalharam por mais de 100 cidades do país

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 25 de janeiro de 2026
Protestos no Irã deixam ao menos 43 mil mortos, aponta entidade de direitos humanos
Atos tiveram início com protestos econômicos e evoluíram para mobilização política nacional. Foto: Divulgação

O Centro Internacional para Direitos Humanos no Irã informou que ao menos 43 mil pessoas morreram em decorrência da repressão aos protestos contra o regime iraniano. Os dados foram divulgados após investigações que incluíram pesquisas de campo, verificação de imagens e vídeos, além de entrevistas com fontes dentro do país.

De acordo com a entidade, as manifestações tiveram início em 28 de dezembro, em Teerã. A princípio, os atos reuniram lojistas e comerciantes que fecharam estabelecimentos em protesto contra a alta dos preços. Em seguida, os movimentos se expandiram rapidamente e passaram a ter caráter político, alcançando dezenas de cidades e diferentes grupos sociais.

Segundo relatos reunidos pelo Centro, forças de segurança reprimiram os protestos com violência. Testemunhas afirmam que agentes continuaram a perseguir manifestantes mesmo após a dispersão dos atos, efetuando disparos em vias públicas e em áreas residenciais. Em diversos casos, as ações resultaram em mortes diretas.

Irã
Centro internacional estima 43 mil mortes em repressão a protestos no Irã. Foto: Divulgação

Crise econômica como estopim

Os protestos começaram nos bazares de Teerã, tradicionalmente espaços de articulação econômica e social. O aumento acelerado da inflação foi apontado como fator inicial da mobilização. Produtos básicos, como óleo de cozinha e frango, registraram elevação abrupta de preços e, em alguns casos, desapareceram das prateleiras.

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Além disso, a decisão do banco central iraniano de encerrar um programa que permitia a importadores acessar dólares a taxas reduzidas pressionou ainda mais o mercado. Como consequência, comerciantes elevaram preços ou interromperam as atividades, o que ampliou o alcance das manifestações.

Reação do governo e expansão dos atos

O governo tentou conter a insatisfação com a adoção de transferências diretas à população, no valor aproximado de US$ 7 mensais. No entanto, a medida não foi suficiente para interromper os protestos. A adesão de comerciantes, conhecidos como bazaaris, chamou atenção por se tratar de um grupo historicamente alinhado à República Islâmica.

Foto: Divulgação

Com o passar dos dias, os atos se espalharam para mais de 100 cidades, tornando-se os maiores desde 2022. Naquele ano, a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia da polícia religiosa, desencadeou protestos de alcance nacional sob o lema “Mulher, Vida, Liberdade”.

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Apuração e denúncias internacionais

O Centro Internacional para Direitos Humanos no Irã afirmou que segue reunindo informações e cruzando dados para documentar os episódios de violência. A organização destacou que as investigações permanecem em andamento e que novas atualizações podem ser divulgadas à medida que as apurações avançam.

Foto: Divulgação

Até o momento, autoridades iranianas não se pronunciaram oficialmente sobre o número de mortos apontado pela entidade.

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