Casal de idosos suspeita que filha dada como morta em 1970 esteja viva em Goiás
Após mais de 50 anos de incertezas, pais de Aparecida de Goiânia acreditam ter encontrado mulher que pode ser a bebê retirada da maternidade sem entrega do corpo
Um casal de idosos de Aparecida de Goiânia vive, há mais de cinco décadas, com a desconfiança de que a filha declarada morta logo após o nascimento, em 1970, possa estar viva. Depois de anos de buscas e incertezas, eles acreditam ter encontrado a mulher que pode ser a criança retirada da maternidade sem que o corpo jamais fosse entregue à família.
A suspeita ganhou força após o casal chegar a uma mulher nascida no mesmo ano, adotada ainda bebê e com características físicas semelhantes às das outras duas filhas biológicas que tiveram. A possível filha também vive na região e trabalha a poucos quilômetros da residência dos idosos.
Em 2 de setembro de 1970, Benedita Souza de Paula, hoje com 85 anos, deu à luz uma menina na extinta maternidade Irmã Celina, em Goiânia. Pouco tempo após o parto, o bebê foi levado para outra sala sob a justificativa de que passaria por exames e retornaria em seguida, o que não ocorreu. Horas depois, a equipe de enfermagem informou que a criança havia morrido. O corpo, no entanto, nunca foi entregue à família e nenhum atestado de óbito foi apresentado.
O pai, Geraldo Rosa de Paula, atualmente com 79 anos, relatou ao jornal Metrópoles que só soube da suposta morte da filha no dia seguinte ao nascimento. À época, segundo ele, não era comum que o pai acompanhasse a gestante na sala de parto ou permanecesse no hospital. Ao procurar informações, recebeu a resposta de que a maternidade cuidaria de todos os procedimentos.
Após o comunicado do falecimento, uma enfermeira da maternidade procurou o casal pedindo a doação do enxoval preparado para a bebê. Ela teria afirmado que uma conhecida havia dado à luz sem estar preparada. Sensibilizados, Benedita e Geraldo decidiram doar todos os itens que haviam comprado.
Desconfiança ao longo dos anos
Com o passar do tempo, a história se tornou conhecida entre amigos e pessoas próximas, que passaram a ajudar o casal a buscar informações sobre possíveis casos de adoção. Cerca de 50 anos depois, eles chegaram a uma mulher nascida em 1970, adotada ainda bebê, com semelhança física às filhas biológicas do casal.
A coincidência aumentou quando descobriram que a mulher trabalha em uma farmácia localizada a menos de cinco quilômetros da casa onde Benedita e Geraldo moram, em Aparecida de Goiânia.
Segundo Geraldo, ele chegou a receber uma ligação de um homem que se identificou como pai adotivo da mulher. O interlocutor, um fazendeiro do interior de Goiás, contou que adotou a criança porque a esposa não podia engravidar. Ainda conforme o relato, a adoção teria ocorrido na mesma maternidade onde Benedita deu à luz, em 1970.
O homem afirmou que a criança foi entregue por uma enfermeira e que veio acompanhada de um enxoval completo, detalhe que reforçou ainda mais a semelhança entre as duas histórias. Diante disso, Geraldo solicitou a realização de um teste de DNA e chegou a enviar amostras de cabelo. Dias depois, o fazendeiro informou que o resultado havia sido negativo e, desde então, não voltou a atender as ligações.
O caso agora é investigado pela Polícia Civil de Goiás. Benedita e Geraldo já foram encaminhados para a coleta de material biológico, que deve auxiliar no cruzamento de dados e no esclarecimento da situação.