Vendas exigem método e constância, afirma Brenda Brandão
Convidada do podcast Manda Vê relata experiências no mercado e crítica improviso na área comercial
Na última segunda-feira (9), o podcast Manda Vê dedicou um episódio a um tema pouco associado ao entretenimento, mas decisivo para a dinâmica profissional no Brasil contemporâneo: vendas como método, disciplina e instrumento de autonomia. Apresentado por Juan Allaesse e Isadora Carvalho, o programa recebeu a palestrante, escritora e mentora Brenda Brandão, que apresentou sua leitura sobre performance comercial, afastada de discursos motivacionais genéricos.
Ao longo da conversa, Brenda situou sua relação com vendas ainda na infância, quando brincadeiras de lojinha funcionavam como exercício informal de negociação e troca. Segundo relatou, a prática sempre esteve associada à ideia de autonomia e conquista, percepção que antecedeu qualquer formação acadêmica e moldou, desde cedo, sua relação com dinheiro e trabalho.
Embora tenha seguido o percurso universitário e se formado em Biomedicina, a mentora afirmou que a graduação não representou ruptura com o comércio. Durante o período acadêmico, passou a financiar despesas pessoais com a venda de semijoias, experiência que, segundo disse, consolidou sua convicção de que renda é resultado direto da capacidade de execução, não apenas de qualificação formal.
A chegada a Goiânia marcou um novo ponto de inflexão. Sem endereço fixo e em busca de colocação profissional, Brenda contou que percorreu laboratórios a pé durante dias, retornando a alguns deles mais de uma vez sem se dar conta. A insistência resultou em uma contratação inicialmente prevista para 30 dias, que se estendeu por quatro anos. No programa, avaliou esse período como decisivo para compreender os limites de uma rotina técnica sem perspectiva de crescimento.
A transição para um laboratório de grande porte ampliou essa percepção. Ao assumir uma supervisão técnica com mais de uma centena de funcionários e equipamentos de alta complexidade, relatou ter enfrentado insegurança inicial, seguida de uma decisão deliberada de aprendizado. Fora do horário regular, passou a circular por diferentes setores para compreender processos e identificar falhas estruturais, prática que influenciou diretamente sua visão de liderança.
Nesse contexto, a gestão de conflitos tornou-se parte central da função. Brenda afirmou que passou a observar comportamentos, identificar padrões e ajustar abordagens conforme o perfil das equipes. A estratégia, segundo relatou, permitiu destravar decisões e melhorar resultados. Para ela, liderança exige leitura precisa do ambiente e equilíbrio entre firmeza e escuta.
A migração definitiva para a área comercial foi apresentada como uma mudança gradual de função e responsabilidade, orientada por resultados. Ao assumir uma região extensa e um setor que não atingia metas havia anos, a mentora afirmou que a reversão do cenário ocorreu a partir da execução rigorosa de tarefas básicas: visitas frequentes, prospecção presencial e acompanhamento sistemático de clientes. O método, segundo disse, substituiu qualquer tentativa de improviso.

No campo estratégico, Brenda detalhou a prática de mapear carteiras de clientes com base em volume de compras, presença de concorrentes e margem de crescimento. A ampliação de participação dentro de clientes ativos, por meio de relações duradouras com diferentes níveis de decisão, foi apontada como fator central para antecipar movimentos do mercado e responder com agilidade.
A forma de lidar com metas ocupou papel central em sua atuação profissional. No programa, Brenda relatou que sempre traduziu objetivos pessoais em números concretos de vendas, tratando o salário como consequência direta do processo. Nesse raciocínio, a meta corporativa aparecia como referência mínima de desempenho, e não como limite para sua ambição profissional.
Ao comentar a passagem pelo mercado de seguros, destacou o desafio de vender produtos intangíveis e de baixa adesão espontânea. A experiência, segundo afirmou, reforçou a necessidade de técnica aplicada sob pressão e resiliência emocional. O reconhecimento profissional, disse, sempre teve peso maior do que o retorno financeiro imediato.
Sobre a criação da Funil de Vendas, Brenda explicou que encontrou no modelo uma síntese de sua visão de mercado. A combinação entre tecnologia, CRM e treinamento estruturado permitiria reduzir decisões baseadas exclusivamente em intuição. Empresas sem indicadores, afirmou, operam no escuro e confundem cobrança de metas com gestão.
Ao encerrar sua participação, a mentora afirmou que o setor de vendas não admite atalhos. Segundo ela, o crescimento profissional exige atravessar períodos de desconforto, lidar com frustrações recorrentes e manter constância mesmo quando os resultados demoram a aparecer. O desempenho sustentado, concluiu, depende da repetição disciplinada de práticas básicas e da escolha de tratar vendas como ofício, não como improviso. O episódio completo está disponível no canal do podcast Manda Vê no YouTube.