Pré-Carnaval consolida novo modelo de festa, turismo e negócios em Goiânia em 2026
Com a Capital como epicentro da programação, pré-Carnaval antes do feriado impulsionou a economia, fortaleceu o turismo regional e reposicionou Goiás no circuito nacional da folia
Historicamente marcada pelo esvaziamento de suas ruas durante o feriado de Carnaval, período em que o goianiense tradicionalmente opta por viajar para o interior do Estado ou para o litoral, Goiânia passou, nos últimos anos, por uma mudança relevante em sua relação com a festa. Em 2026, essa transformação tornou-se mais evidente, a Capital de Goiás não apenas celebrou a folia, como consolidou um modelo próprio de organização, lazer e geração de negócios, no qual o pré-Carnaval assume papel central.
Nesse novo arranjo, os dias oficiais de feriado deixam de ser o ápice da programação e passam a ocupar uma posição secundária, funcionando, em muitos casos, como ponto de partida para o turismo regional. Ao contrário de cidades como Rio de Janeiro e Salvador, onde o Carnaval concentra o maior volume de público, investimentos e atividades econômicas, Goiânia encontrou sua principal vocação no período que antecede a festa.
Os dados e o movimento observados neste ano confirmaram essa tendência: o público prefere ocupar os espaços urbanos da Capital durante os blocos e eventos de pré-Carnaval e, somente depois, se deslocar para destinos turísticos do interior, como Aruanã, Pirenópolis e Goianésia.
Esse comportamento consolidou uma nova dinâmica de consumo, na qual o folião direciona seus gastos inicialmente para Goiânia, impulsionando bares, eventos e serviços, e, na sequência, leva recursos para outras cidades goianas, ampliando os efeitos econômicos da festa para além dos limites do município.
A diferença de adesão popular entre 2025 e 2026 é um dos dados mais expressivos dessa retrospectiva. No ano anterior, o pré-Carnaval de Goiânia já demonstrava força, que atraiu um público estimado entre 100 mil e 150 mil pessoas. Em 2026, porém, os números superaram todos os recordes anteriores.
Estimativas oficiais do Circuito Folia Goiás, realizado na Avenida 85, indicam que mais de 350 mil pessoas celebraram o evento na Capital apenas no sábado de pré-Carnaval. Fontes ligadas à organização municipal apontam que o público total ao longo de todo o percurso e dos eventos adjacentes pode ter ultrapassado 400 mil foliões. O crescimento superior a 100% no volume de pessoas nas ruas em apenas um ano reflete não só o desejo de ocupação dos espaços públicos, mas também a efetividade dos investimentos em infraestrutura e atrações de alcance nacional.
O sucesso de público está diretamente ligado ao volume de recursos aplicados. Por meio do programa Folia Goiás 2026, o governo de Goiás investiu R$ 20 milhões para apoiar as festividades na Capital e em cerca de 30 municípios do interior, já no ano passado o investimento ficou em cerca de apenas R$ 1 milhão. O montante atuou como capital indutor, estimulando gastos privados que, segundo economistas do setor, costumam gerar um efeito multiplicador entre duas e três vezes o valor inicialmente investido.
Em Goiânia, a prefeitura destinou R$ 457 mil à estrutura oficial do evento, contemplando a montagem de palcos, sonorização, iluminação e reforço na segurança. O modelo de apoio também foi ampliado por meio de editais públicos, que permitiram o acesso de blocos independentes e artistas regionais aos recursos. A programação diversificada reuniu estilos distintos, com atrações que foram do axé de Léo Santana ao sertanejo de Guilherme & Benuto e à música eletrônica de Dennis DJ.

Celebração do pré-Carnaval afeta todos os setores econômicos na Capital
Os impactos econômicos do pré-Carnaval se estenderam por toda a cadeia produtiva de Goiânia, alcançando diferentes setores da economia local. Atividades que historicamente tratavam o mês de fevereiro como um período de baixa temporada passaram a registrar crescimento significativo no faturamento, impulsionadas pelo aumento da circulação de pessoas e pela intensificação da programação festiva na Capital.
Na rede hoteleira, o cenário foi de recuperação e alta demanda. Em 2026, a taxa de ocupação, que em anos anteriores permanecia em patamares considerados modestos, variou entre 70% e 85% nos dias de maior concentração de eventos, com destaque para a região da Avenida 85, onde se concentrou parte expressiva da programação. Nos municípios do interior diretamente beneficiados pelo fluxo iniciado em Goiânia, a ocupação chegou a 100%, evidenciando o efeito em cadeia provocado pelo pré-Carnaval na capital.
Bares e restaurantes também registraram resultados positivos, com relatos de aumento no faturamento entre 20% e 40% ao longo do período. No setor de bebidas, especialmente no mercado de chope, a projeção indicou crescimento entre 15% e 20% nas vendas. A combinação entre praticidade e custo-benefício em encontros privados, eventos de blocos e confraternizações consolidou a bebida como a principal escolha dos foliões, movimentando não apenas os pontos de venda, mas toda a cadeia envolvida, que inclui fornecedores de insumos, distribuidores e serviços de locação de equipamentos.
A economia informal foi outro segmento diretamente beneficiado. Vendedores ambulantes regularmente cadastrados encontraram no pré-Carnaval uma oportunidade de geração de renda equivalente a várias semanas de trabalho em períodos regulares. Paralelamente, houve aumento da demanda por serviços complementares, como transporte por aplicativo, segurança privada, limpeza urbana terceirizada e locação de estruturas temporárias, reforçando o papel do pré-Carnaval como um vetor relevante de dinamização econômica para a cidade.
Um dos fatores determinantes para o conforto do público recorde foi o reforço na segurança. O governo estadual e a prefeitura mobilizaram mais de mil profissionais, entre policiais militares e civis, Guarda Municipal e Corpo de Bombeiros. A instalação de plataformas elevadas para policiamento preventivo e o uso de unidades móveis da Polícia Civil contribuíram para que o evento fosse classificado pelas autoridades como um dos mais seguros do País.
Além da segurança, o pré-Carnaval integrou ações voltadas aos direitos humanos e à sustentabilidade. Equipes da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres realizaram abordagens educativas sobre o combate à violência de gênero e distribuíram kits de prevenção a infecções sexualmente transmissíveis. Na área ambiental, a iniciativa Recicla Goiás apoiou catadores de materiais recicláveis na destinação correta dos resíduos gerados ao longo da Avenida 85.
O pré-Carnaval de Goiânia é formado por uma ampla rede de eventos. A programação reuniu grandes circuitos gratuitos com trios elétricos baianos e eventos fechados e temáticos.
Blocos tradicionais e privados, como Carnaval dos Amigos, Cateretê, Bloquinho do Madá e Não Encha Meu Sax, mantiveram seu público fiel em ambientes controlados. Já iniciativas voltadas à inclusão e a nichos específicos ampliaram o alcance da festa. O CarnaRockinho e o CarnaMirim priorizaram famílias e o público infantil, enquanto o Bloco do Esquenta LGBT+ e o Bloco Socialista reforçaram a diversidade cultural e política do evento.
Centrado em seu pré-Carnaval fortalecido, o Carnaval de Goiânia deixou de ser apenas uma celebração para se tornar um componente relevante no balanço anual de empresas e serviços. A consolidação de Goiás entre os dez destinos turísticos mais visitados do Brasil em 2025 encontrou no pré-Carnaval de 2026 um novo impulso.