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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Saúde

Anvisa registra seis mortes em notificações de suspeitas de pancreatite associadas a canetas emagrecedoras

Levantamento aponta 145 notificações no Brasil em cinco anos

Micael Silvapor Micael Silva em 9 de fevereiro de 2026
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Foto: FreePik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou aumento no número de notificações de casos suspeitos de pancreatite associados ao uso das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil desde 2020. De acordo com a agência, seis dessas notificações tiveram desfecho informado como morte.

Levantamento junto ao órgão aponta que, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, foram contabilizadas 145 notificações de suspeitas de pancreatite relacionadas a princípios ativos como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. Quando considerados também dados provenientes de pesquisas clínicas, o total chega a 225 registros no período.

As informações constam no VigiMed, sistema utilizado pela Anvisa para o monitoramento de eventos adversos associados ao uso de medicamentos. Segundo a agência, as seis mortes constam como desfechos suspeitos informados pelos notificadores, sem confirmação definitiva de relação causal.

A série histórica mostra crescimento contínuo das notificações. Em 2020, houve apenas um registro. O número subiu para 21 em 2021, 23 em 2022, 27 em 2023 e 28 em 2024. Já em 2025, foram contabilizadas 45 notificações, aumento de 60,7% em relação ao ano anterior.

Em nota, a Anvisa ressaltou que os dados se referem a suspeitas, e não a casos comprovados. “É importante destacar que os casos se referem a notificações de suspeitas relatadas para a Anvisa. Não podemos afirmar que se tratam de casos comprovados”, informou o órgão.

Os medicamentos dessa classe, indicados para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, já trazem em bula a possibilidade de pancreatite como efeito adverso. No Brasil, o risco está descrito nos documentos regulatórios aprovados pela própria agência.

Nos últimos anos, o uso dessas medicações cresceu de forma acelerada no país, impulsionado tanto por prescrições fora das indicações originais quanto pelo avanço do mercado ilegal. Para a Anvisa, o cenário reforça a necessidade de prescrição médica responsável e acompanhamento contínuo dos pacientes.

Alerta internacional

No exterior, o tema também acendeu um sinal de alerta. A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) emitiu comunicado recente sobre o risco de pancreatite aguda grave em usuários de medicamentos como Mounjaro e Wegovy.

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Foto: Adobe Stock

Embora os casos graves sejam considerados raros, o órgão britânico destacou que alguns episódios foram particularmente severos, recomendando atenção redobrada por parte de médicos e pacientes.

O que é pancreatite

A pancreatite aguda é um processo inflamatório causado pela autodigestão do pâncreas por suas próprias enzimas. A condição pode ou não atingir tecidos e órgãos próximos ou até mesmo áreas mais distantes do corpo.

A doença pode ser classificada como leve ou grave. Na forma leve, as alterações sistêmicas e locais costumam ser mínimas. Já na forma grave, podem ocorrer falência de órgãos, como hipotensão arterial, insuficiência respiratória, insuficiência renal e sangramento gastrointestinal.

Entre as complicações locais estão necrose pancreática, abscesso e formação de pseudocisto. Diante de sintomas como dor abdominal intensa e persistente, náuseas e vômitos, a orientação é procurar atendimento médico imediato.

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