sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Coligação de partidos

Apesar de negativa do PT, aliança com PSDB parece um caminho sem volta

Por um lado, membros do partido de Lula defendem coligação em Goiás. Por outro, integrantes do PSDB dizem que Marconi precisa do PT para avançar na disputa ao governo

Marina Moreirapor em
PT
Adriana Accorsi diz, em nota, que o PE reitera a ausência de negociação de aliança com Marconi Perillo - Créditos: Divulgação e Renato Araújo_Câmara dos Deputados

Ainda é uma incógnita a possibilidade de aliança partidária entre PT e PSDB com o objetivo de fortalecer a pré-candidatura do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) ao Palácio das Esmeraldas. Muito se fala sobre o racha que o PT estadual enfrenta, com uma ala mais alinhada a valores definitivamente de esquerda e, por outro lado, um grupo que vê como ideal se aliar com diferentes partidos, inclusive os de centro-direita. 

É possível observar outro tipo de divisão no partido, uma vez que há aqueles que defendem a coligação da legenda com o PSDB, a fim de favorecer a pré-candidatura de Marconi no Estado e montar um palanque forte para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputará reeleição ao Planalto. 

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Executiva Estadual do PT durante reunião para discutir nome do pré-candidato a governador em Goiás – Foto: divulgação

Acesse também: Pragmatismo da centro-direita enfraquece pré-candidatura de Flávio

Porém, isso é um desafio para quem deseja unir as legendas com esse fim, pois o ex-governador já reiterou que não apoiará a candidatura do petista para presidente. Em contrapartida, há petistas que não concordam com a ideia de favorecer a disputa de Marconi pelo Palácio das Esmeraldas e, ainda, defendem a definição de um nome próprio para disputar o Governo do Estado. 

É o caso da presidente do Diretório Estadual do PT, deputada federal Adriana Accorsi, que, por mais que defenda o não alinhamento com o PSDB no Estado, diz acreditar na formação ampla de apoio ao presidente Lula. “Vamos trabalhar para reeleger o presidente Lula, aumentar as bancadas progressistas e, nesse processo, vamos  defender as causas que nós acreditamos, como o fim da jornada 6×1, taxar os milionários, sem anistia”, ressalta Adriana. 

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Deputada federal Adriana Accorsi e presidente Lula durante evento da UNE, em Goiânia – Créditos: Ricardo Stuckert/PR

Segundo a líder do PT goiano, o processo eleitoral de 2026 não é um momento só de ganhar votos, mas de dialogar com a população, defender as pautas a favor dos trabalhadores e convencer a sociedade. 

Aliança com adoção do projeto de governo

Durante a recepção do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, que esteve em Goiânia na última quinta-feira (5), um dos pré-candidatos ao governo estadual pelo PT, o advogado Valério Luiz Filho, afirmou ao O HOJE não ser contra a coligação de seu partido com o PSDB, desde que os tucanos estejam de acordo com o projeto de governo pensado pela direção do PT. 

“Eu não sou contra nenhum tipo de aliança, desde que elas venham a aderir ao nosso projeto e não nós ao deles. Eu defendo que uma cabeça de chapa seja representada pelo PT, ou seja, o candidato a governador deve ser um nome do PT, para defender inclusive os progressos e avanços sociais do governo Lula e quem quiser vir para apoiar esse projeto, eu considero positivo.”

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Presidente estadual do PT, Adriana Accorsi, juntamente com os quatro pré-candidatos a governador de Goiás pela legenda: o vereador Edward Madureira, o ex-deputado Luis César Bueno, o advogado Valério Luis e o jornalista Cláudio Curado – Foto: divulgação

Na sexta-feira (6), a direção estadual do partido publicou uma nota na qual reafirma a ausência de negociação de aliança com o PSDB. “Seguindo orientação do presidente Lula, da direção nacional do PT e do Grupo de Trabalho Nacional, não há negociação de aliança com o ex-governador Marconi Perillo”, informa o documento assinado por Accorsi. 

E o PSB?

A vereadora Aava Santiago está em um momento de transição partidária, uma vez que sua filiação no PSB, depois de deixar o PSDB, está marcada para terça-feira (10). O evento contará com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), do presidente nacional do PSB, o prefeito de Recife (PE), João Campos, e da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). 

Aava se apoia na trajetória do vice de Lula, que ajudou a fundar o PSDB, mas se filiou ao PSB para apoiar e compôr chapa com o petista em 2022. “O vice-presidente no PSB é um dos grandes acertos que levaram à eleição e à vitória do presidente Lula em 2022. Ele é vice-presidente do partido e foi ele que sinalizou que gostaria de me receber quando soube que eu iria para a legenda”, explicou Aava em entrevista ao O HOJE. 

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Aava tratou da chegada ao PSB em encontro com Alckmin, que demonstrou interesse em participar da filiação em Goiânia – Créditos: Danillo Gonçalves Santos

O vereador de Goiânia, Tião Peixoto (PSDB), não mediu palavras ao mostrar o que pensa sobre a aliança de ambos os partidos com o intuito de consolidar a campanha de Marconi. “Eu acho que se o Marconi quiser ganhar as eleições, ele tem que se unir com o PT, porque com a direita ele não pode se unir. Sozinho ele não tem chance nenhuma”, pontua o tucano ao O HOJE. (Especial para O HOJE)

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Tags:
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