sábado, 24 de outubro de 2026
RODOVIAS

BR-352 e BR-490 ficam sem radares em Goiás durante transição de contratos

Trechos entre Goiânia e Catalão e entre Morrinhos e Ipameri estão temporariamente sem fiscalização eletrônica de velocidade

Renata Ferrazpor em
goiás
Trechos entre Goiânia e Catalão, e entre Morrinhos e Ipameri, estão temporariamente sem fiscalização eletrônica de velocidade - Foto: Fernando Frazão/

Rodovias federais estratégicas que cortam Goiás atravessam um período sem fiscalização eletrônica de velocidade, situação que preocupa motoristas, especialistas e autoridades de trânsito. Trechos da BR-352, entre Goiânia e Catalão, e da BR-490, no segmento que liga Morrinhos a Ipameri, estão temporariamente sem radares devido à transição contratual para novos equipamentos.

A informação foi confirmada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pela administração dessas vias, e também consta no Portal de Multas de Trânsito.

Embora a interrupção seja classificada como temporária, o cenário reacende o debate sobre os riscos da ausência de controle eletrônico, especialmente em rodovias com alto fluxo de veículos, histórico de acidentes e papel fundamental no escoamento da produção agrícola e no turismo regional.

Em um Estado que registrou aumento no número de mortes nas rodovias federais em 2025, a falta de radares amplia a preocupação com o comportamento dos motoristas e com a eficácia da fiscalização exclusivamente presencial.

Transição deixa trechos sem fiscalização

De acordo com o DNIT, a paralisação dos radares ocorre porque os contratos anteriores chegaram ao fim e passam por um processo de substituição por novos acordos, iniciados em novembro de 2025, por meio do Edital nº 054/2025. Durante esse intervalo, os equipamentos antigos estão sendo gradualmente desmobilizados para permitir a implantação dos novos dispositivos, seguindo um cronograma interno definido pela autarquia.

“Nas rodovias federais, os equipamentos vinculados ao contrato anterior encontram-se em fase de desmobilização gradual, de forma a viabilizar a implantação dos dispositivos pelo novo contrato, conforme o cronograma previsto”, informou o DNIT em nota oficial. Segundo o órgão, a instalação dos novos radares ocorre de forma escalonada e segue critérios técnicos estabelecidos pela Instrução Normativa nº 43/2021.

Enquanto isso, rodovias federais concedidas à iniciativa privada, como a BR-153, administrada pela Triunfo Concebra, seguem com a fiscalização eletrônica em pleno funcionamento.

A BR-352 faz a ligação entre Goiás e o Triângulo Mineiro, conectando municípios do sudeste goiano e funcionando como corredor logístico para o transporte de grãos, insumos agrícolas e mercadorias. Já a BR-490 corta áreas de forte vocação turística no Sudeste do Estado, com fluxo intenso em feriados e períodos de férias, especialmente na região próxima a Caldas Novas e Rio Quente.

Nesse contexto, a ausência de radares gera receio de que motoristas se sintam estimulados a exceder os limites de velocidade, elevando o risco de colisões graves.

Especialista critica ausência de fiscalização

Para o especialista em trânsito Marcos Rothen, o impacto da retirada dos radares é imediato e perceptível. Segundo ele, à medida que os motoristas percebem que a fiscalização eletrônica não está operando, muitos passam a aumentar a velocidade, inclusive em trechos mais perigosos das rodovias.

“Nas estradas, as velocidades já são naturalmente elevadas e, infelizmente, sem a fiscalização, muitos motoristas abusam, trazendo riscos para eles e para os demais usuários da via”, explica.

Rothen destaca que a sinalização, sozinha, não é suficiente para garantir a segurança viária. Para ele, a fiscalização eletrônica é fundamental para conter comportamentos imprudentes. “Embora a maioria dos motoristas tenha cuidado, sempre existem aqueles que se aproveitam da ausência de fiscalização para desrespeitar os limites. Muitas vezes, um único motorista imprudente é capaz de causar um acidente de grandes proporções”, afirma.

O especialista também critica falhas no processo de transição e classifica a situação como uma irresponsabilidade das autoridades. Ele lembra que as rodovias federais têm grande extensão em Goiás e que, sem os radares, torna-se praticamente impossível para a Polícia Rodoviária Federal fiscalizar todos os trechos, inclusive os mais críticos.

“Curvas fechadas exigem redução de velocidade e são pontos onde a fiscalização eletrônica é essencial. Mas mesmo em trechos retos, o excesso de velocidade continua sendo um fator de risco”, pontua.

Rothen cita ainda exemplos anteriores em que Goiânia ficou sem fiscalização eletrônica, quando o aumento do abuso por parte dos motoristas foi facilmente perceptível, reforçando a necessidade de soluções rápidas para evitar o agravamento dos índices de acidentes.

Apesar da ausência temporária dos equipamentos, o DNIT enfatiza que os motoristas continuam obrigados a respeitar rigorosamente os limites de velocidade e as normas de circulação. Segundo a autarquia, a sinalização existente permanece válida e deve ser observada independentemente da presença de fiscalização eletrônica ativa.

 

 

Leia também: Postes atingidos por veículos quase chegam a 4 mil casos em Goiás

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