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domingo, 15 de fevereiro de 2026
Reino animal

Pesquisadoras registram onças-pintadas miando pela primeira vez no Brasil; veja o vídeo

Descoberta inédita revela comunicação materna entre fêmeas e filhotes no Parque Nacional do Iguaçu

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 15 de fevereiro de 2026
filhote onca parque iguacu conexao planeta
Foto: reprodução vídeo / Projeto Onças do Iguaçu

Durante décadas, acreditou-se que as onças-pintadas emitia apenas esturros, vocalizações graves e potentes típicas dos grandes felinos do gênero Panthera. No entanto, pesquisadores de campo relatavam ouvir sons mais agudos semelhantes a miados, embora nunca tivessem conseguido comprovar cientificamente essa hipótese. Agora, um estudo brasileiro conseguiu documentar o comportamento pela primeira vez.

O registro foi publicado na revista científica internacional Behaviour e apresenta imagens e áudios de fêmeas de onça-pintada miando para seus filhotes no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná. Segundo a bióloga Vania Foster, coordenadora de pesquisa do Projeto Onças do Iguaçu, a descoberta mostra que a espécie possui um repertório vocal mais complexo do que se imaginava.

Os primeiros registros ocorreram em abril de 2022, quando armadilhas fotográficas captaram uma fêmea chamando o filhote. Outros episódios foram documentados ao longo do mesmo ano e também em 2023, inclusive com uma jovem fêmea em dispersão vocalizando em busca da mãe. Até o fim de 2025, cinco ocorrências semelhantes haviam sido registradas.

Estudo amplia conhecimento sobre o comportamento das onças-pintadas

A análise dos pesquisadores indica que o miado é utilizado principalmente em contextos maternos, quando a fêmea retorna da caça e precisa localizar o filhote. Como os filhotes ainda não possuem estrutura vocal capaz de produzir o esturro, a mãe adapta o som para uma frequência mais aguda, facilitando a comunicação.

Especialistas explicam que o esturro e o miado diferem pela anatomia da laringe. O esturro resulta de uma estrutura pouco ossificada que produz sons graves, enquanto o miado ocorre em frequências mais altas. Esse ajuste também pode ajudar a evitar a aproximação de machos, reduzindo riscos de infanticídio.

Além de revelar novos aspectos comportamentais, o estudo pode contribuir para estratégias de conservação da onça-pintada, espécie ameaçada de extinção. A identificação dos diferentes tipos de vocalização abre caminho para monitoramento acústico não invasivo e melhor compreensão da interação social desses animais.

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