sábado, 31 de outubro de 2026
Industrialização

Goiânia é o principal polo econômico de Goiás, mas busca diversificar além do comércio

Com segundo maior PIB do Centro-Oeste, Goiânia possui potencial para explorar indústrias que dialogam com planejamento urbano

João César Almeidapor em
Goiânia
Indústrias de maior valor agregado geram empregos com salário médio mais alto - Foto: Paulo José/Prefeitura de Goiânia

No ano de 2025, Goiânia registrou quase 60 mil aberturas de novas empresas, esses números colocam a cidade como líder do ranking de novos empreendimentos no estado de Goiás, sendo o principal polo econômico goiano. Esses dados foram impulsionados principalmente pelos setores de serviços, comércio e atividades ligadas à tecnologia e inovação. 

 

Além desse aumento de aberturas de novas empresas, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam a posição de destaque de Goiânia para a economia goiana. Segundo o instituto, a capital registrou um Produto Interno Bruto (PIB), de R$ 75,7 bilhões, sendo a segunda cidade mais rica do centro-oeste, ficando atrás apenas de Brasília. 

 

A economia goianiense, em muitos casos, acaba sendo direcionada para o setor de serviços e de comércios, principalmente por ser o centro do estado. 

 

Por conta disso, é discutida a possibilidade de uma maior diversificação da economia da capital goiana, pensando em formas de expandir a atividade industrial. Para o presidente em exercício da da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), Flávio Rássi, existe espaço para a expansão da atividade. 

 

“Os estudos mostram que Goiânia é o município com maior grau de complexidade econômica em Goiás, o que significa que a cidade reúne infraestrutura, mercado consumidor, mão de obra qualificada e diversidade produtiva suficientes para ir além do comércio e dos serviços”, explica. 


Diante deste cenário, a economia diversificada cria condições para o surgimento e a expansão de atividades industriais, principalmente aquelas mais modernas e integradas ao ambiente urbano.

Em nota enviada ao O HOJE, a Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Agricultura e Serviços (Sedicas), informou que vem trabalhado para ampliar e diversificar a atividade industrial na capital, de forma compatível com o planejamento urbano.

A prefeitura explicou que durante 2025,  polos econômicos foram criados em na cidade, com incentivos fiscais municipais, como redução de IPTU e ITBI, além dos benefícios fiscais estaduais. Os principais são o Polo Aerotrópole, no entorno do aeroporto, o Polo Brasil Central, na região do antigo aterro sanitário, e o APL Moveleiro, no Jardim Guanabara.

 

A estratégia da administração municipal é priorizar indústrias não poluentes, como confecções, calçados, móveis e reciclagem, com foco na geração de empregos, diversificação da economia e ampliação da arrecadação. Na visão de Flávio Rássi, o maior potencial industrial está em empreendimentos que dialogam com cidades médias e grandes, como produtos de higiene, limpeza,  cosméticos, agroindústria de alimentos, metalurgia e fabricação de peças.

Estes setores não precisam de grandes áreas para serem instalados e também funcionam melhor com a proximidade do mercado consumidor, sendo considerados estratégicos, já que estimulam fornecedores, serviços e empregos em diversos outros ramos. 

Goiânia
Foto: Divulgação/Secom-GO

Problemas de dependência em Goiânia 

 

É inegável que o setor de comércio e serviços são fundamentais para a economia e pela maior parte dos empregos, em Goiânia. Existe um ponto positivo nessa situação: a geração rápida de postos de trabalho e a forte ligação com o consumo local. Porém, com uma economia concentrada apenas nesses setores, tende a depender muito do consumo da população, ficando muito expostas a riscos.

Por outro lado, como explica o presidente interino da FIEG, “setores industriais conseguem gerar mais conexões com outras atividades e ajudam a sustentar crescimento econômico mais robusto e equilibrado no longo prazo”. 

 

Rássi continua: “Embora o comércio e os serviços continuem sendo centrais, o perfil econômico de Goiânia não precisa ficar restrito a isso. O alto nível de complexidade econômica da capital indica capacidade para diversificar e atrair atividades industriais mais sofisticadas, especialmente aquelas que dialogam com tecnologia, logística e serviços especializados”.

 

Isso significa que Goiânia pode combinar sua vocação em serviços com indústrias de maior valor agregado, criando uma economia mais diversificada e resiliente ao longo dos próximos anos, além de gerar empregos mais qualificados, com salários médios mais altos, e movimentar uma cadeia maior de fornecedores, transportes e serviços especializados.

 

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Tags:
Capital de goiá diversificação da economia goiana economia goiana Goiânia industrialização de Goiânia

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