Manifestções pelo cão Orelha mobilizam capitais e colocam caso sob atenção nacional
Protestos se espalham pelo país após morte de cão comunitário; atos cobram justiça e acompanham avanço das investigações
Protestos contra a violência animal aconteceram neste fim de semana em diversas cidades brasileiras após a morte do cão comunitário Orelha. As manifestações foram convocadas pela organização Cadeia Para Maus-Tratos e reúnem moradores, protetores independentes e entidades ligadas à causa animal. Os atos ocorreram enquanto a Polícia Civil de Santa Catarina mantém o inquérito em andamento.
Em São Paulo, a concentração começou às 10h deste domingo (1º), no Vão do MASP, na Avenida Paulista. Manifestantes carregaram cartazes com pedidos de justiça por Orelha e mensagens contra maus-tratos. Durante o ato, palavras de ordem foram entoadas em condenação à violência contra animais.
No Rio de Janeiro, duas caminhadas estão previstas: a primeira, às 10h, no Aterro do Flamengo; a segunda, às 16h, em Copacabana. Em Belo Horizonte, a manifestação começou às 10h, na Feira Hippie. Em Florianópolis, cidade onde o cão foi morto, o ato ocorre no trapiche da Avenida Beira-Mar Norte, no centro, também às 10h. No sábado (31), Brasília registrou um ato no Parque Dog, no Setor Sudoeste.
Atos reúnem público e ampliam mobilização
Centenas de pessoas se reuniram na Avenida Paulista levando animais de estimação e exibindo imagens de Orelha. Cartazes pediam justiça e o fim da violência contra animais. O nome do cachorro foi repetido ao longo do protesto e recebido com aplausos. A organização informou que manifestações semelhantes estão programadas em outras capitais, ampliando a mobilização nacional.
Nadini Marini, presidente do Instituto Amor em Patas, comentou a dimensão do ato em São Paulo. “É uma das primeiras vezes que vemos uma mobilização nessa escala. Um caso mobiliza tantas pessoas ao mesmo tempo”, disse. Segundo ela, o objetivo é chamar atenção para o caso específico e para outros episódios de maus-tratos. “A gente quer justiça para esse e para muitos outros casos”, afirmou.

Investigação segue sob sigilo
A Polícia Civil de Santa Catarina informou neste sábado que um dos adolescentes que teve a imagem divulgada como suspeito passou a ser tratado como testemunha. De acordo com as autoridades, o jovem não aparece nos conteúdos analisados e a família apresentou provas de que ele não estava na Praia Brava, em Florianópolis, no período investigado.
Ainda segundo a Polícia Civil, um dos adolescentes que faltava foi ouvido no inquérito. Até o momento, investigadores não encontraram indícios que confirmem a participação de grupos criminosos que utilizariam redes sociais para promover desafios envolvendo maus-tratos. As apurações continuam.
Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro, na Praia Brava. Devido à gravidade dos ferimentos, o animal foi submetido à eutanásia. Quatro adolescentes eram, inicialmente, suspeitos de envolvimento. A Polícia Civil também informou que indiciou três adultos suspeitos de coagir ao menos uma testemunha durante as investigações.
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