quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Postulante ao Senado

Mendanha espera aliança MDB e PL para definir qual cargo vai disputar

Ex-prefeito de Aparecida diz ao O HOJE que está disposto a disputar mandato de senador em 2026, mas admite que decisão ainda depende da consolidação da coligação

Bruno Goulartpor em
Mendanha espera aliança MDB e PL para definir qual cargo vai disputar
Mendanha: “Estou disposto a contribuir com o processo. Estou pronto para ser um soldado do PSD e dessa composição”. Foto: Divulgação

Bruno Goulart

O anúncio da filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD inaugurou uma nova fase na organização interna da legenda em Goiás, que é presidida pelo senador Vanderlan Cardoso, e reacendeu o debate sobre o espaço do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha. O político já falava em ser candidato à Casa Alta desde sua filiação em junho do ano passado, mas agora vê seu projeto condicionado à definição da aliança entre o MDB do vice-governador Daniel Vilela e o PL, do senador Wilder Morais, articulação que, se confirmada nos moldes hoje discutidos, estreita significativamente as possibilidades de uma candidatura majoritária pela legenda.

Em entrevista ao O HOJE, Mendanha foi pragmático e evitou confrontos públicos, mas deixou claro que sua permanência e seu papel no partido estão diretamente vinculados à consolidação, ou não, do acordo com o PL. Segundo o ex-prefeito de Aparecida, até que esse entendimento seja formalizado, o cenário permanece aberto. “A questão do PL ainda não foi consolidada. Até isso se consolidar, é óbvio que já deixei minha posição. Se não se consolidar, não tem porque eu não buscar um mandato”, afirmou.

No ano passado, o ex-prefeito chegou a declarar ao O HOJE que poderia reavaliar sua filiação partidária caso o PSD não estivesse alinhado ao projeto político liderado por Caiado e pelo vice-governador Daniel Vilela. Hoje, com Caiado já filiado ao PSD e com o MDB consolidado como eixo central da base governista, a discussão passa a ser, essencialmente, de acomodação política.

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Isso porque a arquitetura eleitoral que tem sido costurada aponta para a indicação da primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil) à primeira vaga ao Senado, enquanto a segunda tende a ser ocupada pelo PL, que trabalha o nome do deputado federal Gustavo Gayer. Essa configuração está diretamente vinculada à construção de uma aliança entre MDB e PL em Goiás, que inclui a possibilidade de o senador Wilder Morais, presidente estadual do Partido Liberal, recuar de uma candidatura ao governo para integrar a base governista. Com isso, o espaço para a segunda vaga ao Senado seria reservado aos liberais. Nesse arranjo, a candidatura de Mendanha ao Senado se torna quase improvável, a menos que a aliança com o PL não se concretize.

O próprio ex-prefeito reconhece que a definição passa, antes de tudo, pela formalização desse acordo. Há expectativa de que uma reunião marcada para o dia 14 de fevereiro seja decisiva. “Nesse momento, a gente tem que pensar em construir o partido, fazer chapa para deputado federal e estadual. Isso não significa que não vamos discutir a majoritária, mas a aliança com o PL ainda não foi consolidada”, reiterou.

Apesar do tom cauteloso, Mendanha não esconde sua disposição eleitoral. Questionado se estaria pronto para disputar a segunda vaga ao Senado caso o PL fique fora da composição, respondeu de forma direta. “Eu estou pronto para ser candidato. Sou leal ao Daniel, ao governador, tenho densidade eleitoral, tenho condições de contribuir”, afirmou. Em seguida, ampliou o gesto de alinhamento político: “Estou disposto a contribuir com o processo. Estou pronto para ser um soldado do PSD e dessa composição”.

Suplência

Enquanto isso, nos bastidores, lideranças do campo governista já trabalham com a hipótese de que a disputa real se dará em torno das vagas de suplência ao Senado, tradicionalmente utilizadas como instrumento de equilíbrio interno. Dois nomes aparecem com frequência nas conversas reservadas: o do ex-senador Luiz do Carmo e o do ex-deputado federal, ex-ministro das Cidades e presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), Alexandre Baldy, que é presidente estadual do PP. Ambos são vistos como quadros com capital político e histórico de articulação capazes de atender às necessidades da aliança.

Esse debate começou a avançar na última sexta-feira (30). O governador Ronaldo Caiado recebeu, na noite passada, integrantes do PSD goiano no Palácio das Esmeraldas, em Goiânia. Foram confirmadas as presenças do deputado federal Ismael Alexandrino e dos deputados estaduais Cairo Salim e Wilde Cambão. Gustavo Mendanha, o presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), Francisco Jr., e o ex-secretário-geral do partido Samuel Almeida também estiveram na reunião.

O encontro marca a primeira reunião formal entre Caiado e dirigentes do PSD em Goiás após a filiação do governador à legenda. O presidente estadual do partido, senador Vanderlan Cardoso, não participou. Conforme apurado, Vanderlan foi convidado, mas está na Bahia e só retorna neste domingo (1°/2). O parlamentar pretende agendar uma reunião com Caiado e com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para discutir os rumos do partido. Nos bastidores, corre a informação de que é natural que Ronaldo Caiado assuma a presidência do partido, em Goiás. (Especial para O HOJE)

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