Novos arquivos de Epstein expõem falhas e omissões na investigação federal
Arquivos de Epstein reacendem questionamentos sobre ocultação de nomes e decisões do Departamento de Justiça
A divulgação de novos documentos relacionados a Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos reacendeu críticas sobre a condução das investigações e a ausência de acusações formais contra possíveis cúmplices do financista condenado por crimes sexuais. A liberação do material ocorreu após pressão de parlamentares que tiveram acesso a versões não censuradas de arquivos produzidos por órgãos federais ao longo dos últimos anos.
Os documentos tornados públicos revelam inconsistências nas edições realizadas anteriormente e levantam dúvidas sobre a extensão das informações mantidas sob sigilo. A repercussão ganhou força depois que o deputado Thomas Massie afirmou que identidades citadas em um relatório do Federal Bureau of Investigation, de 2019, teriam sido ocultadas deliberadamente. O material listaria supostos cúmplices de Epstein, mas chegou ao Congresso com trechos censurados.
Em resposta às acusações, o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que o Departamento de Justiça “não está escondendo nada”. A troca de mensagens entre Blanche e Massie ocorreu na noite de segunda-feira (9) e foi tornada pública pelo parlamentar. A CNN informou que tenta contato com os nomes mencionados nessas conversas.
Epstein e as lacunas da responsabilização criminal
Apesar da nova rodada de divulgações, o Departamento de Justiça não explicou por que os documentos foram editados de forma considerada confusa nem esclareceu por que outras pessoas citadas nos autos nunca foram formalmente acusadas. A justificativa apresentada permanece a mesma: ausência de provas suficientes para sustentar processos criminais além daqueles movidos contra Epstein.
Esse entendimento já havia sido reiterado em audiência no Congresso no ano anterior, quando o diretor do FBI, Kash Patel, declarou não haver informações confiáveis que comprovassem que Epstein traficava meninas para outras pessoas. “Se houvesse provas suficientes, eu teria apresentado o caso ontem mesmo — que ele traficava pessoas para outros indivíduos. E as informações que temos, novamente, são limitadas”, afirmou Patel na ocasião.
Entre os documentos agora divulgados está uma minuta de acusação nunca formalizada, tornada pública recentemente. O texto sustenta que, entre 2001 e 2005, Epstein e três réus não identificados teriam participado de uma conspiração para “aliciar mulheres menores de 18 anos” para envolvimento em “conduta lasciva” em troca de dinheiro. As identidades dos supostos coautores não foram divulgadas publicamente.
Em 2007, promotores federais optaram por não apresentar a acusação, que reunia dezenas de crimes, e firmaram um acordo de não persecução penal com Epstein. O acerto permitiu que ele evitasse acusações federais e cumprisse 13 meses de prisão estadual por crimes relacionados à prostituição.
Uma revisão interna conduzida pelo Departamento de Justiça em 2020 concluiu que o então procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Flórida, Alex Acosta, demonstrou “falta de bom senso” ao negociar o acordo, mas não identificou conduta profissional inadequada.
A reabertura do debate em torno de Epstein evidencia não apenas a gravidade dos crimes, mas também as fragilidades institucionais que permitiram que o caso fosse encerrado sem o esclarecimento pleno sobre o papel de eventuais cúmplices.
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