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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
INVESTIGAÇÃO

Caso Epstein: o que já se sabe, o que foi ocultado e o que falta esclarecer

Nova liberação de arquivos amplia acesso a documentos, expõe conexões do financista e mantém investigações em andamento

Thais Munizpor Thais Muniz em 10 de fevereiro de 2026
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A divulgação de uma nova leva de documentos em 2026 recolocou o caso Jeffrey Epstein no centro do debate internacional e reacendeu investigações sobre a rede de relações, influência e crimes associados ao financista norte-americano Jeffrey Epstein

Jeffrey Epstein foi um financista norte-americano acusado de comandar um esquema de tráfico sexual de menores envolvendo jovens recrutadas para exploração em propriedades nos Estados Unidos e em outros países. Preso em 2019 sob acusações federais, Epstein morreu no mesmo ano em uma cela em Nova York, em um caso oficialmente tratado como suicídio, mas que permanece alvo de questionamentos públicos e investigações paralelas.

Em 2026, o caso voltou ao centro do debate internacional após a liberação de milhões de documentos judiciais e investigativos nos Estados Unidos, impulsionada por uma legislação federal que determinou maior transparência sobre os arquivos relacionados às investigações do esquema.

As investigações sobre Epstein buscam esclarecer a dimensão do esquema, o número total de vítimas, a existência de cúmplices, intermediários e facilitadores, além de possíveis falhas institucionais e acordos judiciais que teriam limitado o alcance de processos anteriores. O caso também envolve a atuação de Ghislaine Maxwell, ex-companheira e associada do financista, condenada em 2021 por tráfico sexual de menores e sentenciada a 20 anos de prisão.

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O caso também envolve a atuação de Ghislaine Maxwell, ex-companheira e associada do financista, condenada em 2021 por tráfico sexual de menores e sentenciada a 20 anos de prisão

Em 2026, autoridades dos Estados Unidos liberaram milhões de páginas de arquivos judiciais, policiais e administrativos, incluindo e-mails, agendas, registros financeiros, listas de voos, depoimentos e comunicações internas obtidas ao longo de mais de duas décadas de apuração. A liberação ocorreu após a entrada em vigor de uma legislação federal voltada à ampliação da transparência sobre os chamados “arquivos Epstein”.

O material reforça informações já conhecidas sobre a estrutura operacional do esquema, incluindo a logística de viagens em jatos particulares, a atuação de intermediários responsáveis pelo recrutamento de jovens e a movimentação de recursos por meio de empresas offshore, fundações e trusts. Os documentos também revelam trocas de mensagens entre advogados, assessores e representantes legais que discutiam estratégias para conter danos jurídicos e reputacionais, além de acordos de confidencialidade com vítimas.

Figuras públicas citadas nos “Arquivos Epstein”

Os registros divulgados este ano também ampliam o alcance das investigações sobre as conexões de Epstein com figuras públicas influentes. Entre os nomes que aparecem em documentos, processos ou reportagens associadas ao caso estão Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, citado em registros de voos; Donald Trump, ex-presidente norte-americano mencionado em interações sociais no passado; Príncipe Andrew, do Reino Unido, que foi alvo de processo civil e fechou acordo extrajudicial relacionado a acusações de abuso; Bill Gates, citado em reportagens sobre encontros anteriores com Epstein; o empresário Les Wexner, ligado a transações financeiras com o financista; e o advogado Alan Dershowitz, envolvido em disputas judiciais relacionadas ao caso. A presença dos nomes nos arquivos não implica, por si só, envolvimento criminal, mas ampliou questionamentos sobre o grau de proximidade, conhecimento ou participação no círculo do financista.

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Donald Trump e Jeffrey Epstein

Parte dos documentos indica tentativas de silenciar denunciantes e gerenciar riscos legais, incluindo estratégias para contestar depoimentos, pressionar testemunhas e limitar a divulgação de informações sensíveis. Também há registros sobre negociações confidenciais, pagamentos a intermediários e discussões internas sobre como evitar repercussões políticas e judiciais mais amplas.

Apesar do volume expressivo de material tornado público, parlamentares, juristas e organizações de transparência afirmam que parte dos arquivos segue sob sigilo ou foi divulgada com cortes extensos, o que dificulta a compreensão completa da rede de relações associada a Epstein. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos argumenta que as restrições buscam proteger a identidade de vítimas, evitar a exposição de conteúdo ilegal e preservar investigações ainda em andamento.

A liberação dos documentos também provocou repercussão fora dos Estados Unidos. Autoridades e parlamentos em países europeus passaram a revisar possíveis vínculos entre Epstein e figuras públicas locais, após o surgimento de correspondências, registros de encontros e referências cruzadas nos arquivos. Instituições acadêmicas, fundações filantrópicas e organizações que mantiveram relações financeiras ou institucionais com o financista anunciaram revisões internas.

Os arquivos também detalham disputas envolvendo o patrimônio deixado por Epstein, estimado em centenas de milhões de dólares, e a administração de fundos destinados à indenização de vítimas. Registros financeiros apontam para estruturas complexas de movimentação de ativos e conflitos judiciais sobre a destinação dos recursos.

Mesmo após a morte de Epstein e a condenação de Ghislaine Maxwell, o caso segue em aberto em diferentes frentes, incluindo investigações jornalísticas, ações civis, revisões institucionais e análises judiciais. A nova leva de documentos divulgada em 2026 ampliou o volume de informações disponíveis ao público e mantém o caso entre os mais acompanhados do cenário internacional.

 

 

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