segunda-feira, 21 de setembro de 2026
AMEAÇA MILITAR

EUA ampliam pressão militar e miram em regime iraniano

Irã sinaliza diálogo, enquanto EUA mantêm opções militares e ampliam pressão sobre Teerã em meio à crise interna

Lalice Fernandespor em
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Foto: Divulgação/ Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o Irã, na sexta-feira (30), ao declarar que uma grande força militar estaria a caminho da região, maior do que a enviada anteriormente à Venezuela, ao mesmo tempo em que afirmou ainda desejar um acordo com Teerã. A fala ocorre em meio a uma escalada de tensões motivada pela repressão iraniana a protestos internos e por movimentações militares norte-americanas.

Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian adotou discurso mais moderado. Ele afirmou que o país acolhe o diálogo e não busca guerra. Segundo a mídia estatal, Pezeshkian conversou com o presidente dos Emirados Árabes Unidos sobre as ameaças feitas por Trump e reforçou que não deseja conflito. Ao mesmo tempo, advertiu que, se houver ataque, o Irã “responderá imediata e decisivamente a qualquer agressão”.

Trump analisa possíveis ataques

Em Washington, Trump analisa um conjunto amplo de possibilidades militares para pressionar e enfraquecer o regime do aiatolá Ali Khamenei, mas ainda não tomou decisão final. Reportagem do jornal norte-americano The New York Times, baseada em fontes do governo dos EUA, relata que as alternativas em discussão vão de bombardeios a operações encobertas dentro do território iraniano. Entre os cenários avaliados também estaria a viabilidade de uma mudança de regime.

As opções incluem ataques a instalações nucleares iranianas, como os realizados em junho de 2025, além de alvos militares e estruturas simbólicas do regime, como o quartel-general de uma milícia apontada como responsável por mortes de manifestantes. Segundo o jornal, uma das alternativas consideradas mais arriscadas envolve o envio secreto de comandos para destruir ou danificar partes do programa nuclear que não foram atingidas anteriormente. A reportagem afirma que o Exército dos EUA possui treinamento específico para missões desse tipo.

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Foto: Reprodução/ @WhiteHouse

Fontes ouvidas pelo The New York Times afirmam que as opções atuais vão além das que estavam sobre a mesa na primeira quinzena de janeiro, quando os EUA chegaram perto de atacar o Irã, mas recuaram após mediação externa e depois que Teerã desistiu de executar manifestantes.

As ameaças recentes se somam a declarações anteriores de Trump sobre a repressão aos protestos, que, segundo ativistas, já matou ao menos 6.159 pessoas. O presidente dos EUA havia dito que a ajuda estava “a caminho” e, em outro momento, afirmou que navios de guerra eram enviados “por precaução”, acrescentando: “Vamos ver o que acontece”.

Irã sinaliza disposição para diálogo com EUA

Enquanto isso, a diplomacia iraniana sinaliza abertura a negociações, com condições. Em entrevista coletiva em Istambul, na sexta-feira, após encontro com o chanceler turco, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, declarou que o país está pronto para tratativas “justas e equitativas”, mas sem reuniões agendadas com autoridades dos EUA.

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Abbas Araqchi (Foto: Divulgação/ Dean Calma – IAEA)

“O Irã não tem problema com negociações, mas elas não podem ocorrer sob a sombra de ameaças. Eles certamente devem deixar de lado suas ameaças e mudar sua abordagem para uma negociação justa e equitativa, como o próprio Sr. Trump disse em sua publicação”, afirmou Araqchi. Ele ainda ressaltou que “as capacidades defensivas e de mísseis do Irã — e os mísseis iranianos — jamais serão objeto de qualquer negociação” e completou: “Preservaremos e expandiremos nossas capacidades defensivas na medida necessária para defender o país”.

Países da região, como Turquia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, intensificam esforços diplomáticos para evitar confronto militar entre Washington e Teerã.

Leia mais: Número de mortes por onda de frio histórica nos EUA já passam de 80

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Donald Trump Estados Unidos Guerra Ira! nuclear ofensiva Oriente Médio protestos Venezuela

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