sábado, 7 de novembro de 2026
Eleições 2026

Enquanto PSD calibra estratégia, Caiado passa a liderar cenário presidencial do partido

Enquanto Kassab adia decisões e mantém partido no centro do jogo nacional, vácuo deixado por outras pré-candidaturas abre espaço para a ascensão política do goiano

Bruno Goulartpor em
Enquanto PSD calibra estratégia, Caiado passa a liderar cenário presidencial do partido
Segundo fontes ouvidas pelo O HOJE, o cenário, de fato, é favorável ao governador, mas a questão é: vai permanecer?. Foto: Hegon Correa e Remisson Sales

Bruno Goulart

O PSD entra no debate presidencial de 2026 com força numérica, capilaridade nacional e três governadores cotados para disputar o Planalto. Ainda assim, o partido está longe de ter um caminho definido. Pelo contrário: como admitem aliados e analistas, há muitas arestas a aparar — e elas passam, sobretudo, pelos limites de Eduardo Leite (RS), pelas incertezas de Ratinho Júnior (PR) e pelo papel estratégico que Ronaldo Caiado passou a ocupar nesse cenário.

Entre os nomes colocados, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, é visto internamente como o menos viável. Já Ratinho Júnior, chefe do Executivo do Paraná, ocupa uma posição ambígua. De um lado, é apontado como o nome mais competitivo do PSD. De outro, vive um dilema pessoal e político: não tem sucessor claro no Paraná. Seu vice, Darci Piana, tem 84 anos, e deixar o governo pode significar abrir mão de um capital político ainda em construção.

Esse cálculo tem sido acompanhado de perto por outras lideranças. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chegou a dizer a aliados que Ratinho Júnior não será candidato a nada em 2026. Para Tarcísio, a tendência é que o PSD, sob comando de Gilberto Kassab, acabe por lançar Ronaldo Caiado como presidenciável.

Caiado como nome provável à presidência

É nesse ponto que o governador de Goiás passa a ganhar centralidade. Bem avaliado, com uma base política sólida e um sucessor definido, o vice Daniel Vilela (MDB), Caiado reúne condições para se movimentar nacionalmente sem muito a perder em Goiás. Daniel caminha para fazer campanha com uma base ampla, herdada diretamente do governador, o que reforça a capacidade de Caiado como puxador de votos para estruturar chapas competitivas a deputado federal e senador em Goiás.

Leia mais: Flávia e George confirmam permanência no PDT e apoio a Daniel Vilela

Para o estrategista político Marcos Marinho, Caiado não é, hoje, a prioridade de Kassab. “Entendo que, dentro do PSD, o Caiado não é a prioridade. Se o cenário, após abril, começar a demonstrar que o [presidente] Lula (PT) bateu no teto, o que já aparece na última pesquisa, que o Flávio [Bolsonaro (PL-RJ)] não cresce mais e que a rejeição dele supera a do Lula, Kassab pode investir no Ratinho Júnior como uma possibilidade de atrair os votos do Flávio Bolsonaro na reta final”, avalia.

Segundo Marinho, nessa hipótese, Ratinho poderia chegar ao segundo turno pelo PSD, “fazendo gravitar toda a direita e a extrema direita para o partido, com chance real de eleger o presidente”. Ainda assim, o estrategista político pondera que, se Ratinho decidir preservar seu capital político, Caiado pode acabar recebendo esse presente.

A avaliação converge, em parte, com a análise do historiador e especialista em políticas públicas Tiago Zancopé, que vê o cenário de Caiado como favorável, sobretudo como terceira via. “É inegável essa tentativa do Kassab de construir, nesse primeiro turno, uma alternativa ao lulismo e ao bolsonarismo, que é um desejo do eleitor. Essa polarização cansou”, diz. 

Zancopé vê na estratégia do PSD uma tentativa deliberada de ganhar tempo. “Quando você diz que tem um candidato no primeiro turno, você passa a mensagem de que não pode definir isso agora. A discussão sobre se será PT ou PL fica para depois.”

De olho em 2030

De acordo com o historiador, o presidente do PSD já pensa nas próximas eleições. “Kassab pensa no longo prazo. Essa movimentação não é só para agora. Ele olha para esta eleição, mas já está pensando em 2030”, afirma Zancopé. E completa: ao se projetar nacionalmente, Caiado “leva consigo um projeto de Goiás”, ao explorar o legado de pouco mais de sete anos à frente do Estado.

Fontes próximas ao governador, no entanto, reforçam que o cenário é dinâmico. Apontam dificuldades de Ratinho Júnior, desde a exposição da família até a estagnação nas pesquisas, hoje na casa de 3% ou 4%. “Obviamente, Caiado sai favorecido, mas a questão é: esse cenário vai permanecer?”, pondera uma das fontes. Os mesmos interlocutores descartam a hipótese de Kassab abrir mão de uma candidatura presidencial apenas para ser vice em São Paulo. “Puxar o tapete de três presidenciáveis ao mesmo tempo é arriscado.” (Especial para O HOJE)

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