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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Opinião

Artigo do New York Times afirma que fãs de Harry Potter precisam crescer

Artigo destaca choque entre valores da saga e cenário pós-2008

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 29 de janeiro de 2026
7 curiosidades sobre a saga harry potter
Coluna relaciona distanciamento juvenil a mudanças políticas e geracionais. Foto: Divulgação

Um artigo de opinião publicado pelo jornal New York Times afirma que a franquia “Harry Potter” perdeu relevância cultural entre as novas gerações. Segundo o texto, o distanciamento é mais evidente entre integrantes da geração Z, que demonstrariam menor identificação com o universo criado por J.K. Rowling.

A análise foi assinada pela colunista Louise Perry. No artigo, ela aponta que a saga se consolidou como um fenômeno cultural principalmente entre os millennials, geração que cresceu nos anos 1990 e 2000, período marcado pelo lançamento dos livros e pela estreia dos filmes nos cinemas. Sendo assim, o sucesso da franquia estaria fortemente ligado a um contexto histórico específico.

De acordo com a autora, diferentemente de obras como “O Senhor dos Anéis” ou “As Crônicas de Nárnia”, “Harry Potter” estaria associado ao ambiente político e cultural do pós-Guerra Fria. Ou seja, refletiria valores ligados ao liberalismo daquele período, que já não dialogariam com a realidade atual vivida por jovens nascidos a partir do final dos anos 1990.

Referência cultural entre millennials

O artigo destaca que parte dos fãs adultos manteve uma relação duradoura com a saga. Além de consumir os livros e filmes, muitos passaram a utilizar referências da obra como símbolos morais e políticos. Segundo o texto, personagens e conflitos da narrativa foram frequentemente usados para comparar adversários ideológicos a vilões da história.

Nesse sentido, a colunista aponta que slogans inspirados em “Harry Potter” chegaram a ser incorporados em protestos e manifestações ao longo dos anos. Assim, a obra teria ultrapassado o campo do entretenimento e assumido um papel simbólico para parte dessa geração.

Harry Potter
Coluna relaciona distanciamento juvenil a mudanças políticas e geracionais. Foto: Divulgação

Declarações de J.K. Rowling

Ainda segundo o artigo, esse vínculo ajuda a explicar a reação negativa de parte dos fãs às declarações da autora J.K. Rowling sobre direitos da população transexual e travesti. Para alguns leitores, as falas foram interpretadas como uma ruptura com os valores que associavam à saga.

A colunista observa que o sentimento de frustração não se restringiu à discordância política. Pelo contrário, teria sido vivido como uma quebra de expectativa em relação à imagem construída em torno da obra ao longo de décadas.

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Público envelhecido e dados de mercado

Apesar disso, o New York Times ressalta que o universo de “Harry Potter” permanece comercialmente ativo. As vendas de livros seguem constantes. Além disso, o jogo “Hogwarts Legacy” alcançou expressivo sucesso comercial. Paralelamente, uma nova adaptação televisiva está em desenvolvimento pela HBO.

Entretanto, dados citados no artigo indicam que o público da franquia tem envelhecido. Em 2016, por exemplo, apenas 18% das pessoas que foram aos cinemas assistir ao primeiro filme de “Animais Fantásticos” eram crianças. Ou seja, o consumo passou a se concentrar majoritariamente em adultos.

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New York Times analisa afastamento da geração Z da saga Harry Potter. Foto: Divulgação

Mudança geracional

Para a autora, o afastamento dos jovens não decorre apenas do desgaste natural de uma franquia longeva. Segundo ela, há uma mudança mais profunda de mentalidade. A saga refletiria valores como confiança nas instituições, rejeição à violência política e crença na capacidade do sistema liberal de resolver conflitos.

No entanto, o artigo argumenta que esses ideais perderam força após a crise financeira de 2008. Desde então, jovens cresceram em um cenário de estagnação econômica, polarização política e desconfiança em relação à democracia liberal.

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Harry Potter perde espaço cultural entre novas gerações, diz jornal americano. Foto: Divulgação

Por fim, a colunista afirma que a geração Z tende a demonstrar maior ceticismo em relação a soluções institucionais e maior abertura a posições consideradas radicais, tanto à direita quanto à esquerda. Assim, a moral otimista presente em “Harry Potter” teria se tornado menos atraente para esse público.

Segundo o texto, o distanciamento não representa um ataque direto à obra. Pelo contrário, seria um reflexo de uma transformação geracional mais ampla e da perda de centralidade do liberalismo como resposta aos conflitos contemporâneos.

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