Sexta-feira 13: prepare a maratona com estes filmes de terror
Clássicos e obras contemporâneas mostram como o gênero ultrapassa o susto e dialoga com política, trauma e estética
A superstição em torno da Sexta-feira 13 transformou a data em rito informal para cinéfilos. Mas reduzir o terror a sustos fáceis é ignorar sua potência narrativa. Do slasher ao horror psicológico, os títulos abaixo mostram como o gênero reflete tensões sociais, crises íntimas e experimentações formais.
Sexta-Feira 13 (1980)
Dirigido por Sean S. Cunningham, o filme inaugura uma mitologia que moldaria o slasher moderno. A câmera subjetiva — que coloca o espectador na perspectiva do assassino — e o adiamento da revelação final estruturam a tensão. Jason só ganharia a máscara icônica nos capítulos seguintes, mas é aqui que a franquia finca suas bases narrativas e comerciais.
Alien: O Oitavo Passageiro (1979)
Sob direção de Ridley Scott, o horror abandona florestas e invade o espaço sideral. A nave Nostromo funciona como cápsula claustrofóbica onde a ameaça externa se cruza com disputas internas. O monstro, revelado em fragmentos, é tão inquietante quanto os jogos de poder entre tripulantes.
Corra! (2017)
Jordan Peele utiliza a gramática do terror para expor o racismo estrutural. O desconforto nasce de diálogos ambíguos e gestos aparentemente cordiais que escondem violência simbólica. O horror aqui é político e cotidiano, e o sucesso crítico consolidou uma nova fase do gênero nos Estados Unidos.
A Mosca (1986)
Em sua versão assinada por David Cronenberg, o experimento científico fracassado vira tragédia íntima. A metamorfose do protagonista, construída com efeitos práticos perturbadores, materializa a degradação física e emocional. É body horror com densidade dramática.
Mártires (2008)
Dirigido por Pascal Laugier, o longa francês rompe com a lógica do espetáculo da violência ao associar brutalidade explícita a reflexão filosófica sobre dor e transcendência. Inserido no Cinema Extremo Francês, desafia o espectador a permanecer diante do incômodo.
O Babadook (2014)
A diretora Jennifer Kent constrói o medo no espaço doméstico. A criatura é menos entidade sobrenatural do que metáfora do luto e da exaustão materna. A tensão se acumula na repetição e na deterioração psicológica.
Hereditário (2018)
Com Ari Aster, o terror é herança familiar. A narrativa alterna desconforto prolongado e explosões gráficas de violência, sustentando atmosfera de inevitabilidade trágica.
Psicose (1960)
Alfred Hitchcock redefiniu o suspense ao deslocar o foco narrativo e desmontar expectativas do público. A cena do chuveiro tornou-se referência formal, mas o impacto maior está na construção psicológica de Norman Bates.
Suspiria (1977)
No universo estilizado de Dario Argento, a trama é quase secundária diante da experiência sensorial. Cores saturadas, trilha da banda Goblin e enquadramentos expressionistas transformam a narrativa em pesadelo coreografado.
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