Haddad confirma saída do Ministério da Fazenda e articula sucessão interna
Declaração do ministro abre caminho para mudanças na equipe econômica e reorganização política para 2026
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que deve deixar o comando da pasta já no mês de fevereiro. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (29), durante entrevista concedida na sede do ministério, em Brasília. Haddad ocupa o cargo desde janeiro de 2023, no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Possivelmente, (vou deixar o ministério) no mês de fevereiro, só vou sentar com o presidente para ver a melhor data”, afirmou Haddad ao chegar à Fazenda, pela manhã. O ministro já havia sinalizado anteriormente que deixaria o cargo no início deste ano e chegou a mencionar, em outras entrevistas, a possibilidade de saída ainda em janeiro.
A eventual desincompatibilização ocorre em meio ao calendário eleitoral. Pela legislação, integrantes do Poder Executivo precisam deixar seus cargos até maio para concorrer às eleições de outubro. Haddad, no entanto, disse que ainda não definiu se será candidato nem qual cargo poderá disputar.
Conversas políticas e cenário eleitoral
Entre as possibilidades cogitadas nos bastidores, estão uma candidatura ao Senado Federal ou ao governo do estado de São Paulo. Haddad evitou confirmar qualquer definição e afirmou que o tema ainda será discutido com o presidente da República.
Na quarta-feira (28), a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu publicamente o nome de Haddad para a disputa pelo governo paulista. “Nós não temos o direito de deixar a extrema-direita voltar a governar este país”, disse ela a jornalistas.
Questionado sobre a declaração, Haddad respondeu em tom descontraído: “Estou comemorando a Gleisi ter me elogiado”. Apesar disso, ele não antecipou decisões sobre o futuro político e manteve a posição de que o assunto será tratado internamente.
Paralelamente, o ministro afirmou que deseja colaborar com a campanha do presidente Lula e que, inicialmente, não pretendia disputar eleições. Segundo relatos, Lula já teria conversado duas vezes com Haddad e deve insistir para que ele concorra ao governo de São Paulo.
Sucessão definida na equipe econômica
Mesmo antes da saída oficial, Haddad já deixou encaminhada a sucessão no Ministério da Fazenda. O atual secretário-executivo, Dario Durigan, deve assumir o comando da pasta. A definição segue a linha de continuidade da política econômica adotada desde o início do governo.
Para a Secretaria-Executiva, o nome indicado é o de Rogério Ceron, atual secretário do Tesouro Nacional. Ceron é apontado como um dos formuladores do novo arcabouço fiscal. Já Régis Dudena deve assumir a Secretaria de Reformas Econômicas. A substituição de Ceron no Tesouro ainda será definida internamente.

Durigan ocupa o cargo de secretário-executivo desde junho de 2023. Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela Universidade de Brasília (UnB), ele acumulou mais de 13 anos de atuação no setor público antes de atuar como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp no Brasil, entre 2020 e 2023. Também trabalhou com Haddad na Prefeitura de São Paulo, quando o atual ministro era prefeito.
Além disso, Durigan integra o Conselho Fiscal da Vale e preside o conselho de administração do Banco do Brasil. A escolha é vista como uma tentativa de preservar a interlocução da Fazenda com o mercado financeiro e reduzir pressões políticas em um ano eleitoral.
Há ainda expectativa de ajustes na Secretaria de Reformas Econômicas, atualmente ocupada por Marcos Pinto, dentro do novo desenho da equipe econômica que deve ser formalizado após a saída de Haddad.
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