segunda-feira, 2 de novembro de 2026
NEGOCIAÇÕES

Irã aceita inspeções nucleares mas rejeita “exigências excessivas” dos EUA

Teerã sinaliza inspeções para provar caráter pacífico de programa nuclear mas rejeita pressões de Washington

Lalice Fernandespor em
Irã aceita inspeções nucleares mas rejeita “exigências excessivas” dos EUA
Foto: Reprodução/ @drpezeshkian

Os governos do Irã e da Rússia fizeram na quarta-feira (11) movimentos sobre seus programas nucleares em meio a negociações e incertezas envolvendo os Estados Unidos, ampliando o cenário de tensão em torno do equilíbrio estratégico nuclear global.

Em Teerã, o presidente, Masud Pezeshkian, declarou que o país está disposto a aceitar inspeções para comprovar que seu programa nuclear tem finalidade pacífica, mas afirmou que não aceitará pressões de Washington. A declaração ocorreu durante as comemorações do 47º aniversário da Revolução Islâmica.

“Não buscamos nos dotar de armas nucleares. Já declaramos isso em repetidas ocasiões e estamos dispostos a todo tipo de inspeções. Nosso país, o Irã, não cederá às suas exigências excessivas. Nosso Irã não cederá à agressão, mas seguimos dialogando com todas as nossas forças com os países vizinhos para instaurar a paz”, afirmou.

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Foto: Reprodução

EUA e Teerã negociam sobre programa nuclear iraniano

A fala ocorre enquanto EUA e Irã tentam avançar em negociações sobre a limitação do programa nuclear iraniano. Na sexta-feira (6), representantes dos dois países se reuniram em Omã para discutir o tema, e novos encontros devem ocorrer nos próximos dias. Washington quer que Teerã limite ou suspenda o enriquecimento de urânio, enquanto o regime do aiatolá Ali Khamenei afirma que negociará apenas a questão nuclear, rejeitando incluir o programa de mísseis ou o apoio a grupos armados na região.

Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, nível próximo ao necessário para a produção de uma bomba nuclear. A principal autoridade nuclear iraniana afirmou nesta semana que o país está pronto para diluir o estoque enriquecido em troca do fim das sanções impostas pelos Estados Unidos. Ainda assim, a AIEA informou em novembro que Teerã não havia concedido acesso de inspetores às instalações bombardeadas pelos EUA em junho de 2025.

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Foto: Divulgação/ Casa Branca

Na terça-feira (10), o presidente Donald Trump afirmou ao site norte-americano “Axios” que pode enviar mais um porta-aviões ao Oriente Médio e adotar uma medida “muito dura” caso as negociações fracassem. “Da última vez, eles não acreditaram que eu faria isso”, disse, em referência aos ataques contra instalações nucleares iranianas em junho de 2025. “Ou chegaremos a um acordo ou teremos que fazer algo muito duro como da última vez”, afirmou.

Rússia fala sobre limites nucleares

No mesmo dia, em Moscou, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que o país continuará respeitando os limites para o desdobramento de seu arsenal nuclear mesmo após a expiração do tratado New START, desde que os EUA façam o mesmo. Segundo ele, as restrições “continuarão em vigor, mas apenas se os Estados Unidos não ultrapassarem os limites estabelecidos”. Lavrov declarou ainda que Moscou adotará uma postura “responsável”, baseada em “uma análise da política militar americana”.

O Novo START, assinado em 2010, limitava a 1.550 o número de ogivas nucleares estratégicas mobilizadas por cada país e previa inspeções presenciais, suspensas em 2023. Desde seu vencimento, em 5 de fevereiro, não há acordo bilateral em vigor que limite o desdobramento de armas nucleares entre as duas potências.

Mesmo assim, o Kremlin informou na semana passada que Moscou e Washington concordaram em manter uma abordagem “responsável” e continuar negociando. Trump defendeu “um novo tratado aprimorado e modernizado” e afirmou que o acordo foi “mal negociado” pelo governo de Barack Obama. Os Estados Unidos também defendem a participação da China em futuras negociações, proposta rejeitada por Pequim.

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acordo nuclear Donald Trump Estados Unidos Ira! Masud Pezeshkian nuclear programa nuclear Rússia

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