quarta-feira, 21 de outubro de 2026
OPINIÃO

Com Marconi sem grupo, eleições se polarizam entre Daniel e Wilder

Pré-candidato do PSDB repete erro que lhe custou derrotas em 2018 e 2022, enquanto vice-governador e senador do PL insistem no acerto que proporcionou vitórias

Nilson Gomespor em
Marconi
Foto: Divulgação Secom-GO, Beto Barata Agência Senado e Edilson Rodrigues Agência Senado

Goiás continua com quatro pré-candidatos a governador com alguma chance de chegar ao segundo turno: Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Moraes (PL) e um nome ainda indefinido do PT. Contudo, duas dessas alternativas se sustentam em teses que nunca prosperaram no Estado: a esquerda historicamente fica do terceiro lugar para baixo nas eleições regionais, e a chamada terceira via não avança.

Ao se reafirmar como o nome do bolsonarismo ao Palácio das Esmeraldas, Wilder caminha para polarizar com Daniel e deixar Marconi no mesmo vácuo das duas eleições anteriores. Em 2018, Marconi renunciou ao mandato de governador para disputar o Senado. Era o fim de seu ciclo, agravado por operação contra antigos auxiliares — que não resultou em condenações, mas teve forte impacto político. De favorito nas pesquisas, terminou em quinto lugar nas urnas. Em 2022, novamente saiu na frente e perdeu a disputa ao Senado. Em ambos os casos, o fator determinante foi estar fora da polarização: não era nem esquerda nem direita, nem Lula nem Bolsonaro.

Turma de Marconi era a maior, mas virou pó

O fenômeno se repete neste ano, com um agravante: o grupo político de Marconi, antes quase hegemônico no Estado, perdeu força. Outra fragilidade apontada é a ausência de bandeiras claras. Críticas a Ronaldo Caiado, por exemplo, falariam a um eleitorado restrito, já que a aprovação do governador gira em torno de 90% em diversas cidades.

Há levantamentos nos quais Marconi aparece bem posicionado, mas as características geopolíticas e culturais do Estado, além da lógica da polarização, dificultam o avanço de uma candidatura isolada.

Em 2006, Demóstenes Torres, então senador popular, chegou a empatar com Maguito Vilela na pré-campanha ao governo. Sem grupo político estruturado, terminou com menos de 4% dos votos. Entre uma eleição com grupo e outra sem, perdeu quase 90% da votação. O texto aponta cenário semelhante para Marconi.

Pés plantados no lulismo

A distância do poder nos últimos sete anos teria dificultado a atração de novos quadros políticos. Além disso, há o entendimento de que aliados próximos mantêm vínculos com a esquerda. Recusando-se a ser o candidato do campo progressista, Marconi apostaria na divisão do eleitorado bolsonarista — estratégia considerada improvável diante do fortalecimento de Wilder como representante do grupo.

O número 22, ligado ao bolsonarismo, está com Wilder. Já o 15, historicamente associado ao MDB, deve retornar ao Palácio das Esmeraldas com Daniel Vilela, caso se confirme a sucessão de Caiado.

Se quiser ganhar, será deputado

Marconi é descrito como experiente em campanhas e entusiasmado, mas sem base suficiente para sustentar a candidatura ao governo. O cenário projetado é de segundo turno entre Daniel e Wilder. Caso insista na disputa majoritária, pode acabar concorrendo pelo terceiro lugar com o PT. Uma alternativa seria disputar vaga de deputado federal e fortalecer a chapa proporcional do PSDB.

Caiado como fator decisivo

O texto argumenta que as eleições municipais de 2024 tiveram forte influência de Ronaldo Caiado, que teria sido decisivo na eleição de cerca de 120 prefeitos. Assim, o cenário estadual atual não estaria definido exclusivamente por Lula ou Bolsonaro, mas pela força regional do governador.

Guerra em Goiânia e Entorno

A decisão eleitoral deve se concentrar nas regiões com maior número de eleitores: a Metropolitana de Goiânia (incluindo Anápolis) e o Entorno do Distrito Federal. Wilder teve votação expressiva na capital na eleição passada para o Senado, enquanto Daniel conta com o respaldo do grupo de Caiado.

No Entorno, o cenário é de disputa intensa. Wilder tem histórico de boa votação na região, mas enfrentou perdas recentes de aliados. Daniel, por sua vez, articula alianças estratégicas. O apoio de lideranças nacionais e distritais pode influenciar o desfecho.

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